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05/06/2008 
Por Fernando Calmon

Independentemente das discussões apaixonadas sobre o aumento da temperatura do planeta, há um grande esforço mundial para limitar as emissões de gás carbônico (CO2), um daqueles que, em excesso, colaboram para o aquecimento da atmosfera. Esse gás não é poluente tóxico, como outros que saem pelo escapamento dos veículos. Pelo contrário, tem importância vital para a vida na Terra. Sem ele não existiria a fotossíntese que faz crescer as plantas. Estas capturam o gás carbônico, sempre presente no ar, e devolvem oxigênio. Daí a importância do reflorestamento e o controle do desmatamento.

O CO2 também se forma como subproduto da combustão – de gasolina, diesel ou álcool – e está ligado de forma direta ao consumo de qualquer combustível, de origem fóssil ou renovável. Simplificando, quanto menos um motor de carro, caminhão, ônibus, trem, navio ou avião gastar combustível, menos emitirá gás carbônico. Economia, portanto, tem sido motivo de alvoroço nos departamentos de engenharia de fabricantes de veículos e fornecedores.

Otimizar o que já existe surge entre as prioridades. Afinal, essa onda na direção da eficiência precisa permanecer no campo da viabilidade econômica. Inevitável, o aumento dos custos deverá ser repassado ao preço final do carro. Daí o esforço para caminhar a passos curtos e firmes, com pequenos ganhos em diferentes componentes, mas que somados chegam a um bom resultado.

Se a eletrônica motivou grande avanços, especialistas em peças mecânicas também demonstram sua eficiência. É o caso do grupo alemão Schaeffler que foca sua atuação no trem de força (motor e transmissão) e chassi, trabalhando para diminuir atrito, temperatura e peso. Com grande experiência em rolamentos (INA e FAG) e componentes de caixas de câmbio e embreagem (LuK), tem alcançado sucesso na luta para diminuir o consumo. A estratégia centra-se no mote pequenas mudanças, grandes impactos, em especial quando se somam.

A INA propõe um trem de válvulas de admissão e escape totalmente variável, árvores de comando com variador de fase eletromecânico e redução de massa das árvores balanceadoras. Revestimento de superfície com menos atrito para tuchos proporciona ganhos em baixas rotações, típicas do uso em trânsito urbano. Há tendência também de introdução de rolamentos no lugar de casquilhos nas árvores de comando que, isoladamente, significa 0,5% de economia de combustível. Porém, já se planeja árvore de manivela roletada (como nos motores de competição), o que adicionaria no mínimo mais 1% ou 2% de economia.

A substituição de rolamentos cônicos por uma carreira de quatros pistas de rolamentos esféricos angulares nos cubos de rodas de picapes e utilitários acrescenta, pela diminuição de atrito, 1,5% de poupança de combustível, assegura a FAG. A mesma técnica pode ser aplicada em pinhões de diferencial traseiro. A LuK aposta na caixa de câmbio manual automatizada de duplo acoplamento, com sua rapidez de troca e menos perdas mecânicas, além de aperfeiçoamentos nos conversores de torque em caixas automáticas convencionais.

Em resumo, tudo remete ao velho ditado: “De grão em grão, a galinha enche o papo”. Simples assim.
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