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| Renato Bellote Gomes |
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04/06/2008 |
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Prazer a Céu Aberto |
Não é de hoje que o homem sonha com a liberdade. Talvez desde o começo do mundo, nos primórdios da humanidade, essa necessidade tenha sido algo imperativo para a visão de novos horizontes e a conquista de outros povos.
Quando surgiram os primeiros automóveis, ainda no final do século XIX, esse sentimento ganhou um novo impulso. Visionários puderam antever que a liberdade seria mais interessante sobre quatro rodas. O cavalo dava lugar ao cavalo-vapor. A era da combustão tinha início.
Com o desenvolvimento da indústria automotiva os veículos foram ficando mais protegidos das intempéries, tal como chuva e frio. Mas, lá no fundo, o maior desejo ainda continuou sendo o vento no rosto. Desse modo, os conversíveis ganharam destaque e se tornaram uma opção para quem busca esse tipo de sentimento.
Há algum tempo o leitor me acompanha nas avaliações de carros desse gênero. Consegue sentir, assim como eu, que o tempo pode passar mais devagar – ou o contrário – quando se senta atrás do volante de um deles em um dia de sol.
E foi justamente em uma manhã dessas, quando os raios solares já irradiavam calor e energia que fui dar um passeio em outro clássico da Chamonix: o 356 Speedster. Na porta um selo comemorativo fazia alusão aos 21 anos da empresa, situada na pequena cidade de Jarinu.
Cheguei à Autoclass, revendedora da marca em São Paulo, por volta das dez horas. O carro brilhava no showroom, em uma bela combinação de preto com interior e capota marrom. Este modelo é fiel ao original da Porsche, sendo considerado uma das reproduções mais fiéis do mercado, inclusive nos Estados Unidos, onde é vendido há vários anos.
Antônio De Gennaro, diretor comercial da marca, veio me cumprimentar. Fernando, seu filho mais novo, como de costume ia comigo dar um passeio. A capota –
abaixada, é claro – indicava momentos de diversão no começo do fim de semana.
Ao contrário do 550 Spyder, este é um veículo de passeio. Você nota isso logo de cara, ao abrir a maçaneta. Me acomodei em frente ao belo volante da Renovatio Automotive e notei os três marcadores no painel. O esportivo é baixo, como todo carro deste tipo deve ser, mas surpreendentemente confortável.
Arrumei o espelho retrovisor e reparei que a visibilidade também e muito boa. O pára-brisa pequeno dá um toque “anos 50” todo especial. O acabamento também agrada aos olhos. A posição de dirigir, menos ofensiva do que a do Spyder, permite conduzir por um bom tempo sem cansaço.
Girei a chave. O ruído característico do motor boxer refrigerado a ar invadiu o ambiente. Uma aceleradinha de leve comprovou a eficácia do escapamento esportivo. Essa configuração clássica agrada aos compradores e faz a réplica ainda mais fiel.
Porém, a Volkswagen parou de produzi-lo e o estoque já está chegando ao fim. Talvez a Chamonix também esteja pensando em colocar no Speedster o propulsor refrigerado a água. Inclusive, na Europa e Estados Unidos, existem reproduções que utilizam motores diferentes com sucesso.
Bom, agora o leitor segue comigo em um passeio. Engatei a primeira e saí da loja. Os faróis baixos acesos – item de segurança no trânsito – destacam o pequeno roadster no trânsito. Apesar do feriado, a cidade de São Paulo estava movimentada. O bairro de Moema fervia na manhã quente.
Seguimos tranqüilamente até a Avenida República do Líbano. Tranqüilamente, saliento. O motor de 1,6 litro, com injeção eletrônica e 64 cv brutos não faz feio, mas pede uma tocada mais suave. Ele é um carro para passear de modo sossegado por ruas arborizadas e com céu azul. O vento desmancha os cabelos e é aconselhável – dependendo do horário – um bom protetor solar.
Apesar das críticas, gosto de dirigir carros com esse conjunto mecânico. O ronco do motor agrada aos ouvidos e tem um quê de nostalgia no ar. Afinal, veículos com transmissão moderna e outras comodidades podem ser encontrados em qualquer lugar. Vale a pena variar um pouco aos finais de semana.
Assim como outros modelos fora-de-série, este também desperta atenção e curiosidade nas ruas. Até uma criança – de uns cinco anos de idade, aproximadamente – abriu o vidro e exclamou para a mãe: “olha um carro antigo”. Pois é, apesar da selva fria de pedra, São Paulo ainda tem essas coisas.
Após o ensaio fotográfico voltamos à loja. Um exemplar como este sai por volta de R$ 63 mil. E ele pode ser usado tanto por solteiros – ou solteiras – charmosos quanto por casais que estejam buscando renovar a paixão a bordo de um conversível. A escolha fica por conta do freguês. |
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Renato Bellote Gomes, 28 anos, é bacharel em Direito e assina cinco colunas sobre antigomobilismo na internet. O autor tem textos publicados em doze países de língua espanhola e é correspondente do site português Lusomotores |
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