Eduardo Abbas

Renomado profissional de imprensa, Eduardo Abbas possui mais de 30 anos de experiência no telejornalismo. Realiza a produção de eventos esportivos e criação e produção de programas para a televisão. Participou da cobertura de eventos como Copa do Mundo, Olimpíadas e corridas de Fórmula 1. Atualmente é produtor executivo de eventos da REDETV e membro da ABIAUTO. Destacou-se como Editor-Chefe dos programas Grid Motor e Linha de chegada, no canal à cabo SPORTV. Eduardo Abbas também é colunista e consultor na área de comunicação e automobilismo.

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MUITO ALÉM DAS TÁTICAS

Postado em 11/07/2012 - 06:32

Foi um fim de semana movimentado no mundo da velocidade. Em vários grandes prêmios os pilotos e as equipes estiveram preocupados com seus resultados, querendo superar seus adversários da forma mais mirabolante possível.

 

Não posso acreditar, na maioria das vezes, nos absurdos que escuto muito menos naquilo que é mostrado e, por mais imponderável que seja, se torne verdade.

 

Vou começar falando da Fórmula Indy que teve sua etapa em Toronto, no Canadá. A prova de rua tem tudo pra ser movimentada, cheia de alternativas e repleta de acidentes e isso tudo junto forma um verdadeiro jogo de xadrez na hora de se prever táticas para vencer. A normalidade em pistas desse tipo faz com que essa categoria tenha um grau a mais de disputa e abre espaço para todos ganharem. Não que falte um favorito nem que não exista uma equipe superior às outras, mas a diferença entre elas é muito menor que a que existe na Fórmula 1, geralmente os favoritos vencem mas não sem antes tomarem um calor dos outros competidores. Foi nesse clima que, apesar da ameaça de chuva, todos largaram pra mais uma etapa e começou a brilhar a estrela do Tony Kanaan. O bom baiano largou em 17º e logo ganhou várias posições, dando um verdadeiro show nas ultrapassagens. E parecia ser o dia dele, foi penalizado, cumpriu um drive-through, caiu várias posições e estava em segundo, colocando o maior calor no Ryan Hunter-Reay quando, do nada, começou a perder rendimento, caiu e subiu e acabou em quarto. 

 

Mas por que isso? O que leva um piloto ter tamanha mudança de rendimento? Segundo as informações vindas dos EUA, em dado momento ele começou a economizar combustível para poder chegar ao fim da prova, e sabe por que? Porque a equipe acreditava em mais uma bandeira amarela e seria suficiente para ele chegar. Mas que catzo de tática é essa? Contar com bandeiras amarelas para ganhar uma corrida ou mesmo chegar ao pódio já se mostrou uma tática pra lá de equivocada. Não seria muito mais fácil ter colocado mais combustível e deixar o Tony atacar e ganhar a corrida?

 

O problema parece ser crônico na equipe KV e sobrou até para o Barrichello. Ele estava em 5º quando, durante uma bandeira amarela na volta 80 ele teve que ir para os boxes e acabou na 11ª posição. Detalhe, a corrida acabava na volta 85!!!! Realmente eu não entendo que estratégia mais maluca é essa, enfim...

 

Na Fórmula 1 aconteceu uma confusão parecida mas com prejuízos menores porque afinal, Alonso é Alonso. As intermináveis e já cansativas trocas de pneus são sempre determinantes para definir os resultados das corridas. É um jogo de xadrez com apenas duas peças, pneus duros e macios, e essa equação geralmente acaba bagunçando a cabeça dos engenheiros.

 

Foi assim no fim de semana do GP da Inglaterra. Depois do dilúvio no treino e da grande possibilidade de chuva, ninguém tinha lá muita certeza do que fazer na corrida. Até aí, muito bom!!! Seria uma verdadeira loteria, uma corrida que prometia ser bem disputada, mas aí entrou ela, a tática. Como não choveu, ninguém quis se arriscar e a corrida foi, até um pouco além da metade, morna. Emoção mesmo só mesmo no final quando a loteria dos pneus definiu as posições de chegada.

 

Poderia ter sido melhor pra Ferrari? Claro que sim! Estava na cara que o pneu macio só ia aguentar algumas voltas, tava na cara que o pneu duro seria muito mais eficiente, tava na cara que, por não treinar no seco e as equipes terem um setup pré-programado da pista deveriam optar pelo normal e, claro, a Ferrari tinha que arriscar menos por estar na frente no campeonato. Deu no que deu, Massa não chegou ao pódio e Alonso perdeu uma vitória certa a quatro voltas do fim.

 

Melhor pra Red Bull, venceu mais uma vez com o Webber no ano, forçando assim uma imediata renovação de contrato com o Australiano e agora ataca com duas frentes o então favorito Fernando Alonso pelo título desse ano.

 

A imagem de Mark Webber no pódio resume o fim de semana: às vezes é preciso pular as táticas mirabolantes para chegar na frente!!

 

 

A gente se encontra na semana que vem!

 

Beijos & queijos

 

 

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