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Colunas do mês de Novembro / 2007  
GNV: Confiar, desconfiando
26/11/2007 - Fernando Calmon
A confusão armada, mais uma vez, pelo governo federal acerca da prioridade de utilização do gás natural veicular (GNV) nada mais é que o resultado de uma crise anunciada. E o pior, erros do passado se repetem. Aconteceu no verão de 1989/1990, quando muitos proprietários de carros a álcool enfrentaram escassez e longas filas de abastecimento. O governo avaliou mal e achava que tinha de cortar os subsídios (na época) para o combustível renovável porque o petróleo estava barato de novo e, na sua adivinhação, não subiria tão cedo.

Só que inexistiam alternativas, como agora, com os motores flex ou os alimentados a GNV. Nestes simplesmente se pode virar uma chave e abastecer com gasolina, embora pagando mais. Faltou, no entanto, certa dose de confiar, desconfiando a todos os agentes envolvidos, porque optar pelo gás significa investimento pesado. Desde o próprio kit que custa de 10% a 20% em média do preço do veículo até o sistema de abastecimento, 10 vezes mais caro.

O governo federal e a própria Petrobrás negam, agora, que tenham estimulado o uso do GNV. Isso não é fato. Surgiram financiamentos facilitados e a BR, subsidiária da estatal, patrocinou por três anos um campeonato de picapes só abastecidas a GNV. Governos estaduais concederam subsídios irracionais no IPVA e distribuidoras de gás encanado, com campanhas publicitárias, também foram fundo. Oficinas de adaptação trataram de vender kits baratos que, muitas vezes, deixam de atender as normas antipoluição em curto prazo. Inspeções de segurança continuam negligenciadas.

As premissas que sustentam o programa brasileiro de GNV são frágeis. Além da infra-estrutura bastante cara, frente ao universo de domínio de combustíveis líquidos, carece de estratégia. O Brasil proíbe o uso de motores diesel em automóveis. A dependência de importação deste produto é de 5%, no gás de 50%. Para concorrer com a gasolina já existe o álcool, menos poluente no balanço final, e que gera muito mais empregos, embora interessados no gás divulguem números fantasiosos de postos de trabalho gerados pelo negócio.

O gás mostra adequação natural em geração termoelétrica e fornos industriais, além do uso comercial e doméstico. A aplicação em automóveis é, tecnicamente, bem ruim: queda forte de desempenho, baixa autonomia, dirigibilidade inferior, sobrecarga mecânica e perda de espaço no porta-malas. Seguro caro e desvalorização do veículo também atrapalham. No caso de escassez atual há um conflito que nem o judiciário pode resolver. Sem o gás há riscos de apagões elétricos ou a alternativa mais poluente — e nem sempre possível — de usar óleo nas térmicas.

Problema maior é o preço. Já não dá para competir com o álcool, mesmo rodando 200 km/dia, onde estão 60% da frota brasileira. O ganho no custo por km rodado é de R$ 4,00/dia, na média do ano, no Estado de São Paulo e outros com preço competitivo. Motorista comum, que dirige 50 km/dia, economizaria R$ 1,00. Em relação à gasolina, ainda há vantagens para quem roda muito, só abastece com GNV e desconsidera um carro capenga. Mas o gás vai aumentar no mínimo 20% e, pelo menos nos próximos dois anos, será usado prioritariamente para gerar eletricidade.

RODA VIVA

CENÁRIO atual de vendas muito fortes — já se fala em mínimo de 15% de crescimento em 2008 sobre base comparativa muita alta em 2007 — tem a ver também com preço relativo. Hoje, se pode adquirir o carro mais barato com 59 salários mínimos. Nos anos 1970, auge da expansão econômica, Fusca custava 55 salários mínimos. Alguns fabricantes trabalham para igualar essa relação. Com novo produto.

RETOQUES no logotipo da Volkswagen estão sendo estudados, como se especula na Europa. Nada muito radical. Maioria dos fabricantes evita grandes mudanças por questão de identidade da marca. Há uma exceção curiosa. Na sua história de mais de 100 anos, a Fiat Automobiles trocou de logotipo 13 vezes, algumas radicalmente. Em média, a cada oito anos um novo logo.

RELAÇÃO preço-benefício do Chevrolet Omega (Holden Commodore) é muito interessante. Por R$ 145.000,00 custa a metade de um Mercedes Classe E ou BMW série 5, oferecendo mais espaço interno. Em desempenho perde por pouco para o primeiro e empata com o segundo. Os três têm tração traseira e quase se igualam em equilíbrio dinâmico, freios e sensação de robustez. Ergonomia é outro ponto alto do australiano.

MODIFICAÇÕES bem-vindas na Ranger 2008: amortecedores traseiros reposicionados e barras estabilizadoras bem dimensionadas melhoram estabilidade em curvas. Nova versão Sport recebeu retoques de acabamento para enfrentar, em preço, picapes pequenas mais caras. Alternativa na faixa de R$ 50.000,00, inclusive relação peso-potência, sem considerar conforto de marcha.

EUROPEUS ficarão ainda mais intolerantes com ruídos de veículos. Vem aí um aperto nos limites. Aqui também houve progressos, mas ruas e estradas esburacadas não ajudam em nada: índices pioram ao longo da vida útil de carros e caminhões.
Estrelas de Cinema
19/11/2007 - Renato Bellote Gomes
O cinema, desde sua invenção, consegue encantar e emocionar platéias no mundo todo. Muitos atores se destacam na interpretação, fazendo parte para sempre de seus personagens, se tornando assim, algumas estrelas nesse pequeno céu. Os automóveis também marcam presença em muitos filmes e seriados de TV, literalmente roubando a cena com suas aparições.

Quem não se lembra do Pontiac Trans Am preto e dourado rasgando as estradas, pilotado por Bandido (Burt Reynolds), que fugia de seu implacável perseguidor, o xerife Rosco, no filme “Agarra-me se puderes”?

Um homem desesperado que atravessa o país para se encontrar com sua esposa grávida. Assim começa o cult “Corrida contra o destino”, refilmado em 1997, com a brilhante atuação de um Dodge “Hemi” Challenger 1971. Todos torceram para que o ex-piloto Kowalsky obtivesse sucesso em sua jornada, com direito a fortes emoções até a cena final.

Suspense e uma trilha sonora da década de 50. Estamos falando de “Christine”, o carro assassino. Com um roteiro nota dez, o filme conta a história de um jovem obcecado por seu primeiro carro. O que ele não sabia é que o Plymouth Belvedere vermelho é um assassino noturno, que corta as ruas em busca de novas vítimas. Circula pela internet um abaixo-assinado pedindo uma seqüência do thriller. Sem dúvida é uma boa idéia.

Mais recentemente, uma moça cheia de caprichos roubou a cena. Seu nome: Eleanor. A “moça” em questão, era o último carro a ser roubado no filme “60 segundos”, estrelado por Nicholas Cage, que atraiu multidões aos cinemas. O carro, um Mustang Shelby, equipado com um kit exclusivo de carroceria, foi a grande estrela do filme. Nos Estados Unidos, a Eleanor é vendida com assinatura do próprio Carroll Shelby no painel. Em São Paulo, a oficina Automotor fabrica o kit, fazendo um trabalho que merece elogios.

Na TV, os carros também se destacaram. O seriado “Super-Máquina” trazia um Trans Am modificado, com mil recursos para combater o crime. Essa série influenciou tantas pessoas, que uma empresa norte-americana transforma os Pontiacs, inclusive instalando o painel digital e a luz dianteira, que sempre mexeu com a imaginação do público. Enquanto isso, diretamente do Havaí, o detetive Magnum arrisca a vida a bordo de sua Ferrari 308, em episódios de tirar o fôlego.

Os irmãos Duke também não deixam por menos, e com o General Lee de número 01, fazem de tudo para defender sua fazenda, no seriado chamado por aqui de “Os gatões”. Por outro lado, um veterano do Vietnã ajuda as pessoas em troca de um favor. Estamos falando da série “Stingray”, que traz como estrela principal o musculoso modelo do Corvette.

E por falar em séries policiais, não podemos esquecer de “Starsky & Hutch”, que a bordo de seu Ford Torino vermelho e branco, transmitem toda a nostalgia da década de 70, com informantes e grandes “banheiras”, queimando borracha pelas ruas de Los Angeles. A Ford lançou também uma série especial do modelo para os fãs da dupla.

Na lista de estrelas, não poderia ficar de fora um pequeno carro que recebe diversos nomes, mas tem uma legião de fãs em todo o planeta. Vocho, Escarabajo, Beetle. Para nós ele é o bom e velho Fusca, chamado carinhosamente de Herbie no clássico “Se meu Fusca falasse”. No filme, o simpático fusquinha com o número 53 na porta, se mete em todo tipo de confusão para proteger seus donos.

Os produtores da década de 80, em especial, utilizaram bastante a temática dos veteranos do Vietnã nas séries de TV. Além de Stingray, temos mais dois seriados que merecem destaque. O primeiro se passa no Havaí. Em meio ao paraíso de belas praias e mulheres, o detetive Magnum, a bordo de uma Ferrari 308 GTS – vermelha, pra variar - desvenda os crimes com a ajuda de seu companheiro e também veterano de guerra TC. Enquanto isso, Coronel Hannibal e sua equipe – incluindo o sisudo B.A. - combatem os inimigos com um furgão GMC, devidamente preparado.

Mas não pense que somente os homens têm o privilégio de dividir o set com essas máquinas. O charme e elegância das mulheres tomaram conta da TV quando o seriado “As panteras” começou a ser exibido. As beldades se metiam em mil e uma enrascadas, e, passamos todo o tempo, tentando adivinhar de quem seria a voz misteriosa de Charlie. O carro das garotas era um Mustang Cobra, que cortava as ruas de Los Angeles.

Se o seu problema é com assombração, é só chamar “Os caça-fantasmas”, um filme de grande sucesso, em parte devido ao monstrinho Geléia e também à perua Cadillac, que armazenava em seu porta-malas os temidos equipamentos com feixes de prótons.

“My name is Bond. James Bond”. Com esse chavão, o agente secreto mais charmoso do cinema defendia a rainha de qualquer ameaça. Para ajudá-lo, carros com milhares de recursos, desde os aristocráticos Aston Martins, até, mais recentemente, esportivos da BMW. E, por falar em agentes britânicos, o irreverente Austin Powers deixou sua marca, a bordo de um Jaguar E-type, devidamente caracterizado.

As motocicletas também não foram esquecidas e têm seu lugar garantido na telinha. O primeiro nome que vem à mente é o do seriado “Chips”, com as eletrizantes aventuras de dois policiais rodoviários – os inesquecíveis Baker e Poncherello – protegendo as ensolaradas estradas da Califórnia, no comando de duas Kawasakis de mil cilindradas. O seriado ganhou até um remake em 1998.

O Brasil não poderia ficar de fora da lista. Com seu Simca Chambord ou com a Harley-Davidson, o “Vigilante Rodoviário” – e seu fiel companheiro Lobo - mantinham os malfeitores bem longe das estradas paulistas. O ator Carlos Miranda até hoje preserva o carro e marca presença em diversos encontros de antigomobilismo.

Atualmente, a maior parte desses seriados e filmes pode ser encontrada em DVD. Sem dúvida, seja através de carros, furgões ou motocicletas, cada personagem tem seu lugar garantido no mundo mágico da sétima arte. Podemos chegar à conclusão que as imagens da tela grande produzem várias estrelas, e, com certeza, uma garagem repleta de sonhos.
Atos Incompatíveis
19/11/2007 - Fernando Calmon
Finalmente, o cerco legal para quem bebe e dirige começa a ficar mais abrangente e instrumentalizado. A sociedade brasileira sempre tendeu a certa permissividade em relação ao teor de álcool no sangue, apesar de todas as estatísticas de acidentes. Muitas pessoas se consideram “resistentes” aos efeitos nocivos da bebida, o que já se comprovou não ser verdade. No Japão, o índice de tolerância é zero. Se alguém for flagrado com algum vestígio na corrente sanguínea, mesmo sem ter-se envolvido em acidente fatal, pode sofrer condenação a 15 anos de prisão. Se houver morte e o motorista tiver um acompanhante no carro, este também vai para a cadeia, por conivência.

Aqui, um dos maiores problemas era a recusa do motorista em se submeter ao teste do bafômetro ou ao exame de sangue porque estaria facilitando provas contra si mesmo. Desde fevereiro de 2006, os policiais de trânsito dispõem de outros recursos de interpretação, previstos em lei, para obter provas e autuar suspeitos de embriaguez. Havia, no entanto, a dificuldade de treinamento dos agentes e até o temor de que não seria possível detectar quem tinha bebido pouco e se achava seguro para dirigir. Afinal, pode-se atingir o limite de 0,6 g/l de álcool no sangue com apenas duas latas de cerveja ou taças de vinho e até uma só dose de aguardente ou uísque.

A regulamentação da nova lei pelo Contran acabou de completar um ano no final do mês passado. Três entidades civis se uniram — Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária), Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), Fundação Mapfre — e produziram um DVD com orientações médicas para fiscalização de condutores de veículos alcoolizados, sem uso do etilômetro (nome técnico do bafômetro). Desde agosto último, já serve como importante instrumento útil de treinamento. Esse esforço deveria partir do governo, mas sua omissão costuma se apresentar como marca registrada.

O vídeo é bastante objetivo e fácil de aplicar. Há mais de 20 indícios descritos com clareza, em quatro grupos: fatores psíquicos e físicos; falhas de memória e de coordenação motora. Essa última deficiência do motorista alcoolizado ou drogado é a mais fácil de avaliar e as imagens orientam com precisão. As falas dos especialistas são simples, porém precisas. Quantos mais agentes de trânsito puderem assistir, mas eficiente será sua atuação em ruas e estradas. Desde que, realmente, exista decisão política de fiscalizar e se mude a mentalidade das pessoas.

Estudo da Faculdade de Medicina da USP mostra que 45% dos mortos no trânsito apresentavam algum teor alcoólico no sangue (destes 40%, motociclistas; 57%, motoristas). Até fabricantes de bebidas, como a John Walker, se engajam em campanhas como Piloto da Vez para preservar um motorista sóbrio num grupo, após encontros sociais. O Senado já aprovou e encaminhou à Câmara Federal um projeto, semelhante à lei paulista vintenária, que proíbe a venda de bebidas com álcool, destiladas ou fermentadas, em postos de combustível e estabelecimentos comerciais ao longo de todas as rodovias do País.

O fim do ano está chegando. Beber e dirigir são atos incompatíveis.

RODA VIVA

NISSAN aprofunda pesquisas para eventual substituição do X-Terra. Ocorrerá a partir do início de 2009, quando começa a se fabricar em São José dos Pinhais (PR) a nova pickup Frontier, hoje importada. Candidato natural seria o X-Trail, utilitário esporte que possui características mais semelhantes ao de automóveis e deve receber atualização de linhas.

SINDIPEÇAS admitiu publicamente em seminário em Caxias do Sul (RS) que a indústria de componentes baterá no teto máximo de fornecimento até o final de 2008. Segundo pesquisa da entidade sobre intenção de novos investimentos, cerca de 80% das empresas decidiram ampliar a produção, boa parte expandindo instalações. Até agora, só havia aumento de produtividade.

BOM momento para importados explica decisão da Volkswagen de oferecer motor V8/32 v, de 350 cv, no Touareg. Os retoques estilísticos, disponíveis desde fevereiro último, se juntaram a mais de 2.000 modificações e novos equipamentos. Basta guiar para concluir: conjunto está no nível de produtos de ponta, da faixa acima de R$ 250.000,00, como seu primo Cayenne, BMW X5 ou Range Rover Sport.

CONGRESSO de Nanotecnologia, realizado semana passada em São Paulo, mostrou que se aprofunda o atraso do Brasil nesse ramo científico de ampla aplicação na indústria automobilística. Governo diz que dispõe de fundos de apoio às pesquisas, mas empresas têm opinião exatamente oposta. Plásticos Mueller e Petrobrás estão entre as que demonstraram atuação ativa.

DURABILIDADE maior é a aposta da Goodyear na nova linha de pneus GPS Duraplus — 13% em relação aos produtos concorrentes de mesmas características, segundo suas avaliações. Empresa acredita que essa é uma diferenciação que os compradores valorizarão bastante, cada vez mais. Trata-se de reflexo de aumentos nas matérias-primas que encareceram muito os pneus nos últimos anos.
A Hora da Decisão
12/11/2007 - Fernando Calmon
Quando um setor produtivo está em crise, fala-se em tentar descobrir o fundo do poço, no jargão econômico. Ainda bem que a situação atual é oposta. Todos os agentes da indústria automobilística estão ansiosos por avistar a beira do poço, ou seja, até onde a borda superior pode chegar para garantir equilíbrio e crescimento sustentável. Sem risco de voltar a cair no buraco e afundar nas incertezas.

Os números atuais não param de surpreender. A produção diária de outubro último — 13.600 unidades — roda no ritmo anualizado para frente de 3,4 milhões de unidades. Praticamente o teto da capacidade nominal instalada de 3,5 milhões. As vendas internas trafegam na faixa superior a 11.000 veículos por dia, um ritmo que, se repetido nos próximos 12 meses, atingiria quase 2,8 milhões de unidades. Se confirmado, colocaria o País como quinto ou sexto maior mercado do mundo já em 2008, saltando de três a quatro posições em relação ao ranking mundial de 2006.

As apostas da indústria para o crescimento no próximo ano variam de acordo com o grau de prudência dos executivos da indústria. No recente Seminário Autodata Perspectivas 2008, o avanço das vendas internas foi previsto entre 8% e 20%. Houve, no entanto, quem avaliasse riscos e possibilidade de se repetir aqui a crise que afeta o mercado secundário de crédito imobiliário americano, com repercussão mundial. Como essa coluna já comentou, o nível de crédito total no Brasil é quase irrelevante — 30% do Produto Interno Bruto (PIB) — frente ao dos EUA (duas vezes o valor do PIB). Além disso, a inadimplência nos financiamentos de automóveis é muito baixa — metade do índice geral —, mantém-se em queda e o cenário de médio prazo, de corte nos juros.

Claro que a tentação de optar por prazos bem longos embute dúvidas. Tanto que pela primeira vez, em anos, as compras à vista caíram para menos de 30% do total. Mas o mercado também se anima com lançamentos. Além de 2007 ter sido um dos melhores — antes do fim do ano ainda chegam Renault Sandero e novo Ford Ka —, 2008 promete ainda mais. As duas marcas que respondem por metade das vendas — Fiat e Volkswagen — terão novidades de peso. A primeira, com o complemento da linha Palio e o Linea (versão sedã do Punto); a segunda renova e amplia a linha Gol. Além de mais de uma dezena de novos e atraentes produtos (Fit e Corolla, por exemplo), inclusive importados. Há tendência dos motores de 1.000 cm³ caírem para menos de metade das preferências (em outubro, 50,3%; há cincos anos, 75%).

Resta saber se a indústria de autopeças tem fôlego para acompanhar esse ritmo. Até agora a importação de componentes ajudou a segurar o tranco, à custa de consumir todo o saldo comercial positivo com o exterior. Desconfia-se, também, que parte do mercado de reposição está sendo menos abastecido. Não devem faltar peças, mas quem precisar talvez demore mais a achar os itens que procura.

A hora da decisão, porém, se aproxima. É necessária uma nova onda de investimentos pesados, em especial por parte dos fornecedores, para aumento de produção. Alguns fabricantes de veículos estão mais ativos, outros ainda algo reticentes. Chegamos à encruzilhada.

RODA VIVA

AUMENTO do emprego na indústria automobilística alcançou 31% desde dezembro de 2003. Pode-se atingir em dezembro o nível de 120.000 pessoas, só na produção final. Ainda assim, se não houvesse queda no número de unidades exportadas e aumento nas importações, faltariam carros nas concessionárias. Estoques estão 30% abaixo do normal.

SEM nenhum alarde, a GM colocou no mercado o Meriva, versão Premium (motor 1,8 litro), com câmbio manual automatizado (CMA), primeiro desse tipo em um carro nacional. Batizado de Easytronic, o CMA produzido pela LUK alemã custa R$ 2.000,00, metade do preço de um automático convencional e gastando menos combustível. De início, à venda apenas em São Paulo e Rio; a partir de janeiro, em todo o País.

ENTRE as qualidades da nova pickup Nissan Frontier estão o motor de maior potência (172 cv) e uma marcha a mais no câmbio (seis, no manual; cinco, no automático). Diminui bem o nível de ruído, principalmente em estrada. Estilo é outro ponto forte: frente igual à do SUV Pathfinder. Importada da Tailândia, preço parte de R$ 112.000,00, o mesmo da futura versão nacional já no início de 2009.

BRASILVEÍCULOS é a primeira seguradora a dispor de uma instalação própria de inspeção técnica veicular de segurança e ambiental. Equipamento israelense Cartest sobre rolos computadorizados, montado no centro de atendimento modelo em Brasília, faz diagnóstico completo em menos de cinco minutos. Inicialmente, o segurado nada paga; haverá descontos no futuro. Terá vantagem de carro certificado.

NOVO pneu Potenza GIII, da Bridgestone, foi além do desenvolvimento em computador para garantir mais aderência, sem aumento do desgaste, com desenho avançado da banda de rodagem. Há aplicação de friso de borracha junto ao talão para proteger pneus e roda de pequenas raspadas no meio-fio.
De Novo em Cena
05/11/2007 - Fernando Calmon
Interessante notar como os carros pequenos evoluem de forma marcante e diferente do mercado europeu, que inspira a quase totalidade dos modelos à venda em toda a gama de oferta. Ao contrário do que ocorre na Europa, onde não há procura por sedãs compactos, aqui estes representam o segundo segmento em importância com 18% do total. Foi justamente nessa faixa que a Fiat colocou a quarta geração do Siena.

Outra diferenciação: a antiga versão continua em produção e representará nada menos que 60% das vendas, algo inimaginável em outros mercados. Na Itália, por exemplo, convivem o velho e o novo Punto, mas o primeiro representa menos de um terço da demanda. Esse fenômeno ainda ocorre no Brasil pela limitação do poder de compra.

Estratégia inteligente da marca italiana foi aprofundar as diferenças entre Palio e Siena. A simplificação do primeiro era necessária para abrir espaço ao Punto. Apesar das críticas — entre outras, faróis de refletor simples menos atrativos do que o de duplo refletor da versão antiga ainda disponível —, o Palio continuou em sua boa trajetória de vendas. Mas o Siena novo não apenas rompeu com o anterior, como representa uma evolução estilística de bom nível e a mais importante desde que foi lançado exatos dez anos atrás. A identidade com o Palio foi amplamente descolada, na mesma direção seguida pela GM entre Celta e Prisma.

Na realidade, tudo se planejou, embora possa parecer que o novo e belo conjunto óptico frontal tenha sido uma resposta aos críticos do Palio. Há que se concordar, porém, sobre a inspiração em outros modelos. A grade frontal segue a escola Audi (no caso, dividida pelo pára-choque), as lanternas traseiras inspiram-se nas do Alfa Romeo e os apliques cromados generosos mostram alguma influência dos automóveis americanos. Nada disso rompeu a harmonia do carro, dentro das restrições estéticas de todos os sedãs compactos e sua limitada distância entre eixos.

O interior evoluiu de modo tímido, embora curiosamente o quadro de instrumentos anterior — e mais bonito — tenha se mantido na versão de topo HLX (apenas 2% das vendas). Entre os itens de série, a Fiat aderiu, afinal, à faixa degradê no pára-brisa, além de regulagem de altura do volante e faróis de neblina. Entre as várias opções destacam-se o sistema de som e o aplaudido pacote de segurança (ABS mais airbags) com desconto de 50%.

Os motores estão à altura, em especial o de 1.400 cm³ de 85/86 cv igual ao do Punto, como a coluna antecipou. No de 1.000 cm³ houve um bom trabalho da engenharia de Betim: aumento de 9 cv na potência (com álcool, agora, 75 cv) aliado à redução (informada) de 9% no consumo. O torque subiu quase 8% (álcool, 9,9 kgf.m). No uso prático, quando avaliado nas ruas de Brasília, o motor de menor cilindrada pouco acrescentou. É inadequado à massa e à proposta do carro, tanto que representará metade do volume previsto em relação ao de 1,4 l. Opção por GNV continua, mas a crise de abastecimento e o preço maior do combustível retirarão competitividade.

O novo Siena será produzido também na fábrica argentina de Córdoba, reaberta para produção de veículos a partir de 2008. A Fiat pretende concentrar em Betim as unidades destinadas ao mercado nacional.

RODA VIVA

PROGRAMA de GNV para carros particulares é decisão populista dos governos, sempre criticada na coluna. Causa da crise atual está no preço muito baixo para um combustível do qual o País depende do exterior. Se tivesse preço compatível com os riscos econômicos e políticos, só atrairia usuários que, de fato, precisam do gás, como taxistas e frotistas.

PARECE surrealista, mas entre previsões que falharam sobre a reação do mercado destaca-se a do Sindipeças, em estudo apresentado em março deste ano. A entidade procurava identificar gargalos de oferta e se preparar para uma produção de 3 milhões de veículos em 2009. Atingiremos a casa de 3 milhões já esse ano. Capacidade de reação superou tudo e todos.

OFERTA de câmbio automático para modelos compactos, por enquanto, está restrita aos Peugeot 206 hatch e station. Aceitação tem sido lenta, mas o carro oferece bastante conforto no pára-e-anda do trânsito. Porém, há alguma demora de resposta ao se pisar fundo no acelerador (kick down). É que o gerenciamento eletrônico está programado para limitar o consumo de combustível. Mais adequado ao usuário europeu.

QUEDA de exportações não atinge igualmente todos os fabricantes, apesar do real valorizado. Fiat venderá até 10% mais unidades no exterior em 2007. Renault vai bem mais longe, com 50% de crescimento. E a Honda não deixa por menos, vendendo fora do País em ritmo 30% superior ao de 2006. Quem dispõe de produto adequado vai bem.

DICA do fabricante Dayco: trocar preventivamente a correia dentada do comando de válvulas ao comprar um carro usado. Além do possível esquecimento do dono anterior, deve se considerar uma possível alteração da quilometragem real do hodômetro, mesmo pequena. Prejuízo é grande, se a correia se romper.
 
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