Veículos à venda
total de
13.475
> Clique aqui
  Sábado, 04 de Fevereiro de 2012 Contato Publicidade Newsletter Adicione aos Favoritos  
  Veículos à venda
  Canais
  Alta Roda
Vencedores e Vencidos
Fernando Calmon
  Tuning & Off-Road
Manobrista
Celso Travassos
Colunas do mês de Outubro / 2007  
Eu e a Preta
30/10/2007 - Celso Travassos
Pois é, sou antigo e pertenço a um – segundo meu filho – Clube de Antigos com Carros e não Clube de Carros Antigos, como querem muitos.

Já falei diversas vezes dos motivos para ter um carro “antigo” ou seja, que me lembre meus idos tempos de adolescente.

Atualmente navego, sim eu disse navego, apesar de, nas Minas Gerais não existirem mares para serem singrados, a bordo de um Opala 1980 com banco dianteiro inteiro e três marchas, “singramos” literalmente as ruas e, pior, sem porto para atracar. Em uma pacata cidade de interior projetada há 307 anos, as ruas não são propriamente para serem atulhadas de veículos movidos a combustível fóssil.

Então, o problema – encontrar um porto livre para atracar o transatlântico, mais precisamente o Titanic – sem direção hidráulica, ar condicionado ou qualquer das modernices que equipam os carros atuais, há muito já me incomodava a situação de sair de casa muito mais cedo que o necessário, para encontrar vaga na praça da igreja da matriz na cidade, ou ter de andar bons quarteirões sob sol escaldante de uma cidade às portas do cerrado brasileiro. Não. Não estou desfazendo de minha jóia, vou continuar com ele. O problema é a praticidade que temos que ter no cotidiano atual.

Com se diz, fiquei em uma sinuca de bico – aquela em que a bola gruda na ponta da mesa e não se tem espaço para uma tacada de defesa.

O socorro veio em uma conversa informal com um primo que também gosta de antiguidades. Conversando na mesa do bar de costume, entre uma gelada e outra, ele me disse:

- Vou vender a preta.

Explico, ele tem duas motocicletas Honda, uma CB 400–1987, preta e uma CB 450–1990, azul. De imediato, me lembrei das voltas que dava em uma CB emprestada por livre e expontânea pressão, por um ex-cunhado. Tratava-se de uma motocicleta macia, de motor forte e ronco grosso...

Fechamos.

Como bons mineiros do interior, no negócio entrou uma mesa de sinuca grande, herdada de meu sogro e que ocupava espaço em casa. O restante veremos depois.

A preta está lá em casa, no quintal e eu me acostumando a usar capacete fechado...
Carro Nosso de Cada Dia
29/10/2007 - Fernando Calmon
O mundo hoje registra uma frota de 900 milhões entre automóveis (80%) e veículos comerciais (picapes, caminhões e ônibus). Em menos de dez anos esse número crescerá para 1,1 bilhão de unidades. A produção mundial anual saltará de 70 milhões de veículos para 94 milhões em 2016. São previsões decorrentes de estudos de pesquisadores internacionais e faz pensar se haverá espaço para tanto carro nas ruas e estradas ou mesmo combustível barato para todos.

A velocidade média no trânsito vem caindo, ano a ano, nas grandes metrópoles, mas nem por isso as frotas tendem a diminuir. Transportes coletivo e individual podem conviver em harmonia, desde que se façam investimentos adequados em planejamento, informação e engenharia — o que não é o caso do Brasil. Afinal, a liberdade pessoal de ir e vir, além do direito de escolha nos deslocamentos próprios, são aspirações universais.

Até agora os desafios tem sido enfrentados e resolvidos com relativo sucesso. Basta verificar que nos últimos 30 anos o consumo de combustíveis por modelo caiu para a metade e as emissões poluentes diminuíram em 98%. Ainda assim, 98% da frota mundial ainda depende totalmente de derivados do petróleo. A meta de poluição zero existe e já há tecnologias bem conhecidas, mas ainda inviáveis economicamente.

Como as preocupações com a qualidade do ar prevalecem, é bom saber que o Brasil tem posição privilegiada. Hoje 44% de toda a energia consumida vem de fontes renováveis, segundo Maurício Tolmaschin, da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), na VII Conferência Internacional Datagro, em São Paulo (SP), semana passada. A média mundial é de 13% e nos países ricos, 6%. Em 2030, o País manterá os 44%. Ainda de acordo com a EPE, a produção de cana-de-açúcar potencializará em 2010 um conteúdo energético (se totalmente aproveitado) equivalente a 2 milhões de barris diários de petróleo, ou seja, o consumo interno naquele ano.

O tema, na ordem do dia, foi motivo de um seminário recente da SAE Brasil sobre propulsão veicular e a nova matriz energética. Por sua importância estratégica, biomassa para obter álcool e biodiesel é, de fato, uma tendência no mundo, mas nada comparável ao avanço aqui obtido. A era do hidrogênio em pilhas a combustível, gerando eletricidade a bordo para um ou mais motores, ainda demora, frente aos custos envolvidos e à dificuldade abastecimento.

Ao longo dos próximos três anos, o que se verá é a evolução dos motores flexíveis mais voltados ao álcool, com progressos nos sistemas de injeção, controle inteligente de válvulas e partida sem gasolina a até 10° C negativos. Mais adiante, é possível que a integração de ciclos Otto e Diesel nos motores HCCI chegue aqui, pois possuem grande afinidade ao álcool, além de consumir gasolina, diesel ou gás. Em 2012 podem ser liberados automóveis a diesel, quando a qualidade do combustível for bem melhor e a nova refinaria de Pernambuco cobrir as necessidades de consumo.

Apesar da importância dos propulsores em relação ao meio ambiente, 80% do resultado final depende da atitude do motorista ao dirigir e do próprio projeto do veículo. Por aí se conclui que, a fim de garantir o carro nosso de cada dia, ainda há um longo caminho a percorrer.

RODA VIVA

BEM que as fábricas desejam um ano de 13 meses. Para aproveitar ao máximo a onda compradora, dezembro também terá lançamento, como é o caso do novo Ford Ka. Antes, este era um mês a evitar para não dividir o interesse do público com as tradicionais festas de fim de ano.

OUSADO é o mínimo que se pode dizer do desenho da nova picape média Mitsubishi L200 Triton. Chamam atenção os faróis recortados pelo capô e o formato das portas traseiras que melhoram o acesso. Outro ponto agradável, o diâmetro de giro de apenas 11,8 m facilita as manobras, algo providencial num veículo de quase 5,1 m de comprimento. Civilizado motor a gasolina de 200 cv também o diferencia da Hilux, principal concorrente.

FREAR o carro, quando a distância ao veículo da frente estiver abaixo do que o radar detectou como margem de segurança, já está disponível em alguns modelos. A Nissan foi além e oferece agora um estágio prévio: gerar uma força para levantar o pedal e induzir o próprio motorista a tirar o pé do acelerador no intuito de diminuir a velocidade.

HONDA comemora 10 anos de produção de automóveis no Brasil. A fábrica de Sumaré (SP) alcançará este ano o nível de 106.000 unidades, 6% acima da capacidade nominal em dois turnos de trabalho. A partir de janeiro os motores também serão produzidos lá, estágio que os japoneses costumam esperar até ter certeza da firmeza do mercado.

SISTEMA eletrônico de alerta de emergência aos demais veículos é a proposta do engenheiro Francisco Meyer. Desenvolvido nos últimos 23 anos por este pesquisador do CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial), idéia se inspirou no dispositivo anticolisão dos aviões. Também permite identificar o veículo para fins de fiscalização. Versão básica custaria cerca de R$ 40,00.
Preços Comportados
22/10/2007 - Fernando Calmon
Um dos aspectos mais surpreendentes dessa fase de euforia de vendas — crescimento recorde de mais de 25% este ano — é que a disputa pela preferência dos compradores continua tão intensa como nos tempos difíceis. São muitas promoções, financiamentos diferenciados, brindes, descontos pontuais, feirões e atenções especiais. Esse cenário poderia levar a uma tentativa dos fabricantes de elevar os preços, mas na grande maioria dos casos não vem ocorrendo. Entre as explicações estão o aumento de escala de produção, a própria concorrência feroz por participação de mercado e o amadurecimento dos atores do processo de comercialização.

Em março último, a Fiat já havia sinalizado a disposição ao lançar a quarta geração do Palio sem nenhum reajuste de preços. Neste caso, algumas simplificações de projeto e a briga por penetração de mercado talvez justificassem a estratégia. Com a chegada da segunda geração do EcoSport, sem aumento na tabela sugerida, a tendência parece consolidada. Mais curioso é o fato de que este produto, na prática, não tem concorrentes diretos desde que foi lançado em 2003. Incluindo modelos importados, a Ford afirma ter alcançado 58% de participação, o que seria uma tentação para dar uma puxada nos preços.

Na realidade, alguma mudança será sentida. Uma série de bônus da fábrica para os concessionários, que permitiu vendas com descontos, estão agora quase eliminados. Os preços convergirão para os sugeridos e começam em R$ 50.000,00. Nas versões mais caras (XLT 2.0 L e 4WD), dois itens antes inexistentes — computador de bordo e controle do áudio na coluna de direção — custam R$ 650,00. O resto não muda, inclusive a política de oferecer o câmbio automático, reservado ao motor de 2 litros, sem acréscimo em relação ao câmbio manual.

A frente nova do EcoSport ficou condizente com a proposta de um utilitário esporte para uso moderado em fora-de-estrada. Há o sutil toque de referência ao que seria um desses terríveis quebra-matos, banidos na maioria dos mercados por questão de segurança. Um avanço ocorreu no nível de acabamento, inclusive de alguns plásticos e revestimentos. O isolamento acústico também melhorou. Os bancos dianteiros melhoram a sustentação lateral, mas para firmar melhor o corpo precisaria de um bom apoio para o pé esquerdo inexistente na arquitetura-base original do Fiesta.

Ajustes nas relações da caixa de câmbio — primeira e segunda marchas mais curtas; quarta e quinta mais longas — deram mais fôlego ao motor de 1,6 litro no uso urbano e em subidas. O consumo de combustível subiu apenas 1% em cidade, segundo o fabricante, compensado por economia de até 3% em estradas. Ficou bom a diminuição de esforço sobre o pedal de freio nas versões com câmbio manual. Mas a modificação poderia ter sido estendida também ao câmbio automático (a Ford alega que o redimensionamento dos freios nesse caso sempre existiu) por questão de conforto.

Finalmente, uma curiosidade. O EcoSport deve ser o único modelo nacional a vender mais no exterior (195.000 unidades acumuladas) do que internamente (180.000 unidades) desde o lançamento. A proporção agora tende a se inverter, mas a procura nos mercados externos continua firme, apesar dos preços em dólar reajustados.

RODA VIVA

DENTRO de no máximo 18 meses, segundo fonte argentina, a primeira pickup média da Volkswagen (cabines simples e dupla) estará no mercado — a fábrica sinaliza 2009. O país vizinho tem um mercado de pickups desse porte relativamente mais forte que o Brasil (Hilux e Ranger, produzidas lá). A Fiat fabricará em Córdoba um modelo Tata, mas cronograma estaria atrasado.

CÂMBIO manual automatizado de duplo acoplamento — passagens de marchas super-rápidas — começa a atrair outros fabricantes. VW e Audi foram pioneiras, mas a Ford adotou o mesmo sistema no novo Focus, além de Mitsubishi (Lancer Evo) e BMW (M3). Desempenho excepcional e consumo de combustível contido são as principais vantagens, entre outras.

ESTILO pode não ser o ponto alto, mas o Nissan Tiida — mexicano, sem imposto de importação — tem outras qualidades. Este hatch médio-compacto (arquitetura do Renault Modus) passa sensação de robustez e possui motor com ótimas respostas, tanto com câmbio manual como automático. Bancos dianteiros são largos, pois comandos de altura e inclinação não ficam junto às portas.

ACABA de ser fundada a Câmara Setorial das Empresas de Monitoramento e Rastreamento de Veículos. Ainda inseguras sobre como será o futuro sistema antifurto de veículos, obrigatório a partir de 1 de agosto de 2009 para veículos nacionais e importados, pretendem manter um diálogo com o Denatran. Ainda há dúvidas sobre a operacionalidade, inclusive da indústria automobilística.

CORREÇÃO: Fenauto (Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores) comemorou, antes da hora, eventual fim das chamadas multas-fantasma que aparecem por falha de cobrança. Projeto de lei ainda tramita por comissões na Câmara dos Deputados e foi aprovada em apenas uma delas.
Clássicos no Videogame
18/10/2007 - Renato Bellote Gomes
Os jogos de videogame tiveram um desenvolvimento fantástico nos últimos anos. Desde o antigo Atari até os modernos Playstation 2 e X-Box, a tecnologia virtual atingiu um nível considerável.

Vou falar um pouco, de maneira especial, dos jogos que envolvem automóveis, os chamados simuladores de corrida. Na história desse tipo de estilo, o pessoal de vinte e poucos anos vai se lembrar, com saudade, do “Enduro”, um precursor e grande sucesso do Atari.

Alguns anos – e milhões de dólares – depois, chegaram jogos mais modernos ao mercado, onde a interação entre usuário e máquina é bem maior. Entre as novidades, nosso escolhido foi o Gran Turismo 4, desenvolvido para Playstation 2, e, atualmente, um dos mais bem-sucedidos do mundo.

Estão disponíveis mais de setecentos carros, além de pistas que levam o jogador a locais históricos, como Nürburgring e seu traçado original de 20,8 quilômetros. A riqueza de detalhes é impressionante e até mesmo as ondulações do asfalto estão presentes.

Mas a boa notícia para os antigomobilistas aparece quando se acessa o menu de carros. A novidade ficou por conta do extenso catálogo de clássicos que o jogador pode escolher para dar uma voltinha.

Começando pela terra do sol nascente, temos alguns esportivos que fizeram história, como o Toyota 2000 GT (1967), o conversível Honda S600 e o “samurai” Nissan 240Z. Os pequenos não ficaram de fora, com destaque para o Honda Z e Subaru 360.

Chegando ao velho continente, as opções aumentam de forma considerável, com veículos mais conhecidos. Que tal dar uma acelerada no Jaguar E-type e escolher entre dezessete cores originais de época? Ou sentir fortes emoções a bordo do AC – cria de Carroll Shelby – e seus 485 cavalos de potência?

Se você prefere o charme italiano, confira os detalhes das macchinas Spider e Giulia, com seu “rosso” marcante. Quem tem sangue quente, “pilota” o Lancia Stratos, nas versões de rua ou rali.

Seguindo em direção à França, um Renault Alpine nos espera. Classe e estilo de sobra também para aqueles que optarem pelo Citroën 2CV, um verdadeiro marco francês.

Já que estamos na Europa, uma visita à Alemanha é fundamental. Fusca – com seu ronco característico – Karmann-Ghia e o Golf GTI de primeira geração – um sucesso de vendas – são boas opções. Um Mercedes-Benz 300 SL “asa de gaivota” nos aguarda imponente e o clássico BMW 2002 Turbo também marca presença. Isso sem falar do Auto Union V16, recordista mundial de velocidade.

Treze carros até agora. Mas não pense que acabou. Nos Estados Unidos iremos encontrar um verdadeiro paraíso pra quem aprecia os legítimos big blocks, donos das estradas durante as décadas de 60 e 70 e devoradores insaciáveis de combustível.

Mustang GT 350, Chevelle SS, Camaro Z-28, Mecury Cougar e Pontiac GTO – o primeiro muscle car – só pra começar a diversão. A Mopar, por sua vez, está presente com o Plymouth Superbird, Dodge Charger R/T, Barracuda – com Six Pack e tudo – e Charger Super Bee – equipado com o lendário motor Hemi, que “embaralha” a cada estocada no botão-acelerador.

Perdeu o fôlego? Então respire fundo e continue lendo o texto. O Corvette está disponível em sua primeira versão de 1954, além dos clássicos Stingrays de 1963 – Split Window – e de 1969. Para fechar o parágrafo, a mitológica Chaparral aparece com dois belos – e velozes – exemplares.

Além de admirar e pisar fundo com todos esses modelos, o jogador ainda pode fotografar as máquinas – paradas ou em ação – e depois passar as imagens para o computador através de um simples pen drive. Incrível.

A fotografia, aliás, foi levada a sério pelos produtores. Existem mais de dez cenários diferentes, que vão desde um mercado de peixe até a noite de Nova York, passando pela histórica cidade de Veneza. Só faltou mesmo colocar minha placa preta.

Ficou animado com o jogo? Alguns desses carros podem ser comprados com o dinheiro ganho nas corridas e outros aparecem como premiação em determinadas provas. De qualquer modo, a Polyphony caprichou no desenvolvimento. Quem sabe eles não fazem uma visitinha ao Brasil e resolvem colocar nossos esportivos no menu principal, tais como Puma, SP-2 e Uirapuru? Sonhar não custa nada.
Tormento Chinês
15/10/2007 - Fernando Calmon
Até que ponto a ameaça de invasão de veículos da China é real? Sem dúvida, o mercado brasileiro tornou-se muito atrativo. Agora, é comum se referir ao crescimento das vendas este ano a taxas chinesas. E não se trata de força de expressão. Tanto o Brasil como a China vão acelerar as vendas em mais de 25% em 2007. Como a Argentina também está nesse patamar — o que fortalece bastante o Mercosul —, é natural atrair as atenções de países que desejam presença destacada na região. Afinal, serão vendidas três milhões de unidades e toda a América do Sul não ficará tão longe de quatro milhões.

A China alcançará este ano um mercado interno de 9 milhões de veículos, três vezes superior ao Mercosul. Significa que a escala de produção se aproxima rapidamente dos dois maiores produtores mundiais, EUA e Japão. Na realidade, ambos serão ultrapassados até 2010. Estudos da consultoria Global Insight projetam que até 2012 as fábricas chinesas espantarão ainda mais o mundo, com 14 milhões de produção anual. Como referência, se tudo der certo, o Brasil estará no mesmo ano atingindo os 5 milhões e a Argentina beirando um milhão.

Nesse nível de produção o Mercosul reúne boas chances de encarar os chineses. Em primeiro lugar, porque as barreiras tarifárias vão cair de forma lenta e negociada. Em qualidade é improvável que marcas de origem puramente chinesa, como Chery, Geely, Changhe, Changan e outras, consigam grandes progressos antes de 2010. Depois, o perigo aumenta, em especial quando a Chery concluir o projeto recém-anunciado e passar a exportar carros compactos para os EUA com a marca Chrysler. A Chery vai adquirir conhecimento técnico e alcançará escala produtiva para oferecer preço competitivo, atendendo normas rígidas de segurança e emissões.

A Chery também pretende produzir no Uruguai, em associação com o grupo do argentino Francisco Macri. O brasileiro Eduardo Effa, experiente em negócios uruguaios anteriores, está mais perto de iniciar, no começo de 2008, a montagem do subcompacto M100, da Changhe. Ambos apostam na exportação para o Brasil sem impostos pela regras do Mercosul. Mas existe uma cota anual de apenas 20.000 unidades e um cronograma apertado de nacionalização a cumprir.

O M100, primeiro automóvel chinês a estrear no Brasil, começa a ser vendido antes do final do ano. Por R$ 23.000,00, com ar-condicionado e vidros elétricos, tem preço excelente, mas o motor desenvolve apenas 47 cv e não há direção assistida. A Chery comercializará o subcompacto QQ nesta faixa de preço e o pequeno SUV Tiggo, um pouco mais caro. A Chana, já à venda há três meses, só exporta uma gama de utilização comercial. Os preços são bons, mas não tão baixos por causa do imposto de importação de 35%.

Deverão conquistar espaço aos poucos. A vida, porém, será difícil. Formar uma rede bem treinada de vendas e assistência técnica, estocar e enviar peças de reposição, além de enfrentar logística cara e demorada entre Ásia e Américas são algumas das dificuldades. No campo do carro pequeno e barato, a engenharia brasileira tem especialização e haverá escala produtiva. Carro chinês merece respeito, sem meter medo.

RODA VIVA

ALÉM de pequenas mudanças em faróis, grade e pára-choques, Citroën C3 que chega em meados de 2008, como modelo 2009, será igual ao modelo francês atual também no interior. Há novas saídas de ar e quadro de instrumentos um pouco mais largo melhora a leitura. Será precedido do Peugeot 206 com a mesma cara, mas sem dimensões generosas do 207.

BRASIL aparecerá melhor no ranking de motorização dos países. Como o recenseamento mostrou que somos 183 milhões e não 186 milhões, e a frota dará um bom salto com as vendas de 2007, atingiremos outra marca recorde: 6,5 habitantes/veículo. Quase empate com o índice 6 da Argentina e bem perto do México, que tem 5,5 habitantes/veículo.

LINHAS harmoniosas e suspensão bem calibrada fazem da Peugeot 307 SW uma station bonita e agradável de dirigir. Tem 10 cm a mais de entreeixos que o hatch, ampliando o conforto para as pernas atrás. Porta-malas: 562 litros (dado de fábrica). Grande teto solar amplia sensação de espaço interno. Vidro pesa mais que chapa de aço e aumenta massa total, mas o motor de 2 litros/143 cv (em breve, flex) dá conta do recado.

MAIS um especialista chamou a atenção: Brasil está à frente na tecnologia de biocombustíveis, em especial etanol. No entanto, João Furtado, da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo, lembrou que EUA e Japão estão investindo muito e podem tirar essa diferença. Tema de sua palestra na Enerbio, conferência internacional realizada em Brasília.

FEDERAÇÃO Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) aplaudiu a lei — a sancionar — que obriga órgãos de trânsito a divulgar as multas aplicadas, em portais da Internet, até sete dias depois. O que a Fenauto chama de multa “fantasma” deixaria de ser herdada por quem compra um carro usado. Desde, é claro, que nova multa não consiga escapar desse filtro semanal.
O Fórum Correto
08/10/2007 - Fernando Calmon
Seminários e simpósios técnicos têm-se multiplicado nos últimos meses como reflexo do ambiente de grande otimismo por que passa o mercado interno. A Anfavea acaba de divulgar sua terceira revisão dos números para este ano. Já existe a certeza de que as vendas (veículos nacionais e importados) vão crescer nada menos de 25%, talvez um pouco mais, dependendo do número de horas extras possíveis de contratar na cadeia de produção. Este cenário parece se estender aos próximos anos — em ritmo mais baixo. A escala produtiva na faixa de 5 milhões em 2012 — este ano quase 3 milhões — pode mudar aspectos importantes, como a velocidade de atualização dos automóveis e, em especial, o nível de segurança.

Embora corressem indícios de que muita coisa mudaria nos próximos anos, o recente Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea), em São Paulo, foi o fórum correto e discreto para a divulgação de certos temas. Não à toa que o vice-presidente de Engenharia de Produtos da GM para a América Latina, Pedro Manuchakian, admitiu que até 2012 os airbags frontais equiparão todos os automóveis aqui produzidos. Há um prazo adicional de dois anos para os modelos hoje em linha. A nova regulamentação não impõe a escolha tecnológica, mas é justamente a grande escala de produção que viabilizará os airbags.

Manuchakian, em sua palestra no simpósio que a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) organiza bienalmente pela 15ª vez, mostrou que os custos não podem se afastar da realidade dos mercados. Tanto que é possível comprar carros com até 10 airbags no exterior. E aproveitou para mostrar um novo tipo de airbag para os pés — espécie de carpete inflável — que ainda está em estudos em universidades e fornecedores, para atenuar ferimentos nos membros inferiores.

Preocupa é o fato de que, antes da adoção do airbag, inexiste fiscalização dos fabricantes de cintos de segurança. Estudo da Universidade de Campinas demonstrou que entre 10 modelos escolhidos aleatoriamente em lojas de autopeças, apenas um foi aprovado em avaliações de eficiência. E essa situação se repete em vários outros itens de segurança, formando um quadro surrealista.

Uma iniciativa importante da AEA foi mais bem divulgada no Simea. Trata-se do Programa Combustível Automotivo, inspirado no Auto Oil, iniciado no exterior na década de 1990. O organograma proposto coloca a entidade, ministérios e a agência reguladora (ANP) para discussões em alto nível com órgãos ambientais e tecnológicos, fabricantes de veículos e componentes, além dos fornecedores de combustíveis.

Se esse programa já existisse, talvez não ocorressem as divergências que atrasaram as definições sobre a qualidade do diesel e vão se refletir na etapa de controle da poluição a se iniciar em janeiro de 2009. A Petrobras admitiu que só terá como produzir cerca de 10% do diesel com 50 ppm de enxofre, embora estudos ambientais indiquem que outras regiões metropolitanas, além da capital paulista, também apresentem problemas de qualidade do ar. Ainda há sugestões de adiamento da data, o que deixa perplexos os fabricantes de picapes, caminhões e ônibus que precisam mudar motores e catalisadores.

RODA VIVA

FORAM vendidos em cada dia útil de setembro 10.738 veículos, um novo recorde absoluto no mercado brasileiro, ou 35% mais que em setembro de 2006. No acumulado do ano, o ritmo é um pouco menor, mas atinge 27%. Se anualizado, o nível de vendas diárias de setembro se aproxima de 2,6 milhões de unidades. Bom indicador de que o mercado, em 2008, crescerá no mínimo 10%.

TAMBÉM caiu em dois pontos percentuais a participação dos motores de 1.000 cm³ no mercado de automóveis no mês passado. Tendência deve se ampliar. A Volkswagen, finalmente, vai oferecer o motor de 1.400 cm³ no Fox no próximo ano, além do novo Gol. E a GM trabalha em modificações no motor de 1,4 litro para equipar o Meriva. Tal tamanho de motor atrai compradores acima e abaixo dessa faixa.

EXPERIÊNCIA única é guiar no dia-a-dia o novo Audi A3 Sportback. Mais empolgante que o motor de 2 litros/200 cv com turbo e injeção direta, o câmbio manual automatizado de duplo acoplamento se apresenta como estado-da-arte no prazer de dirigir. As trocas são mais rápidas do que no câmbio manual comum. E as seis marchas engatam com máxima suavidade, incluindo aceleração intermediária nas reduções.

AINDA bem que espírito de preservar o passado continua sendo regra para os fabricantes de veículos. Ao reinaugurar a loja de exposição Citroën na Champs-Élysées, mais famosa avenida em toda a Europa, três dos oito modelos são ícones da história: 11 Traction Avant, 2 CV e DS. Reforma do local durou 42 meses e o impacto visual impressiona pela arquitetura ultramoderna.

CITROËN não possui museu aberto ao público na França. Mas seu conservatório guarda e recupera mais de 300 modelos e um rico arquivo. Está lá, por exemplo, meio escondido, o primeiro sedã com portão traseiro (hatch) do mundo: o 11 Traction Avant Commerciale, 1936.
Melhor Bola de Cristal
01/10/2007 - Fernando Calmon
A Anfavea, finalmente, divulgou o estudo sobre a competitividade da indústria automobilística no Brasil. Baseado em pesquisas e relatório preparado pela consultoria PriceWaterhouse&Coopers (PWC), a associação já encaminhou ao governo federal as sugestões para tentar alterar o quadro atual e as perspectivas para os próximos anos.

Como o estudo demorou a ser concluído, algumas premissas provavelmente foram superadas pela rápida virada do mercado interno brasileiro, que tem surpreendido os mais otimistas analistas do setor. Segundo a PWC, o Brasil já está perdendo investimentos para Índia, China e Rússia (nessa ordem) e até para o México, de acordo com intenções anunciadas por fabricantes e governos em 2006.

O relatório apontou que o acréscimo de produção de veículos no mundo seria de 12,6 milhões de unidades até 2012, enquanto a capacidade instalada subiria um pouco menos, 10,7 milhões. Os quatro países que iriam liderar os investimentos para aumento de capacidade seriam: Índia, 2, 7 milhões de veículos; China, 2, 4 milhões; Rússia, 1,6 milhão e México, 1, 4 milhão. O Brasil contribuiria com apenas 0,5 milhão, atrás, por exemplo, da Eslováquia, que poderia incrementar 0,8 milhão nos próximos cinco anos.

Mas a realidade pode ter mudado bastante. No México, extremamente dependente do mercado americano, o tempo passa e os investimentos não saem do papel. A fraqueza das vendas internas mexicanas também não ajuda nem um pouco. Outros analistas questionam o real potencial indiano, até por problemas culturais. A Rússia, pelo contrário, aparece mesmo como bola da vez, apesar dos percalços do passado.

Ocorre que apenas este ano o mercado interno brasileiro deve crescer em 450.000 unidades. No recente simpósio sobre tendências e inovação no setor, realizado pela SAE Brasil, em São Paulo, as previsões indicaram que as vendas de veículos devem crescer de 1,5 a 2 vezes mais que o ritmo da economia, ou seja, cerca de 10% ao ano. Portanto, até 2012, se o Brasil não acrescentar no mínimo 2 milhões à atual capacidade de 3,5 milhões, só poderá atender a demanda mediante forte aumento de importações, o que parece bastante improvável pelo cenário atual e situações do passado.

A PWC destacou a perda de competitividade das exportações brasileiras de veículos (chegou a 35% da produção total há dois anos; agora, 27%), sem colocar culpa exclusivamente na valorização cambial do real. Para a Anfavea, infra-estrutura insuficiente e carga tributária têm sido os principais inibidores das exportações. Observadores atentos acrescentariam o superaquecimento repentino do mercado interno. Fica mais fácil vender aqui mesmo.

Que a competitividade brasileira precisa continuar crescendo, não há dúvida. Mas o grau de avanço previsível e necessário, ligado ao crescimento da produção e aos investimentos, é que parece ter escapado à fotografia do momento estudado pela PWC. Se for para escolher quem possui a melhor bola de cristal para prever o futuro, a da consultoria Booz Allen Hamilton parece ser a menos embaçada. Conforme citado no simpósio referido, nos próximos anos o Brasil subiria de nono para sétimo produtor mundial de veículos.

RODA VIVA

GRUPO Caoa confirmou o que se esperava. Hyundai Tucson será produzido em Anápolis (GO) “em breve”, conforme publicado discretamente num canto de anúncio de página inteira nos jornais. A escolha era natural, pois esse utilitário esporte é o importado mais vendido no momento. A coluna antecipa: lançamento no segundo semestre de 2008.

CÂMBIO automático em carros de preço mais baixo é uma opção que ainda demora a pegar no Brasil. Apesar de a Ford oferecê-lo sem custo adicional, só 10% dos compradores do EcoSport de motor 2 litros aceitaram. A Volkswagen dispõe agora do Golf com a inédita opção (entre os nacionais) de automático de seis marchas. Também não deve passar de 10% das preferências. E ainda vem o Stilo automático agora em outubro.

AVALIAÇÃO comparativa entre dois Puntos, um com motor de 1,4 litro e outro de 1,8 litro, mostra que a primeira opção não é a ideal para a massa do carro, nem à sua imagem de esportividade. Ao se exigir mais do hatch premium, a diferença de consumo proporcionalmente manteve-se dentro do esperado. Ainda assim, a faixa de preço pesa na escolha do consumidor. Caberia à Fiat balancear melhor a política comercial.

CONSTRUIR no Brasil primeira fábrica fora de seu país de origem é um marco que vai além da Toyota. A Eaton, produtora de válvulas de motores e caixas de câmbios, comemora agora 50 anos no País. Em 1957, quando se instalou em São José dos Campos (SP), também foi o primeiro investimento da empresa em instalações industriais fora dos EUA.

ALGUMAS oficinas insistem em fazer limpeza “preventiva” de válvulas injetoras (bicos), mas a Bosch, maior fabricante mundial de autopeças, desautoriza. Mesmo que a peça tenha aspecto externo de acúmulo de sujeira, continua a funcionar perfeitamente bem. São muito raros os casos de necessidade de intervenção desse tipo. Retirar e recolocar os bicos, sem os devidos cuidados, pode danificá-los de forma definitiva.
 
    Nome
    E-mail

 
 Copyright © - 2006 Politica de Privacidade