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O Batmóvel Alemão
03/10/2006 - Renato Bellote Gomes
Nos quadrinhos ou nas telas de cinema, o homem-morcego combate o crime na sombria Gotham City a bordo de um veículo equipado com mil e um recursos. Se o milionário Bruce Wayne fosse mudar de carro, certamente, escolheria um modelo da BWW conhecido pela fúria e desempenho nas pistas: o 3.0 CSL.
Mas a história desse mito começou muito tempo antes, no ano de 1966. O belo cupê – chamado de 2000 CS – vinha carregado de estilo, mas pecava pela falta de potência do motor de quatro cilindros. O consumidor desejava mais do que uma bela carroceria.
Dois anos depois, a marca bávara apresentava um outro cupê, com formas harmoniosas e mais desempenho. O 2800 CS representava a competência germânica, com um motor de seis cilindros em linha, 2.788 cm³ e 170 cavalos, projetado por Alex von Falkenhausen. O comprador podia escolher entre o câmbio manual de quatro velocidades ou o automático ZF, de três.
O modelo causou sensação em toda a imprensa especializada. A revista norte-americana Road & Track classificou-o como “umas das melhores opções de compra”. O folheto publicitário, por sua vez, dizia simplesmente: “Status automático”.
No início da década de 70, a empresa lançou mais um trunfo no mercado. O cupê – renomeado para 3.0 CS – recebia um motor mais potente, com 2.985 cm³ e 180 cavalos. A segurança não foi esquecida e o veículo era equipado com freios a disco nas quatro rodas. O acabamento também foi outro de seus predicados.
Enquanto isso, nas oficinas da Baviera, um “monstro” estava sendo criado. O 3.0 CSL – com utilização de alumínio na carroceria para redução de peso – marcaria para sempre a história do automobilismo europeu. Com um motor de 3153 cm³, o bólido despejava 340 cavalos de potência, com um torque igualmente brutal.
No ano de 1973, a preocupação dos pilotos era a falta de estabilidade, causada pelas ondulações na pista. Por esse motivo, os engenheiros desenvolveram um kit aerodinâmico que não só daria um aspecto “musculoso” ao modelo, como também o manteria colado, literalmente, no asfalto. Nascia ali o temido “batmóvel”, que contaria com um propulsor de 430 cavalos no ano seguinte.
As vitórias não tardaram a chegar. Seriam cinco campeonatos consecutivos na Europa. Nos Estados Unidos, não havia concorrentes para ele em sua categoria. O alemão voava baixo e a equipe BMW faturou quase todas as provas da liga IMSA em 1975. No ano seguinte, surgiu o mais potente dos CSL já construídos, com duas turbinas e nada menos do que 750 cavalos, cruzando a reta de Le Mans a mais de 280 km/h.
Vale lembrar que para a homologação do carro de pista, a BMW lançou também a versão de rua. Nesta, o modelo contava com 200 cavalos de potência e um visual bem característico, com adoção de bancos esportivos e rodas de tala larga.
Além de se destacar nas corridas, o bólido também serviu de tela para a pintura de artistas plásticos consagrados. O primeiro, em 1975, ficou marcado pelo colorido de Alexander Calder. No ano seguinte, Frank Stella deu o toque de genialidade, com uma combinação única de preto e branco.
O carro saiu de cena em meados da década de 70. Um veículo esportivo, mecanicamente perfeito e, ainda por cima, imbatível nas pistas. Três fatores que explicam porque se tornou uma verdadeira obra de arte.
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