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Colunas do mês de Setembro / 2009  
Polêmica em Vão
29/09/2009 - Fernando Calmon
Ecologistas costumam ter posições apaixonadas, tendentes ao exagero e, às vezes, radicalizam. Partindo da premissa, não surpreende o fato de o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ter decidido divulgar dados de emissões dos veículos produzidos no Brasil, além de criar um ranking próprio e atribuir a chamada Nota Verde. Até aí nada de errado, salvo que dados de homologação e não os de produção, apontados pelo MMA, deveriam ter sido considerados. Simplesmente porque na homologação projetam-se os números para os primeiros 80.000 quilômetros de uso, considerando variações de produção, fase de ajuste natural dos motores e desgastes futuros.

Também fica difícil entender porque o MMA decidiu criar a Nota Verde para propulsores que não são mais produzidos desde 1º de janeiro deste ano. Afinal, se já vigora a fase L5 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), cumprido com pioneirismo e sucesso desde 1988, qual a utilidade de divulgar a L4 encerrada em 31 de dezembro de 2008?

Em terceiro lugar, não se comparou o quanto os motores estão abaixo dos limites autorizados por lei. Os automóveis de hoje, a etanol ou a gasolina, emitem menos da metade dos principais poluentes da fase L6 prevista para 1º de janeiro de 2014. Índices do letal monóxido de carbono (CO), por exemplo, são desprezíveis.

Embora sem intenção do MMA, ocorreram discussões inúteis sobre alguns motores flex a gasolina que fracionalmente apresentaram melhores resultados em comparação ao etanol. No campo técnico, desconsiderou-se que etanol não é hidrocarboneto e sua reatividade na atmosfera (precursor do ozônio em combinação com NOx, os óxidos de nitrogênio) torna-se mínima em relação à gasolina. Etanol também não emite benzeno, nem óxidos de enxofre.

Ciclos de teste da legislação brasileira, além de mais severos que os europeus, impõem uma fase fria relativamente longa, penalizando mais o etanol do que a gasolina. Basta checar os resultados de emissões na inspeção ambiental em São Paulo, com motores já aquecidos, para ver resultados favoráveis ao combustível vegetal.

Ranquear poluentes tóxicos, hoje em dia, perdeu sentido, mesmo no exterior. Há tantos avanços que até motores “sujos” como os a diesel, por meio de “muletas tecnológicas” e altíssimo custo, conseguem diminuir particulados e NOx.

As preocupações atuais centram-se no dióxido de carbono (CO2), um dos gases que aquecem o planeta. Para esse não existem filtros, nem catalisadores. O controle é pela diminuição do consumo ou utilização de biocombustíveis eficientes no sequestro do dióxido, caso do etanol de cana-de-açúcar.

A bem da justiça, divulgar emissões de CO2 dos motores a gasolina, inclusive com ajuste a menor pelos 25% de conteúdo de etanol, foi o único passo certo do MMA. Aqui, praticamente, se anula a vantagem que o diesel apresenta na Europa sobre a gasolina quanto a possíveis mudanças climáticas.

Também restou que os motores flex precisam ser mais acertados para etanol do que gasolina, como sempre a coluna defendeu. Ao contrário do que a indústria – com algumas exceções – tem feito em seis anos, pensando apenas nos resultados financeiros.

RODA VIVA

MEADOS deste outubro, data em que os principais executivos da Hyundai vêm ao Brasil anunciar o início das obras da fábrica em Piracicaba (SP). Investimento, em torno de US$ 700 milhões, é integralmente sul-coreano. O compacto a ser produzido está em fase final de desenvolvimento, específico para países emergentes. Tática igual à decidida pela Toyota em 2007.
MITSUBISHI também confirma três novos produtos feitos em Catalão (GO), o primeiro para dentro de um ano. Um deles será um automóvel, os outros na linha de utilitários. Nesse caso os investimentos são do Grupo Souza Ramos (GSR) e naturalmente de menor porte. O GSR, no entanto, aplicou US$ 50 milhões na terceira geração do TR4, que quase não mudou desde 2002.
QUANTO ao novo TR4 só o teto permaneceu. Grade, capô, faróis, lanternas, para-choques, para-lamas, portas, coluna D, racks e tampa traseira receberam alterações, além de renovação interna. Interessante: saídas de ar (funcionais) nos para-lamas. Dirigibilidade no fora de estrada continua boa, pouco menos no asfalto. Motor flex ganhou em torque e potência graças à taxa de compressão.
DESAFIO de preparar de superfícies plásticas para reparação foi vencido graças à nanotecnologia (reordenamento de estruturas moleculares), segundo a PPG, fabricante de tintas e derivados. Maior problema estava na aderência do produto, nos consertos de para-choques e tipos de para-lamas e tampas traseiras. Chama-se One Choice.
VOLVO Caminhões lançou uma das campanhas mais criativas da recém-encerrada Semana Nacional do Trânsito. Inclui um jogo pela internet baseado no conceito de autofiscalização. Em www.volvo.com.br/transito é possível testar efeitos de diferentes dosagens alcoólicas na capacidade de controle do veiculo. Útil e divertido.
Motociclistas e Suas Motos no 9° Abraçando o RS
24/09/2009 - Gisele Flores e Jaime Nazário
Durante a 9ª Edição do Abraçando Rio Grande, que aconteceu nos dias 19 e 20 de setembro, Gisele Flores, da equipe da Sobremotos.com, registrou a paixão, a felicidade e o orgulho de cada motociclista.

Uma galeria de fotos especialmente montada com momentos que ficaram intitulados como “Eu e Minha Moto”.

Nesta galeria, todos poderão ver de perto a paixão por este universo de duas rodas, o orgulho de mostrar suas máquinas como se estas fossem como rebentos, cada uma com sua personalidade: umas mais esportivas, umas mais estradeiras, outras mais fora de estrada, algumas com até três rodas e cada uma com um detalhe especial que registra que aquela moto tem dono e tem carinho.

Nestes registro se percebe a amizade entre o homem e a máquina, a felicidade de estar descobrindo novos caminhos e novas pessoas que também tem o mesmo gosto.

Veja quem foi clicado e se apaixone também por este universo.

Este ano a Motoryama foi à patrocinadora principal do evento e ofereceu dois cafés da manhã para os participantes da 9ª Edição do Abraçando o Rio Grande, além de oferecer descontos especiais em sua boutique.

Roteiro da 9 ª Edição:

Saída - 9h - Porto Alegre na Motoryama da Farrapos.

Almoço do dia 19 - Cidade de São Sepé.
Pernoite - Cidade de Rosário do Sul

Dia 20 de Setembro:

Trajeto: Rosário do Sul à cidade de Candelária - Almoço e após retorno a Porto Alegre.
Apoio: STV, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual, Brigada Militar, Prefeituras Municipais das cidades visitadas, Motul, Chronnos e MCA Alforges, AMO-RS e FGM.
Hora da Guinada?
23/09/2009 - Fernando Calmon
O Salão de Frankfurt deste ano perdeu parte do seu brilho ainda em função da crise financeira mundial. Embora a situação tenha começado a melhorar, a exposição fecha as portas no dia 27 com 30% menos expositores (Nissan, Honda, Mitsubishi, entre outras, ficaram de fora) e público 25% menor. De qualquer modo, houve umas 30 estreias mundiais dignas de nota, a maioria antecipada pelos próprios fabricantes para ganhar espaço na mídia.

Contraste chocante foi a invasão de carros ou soluções elétricas em contraponto aos vários superesportivos, estes previstos nos planos de produção e intocáveis. Enquanto os elétricos atraem curiosos, os holofotes e o interesse do público se concentraram em uma sequência de novidades como poucas vezes de se viu nos salões. Estrearam o Ferrari 458 Italia (com traços futuristas inesperados), o Mercedes-Benz SLS (resgatando portas pivotadas no teto), o Porsche 911 Turbo (e sua estonteante capacidade de aceleração), o McLaren MP4-12C (produção só em 2011) e o Aston Martin Rapide (sedã-cupê de alto desempenho), só para citar alguns.

Mesmo entre os elétricos surgiram extremos de criatividade. Peugeot apresentou o exótico microcarro B.B. 1 que, com apenas 2,5 metros de comprimento, acomoda quatro passageiros (Smart, 2 lugares, 2,69 m). Segundo o diretor mundial da marca, J.M. Gales, a engenharia tem seis meses para demonstrar sua viabilidade. Já o Audi E-Tron, estudo sobre versão elétrica (quatro motores) do carro esporte R8, conta com inacreditáveis 460 kgf•m de torque (dobro de um caminhão para 50 toneladas). Também houve prudência. A Volkswagen quer ter certeza que a temperatura das baterias estará sob estrita segurança e planeja para 2013 o seu minicarro E-Up, enquanto o convencional chegará em 2011.

Para o Brasil, notícias menos divertidas. O novo C3 estreou em Frankfurt, mas a Citroën acena que a versão nacional não seria exatamente essa, mesmo garantindo o C3 Picasso. Difícil de acreditar, apesar do sedã C3 em vista. A VW lançará uma versão simplificada do novo Polo (o duas-portas estreou no salão) para a Índia, em 2010. Aqui, por enquanto, só um ponto de interrogação sobre o sucessor.

A Fiat apresentou o Punto Evo que conviverá, na Europa, com a versão de preço menor semelhante à existente no Brasil. As mudanças externas cosméticas devem ser em parte adotadas, porém o interior, de fato evoluído, não viria. Dos estreantes na Alemanha, apenas o atraente sedã Fluence, sucessor do Mégane, está reservado para a Renault da Argentina. A Mercedes-Benz se antecipou à Toyota e importará o S400h, primeiro híbrido, até março de 2010.

Entre os automóveis “comuns” o novo Opel Astra, de linhas semelhantes ao bem-sucedido Insignia (sucessor do Vectra europeu), convenceu. A GM vendeu 55% do controle acionário da Opel para a canadense-austríaca Magna e o banco Sberbank, mas ainda há atritos sobre transferência de tecnologia aos russos.

Alguns acreditam que Frankfurt marcou a grande guinada aos elétricos. Os prudentes preveem nada além de 1% ou 2% do mercado mundial em quatro a cinco anos e que motores convencionais e mesmo os híbridos teriam um importante papel numa longa – e cheia de obstáculos – transição.

RODA VIVA

CONGRESSO da Fenabrave, em Brasília, realizado pela décima nona vez, mostrou o enfoque econômico bastante aguardado pelas concessionárias. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, transmitiu a sensação de que o pior já passou. Na realidade, a reação dos consumidores foi a parte mais positiva de toda a crise.
ENTRE palestrantes estrangeiros, o italiano Maurizio Sala apresentou técnicas de vendas e pós-vendas dos europeus: nada devem ao extremamente competitivo negócio de carros americano. Presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, ressaltou que a prudência administrativa, na fase alta de três anos do mercado, trouxe agora resultados à distribuição de veículos.
SUCESSO do XVII Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea), da AEA, em São Paulo, pelo alto nível de trabalhos do Brasil e do exterior. Um dos painéis mais interessantes, sobre mobilidade do portador de deficiência física, destacou Koji Okawa, da Toyota brasileira, a deputada estadual paulista Célia Leão e como a engenharia pode integrá-lo.
TRABALHO vencedor do Simea, da Ford Brasil/EUA e Umicore, chamou a atenção sobre catalisadores de reposição. Ainda sem regulamentação específica, podem prejudicar o diagnóstico a bordo (OBD, em inglês) de falhas do sistema de controle de emissões de automóveis e picapes leves. Em janeiro próximo, começa a fase OBDBr-2, a mais importante até hoje.
SEGUNDO a Castrol, pesquisas estimam que os sintéticos correspondam a cerca de 8% dos lubrificantes vendidos no Brasil e apontam um crescimento de 4 a 6%, até o final de 2010. Estimulou a empresa a lançar, agora, os produtos Edge e Edge Sport, com duas gamas de multiviscosidade. Óleos sintéticos são mais caros, porém bem mais eficientes em proteção do motor.
Devagar é que se anda, devagar se vai longe...
18/09/2009 - Celso Travassos
Tenho, como quem me lê (alguém me lê?) sabe, um Titanic.

Um Chevrolet Opala 1980, quatros cilindros, motor 2500, quatro portas, banco inteiro, três marchas, daqueles que, em sua época eram considerados “caretas”, pois tinham calota, banco dianteiro inteiro e três marchas em alavanca situada na coluna de direção.

É esse o bruto.

Pois bem.

Moro em uma região rodeada por montanhas e alguma mata preservada. Região que começa a ser alvo de especulação imobiliária rápida demais para meu gosto. Como conseqüência, muito mais seres da espécie Homo Sapiens (sapiens?!) montados em seu bólidos, e sempre atrasados para seus compromissos... Atenção, mulheres também!... como se tivéssemos culpa pelos sutiãs rasgados e jogados ao fogo na década de 60, aceleram os carros com insulfilm, alojadas em seus óculos escuros, com olhares de muito, muito poucos amigos, nos deixando a sensação de culpa pelo dia de céu azul e sol brilhante, logo nas primeiras horas da manhã.

Todos os dias, cedo, levo meu filho para a escola, que fica às margens dessa estrada.

Todo carro aspirado, ou seja, com carburador de quase trinta anos de uso, precisa começar a rodar devagar, esquentando o motor gradualmente... a qualidade de nossa gasolina não ajuda... a paisagem sim, ajuda a iniciarmos o dia de uma forma suave.

Em cada época do ano vemos diferentes tipos de pássaros, hora buscando gravetos para seus ninhos, hora caçando insetos ou pequenos roedores... não é difícil ver pequenos micos sagüis pulando pelos fios. Além disso a visão da mata e da paisagem com neblinas e nuances de luz cada dia diferentes, nos leva a divagar e observar.

Mas não adianta.

SEMPRE tem um apressadinho, apesar da pista dupla, que insiste em apertar o acelerador em direção ao para-choques traseiro do nosso carro, quase provocando acidente. Não adianta andar pela direita. Insanos são também os motoristas ditos profissionais, com seus ônibus, caminhões e vans acelerando nas retas e descidas, apesar de carregados e impondo uma velocidade que não é a que optamos para começar o dia de uma forma mais “Zen”. Eles nos forçam a aumentar o ritmo, e olha que não ando tão devagar, até porque os dois velhinhos agüentam, ele com o motor 2.500 e eu com 5.2 e motor “standart” sem nenhuma retífica, apesar da quilometragem rodada.

Fica meu protesto. Por que mudar para essa região, investir altas somas em lotes e casas para ficar perto da nartureza e tentar criar os filhos em um local mais tranqüilo, se não desfrutamos disso?!

Calma aí, pessoal! Não empurra não!

Pelo direto de andar devagar!...

70 km tá de bom tamanho!
Motivo de Comemorar
16/09/2009 - Fernando Calmon
A tendência de negligenciar na manutenção do carro à medida que fica mais velho é bastante conhecida no Brasil. Além de fatores econômicos, pois diminui o poder aquisitivo dos proprietários de unidades mais antigas, há ainda influências culturais. Nem todos percebem o risco para a segurança – própria e de terceiros –, o grau de perturbação no fluxo de trânsito causado por pane evitável e muito menos as vantagens de fazer manutenção preventiva (revisão, troca de óleo, filtros, etc) sobre a manutenção corretiva (específica para um conserto).

Existe também certo viés de preguiça envolvido. Em parte porque o tempo livre anda tão escasso que as pessoas vão adiando o momento de ir à oficina. Nem sempre o automóvel dá sinal evidente sobre problema iminente, porém mesmo quando ocorre, o proprietário às vezes prefere apostar na sorte e rodar mais um pouco. A insistência costuma não dar certo.

No entanto, uma pequena melhora nesse quadro vem sendo observada pela empresa internacional GIPA (Grupo Interprofissional de Produtos e Serviços do Automóvel). Tomando 2008 contra 2007, as visitas ao reparador por motivos específicos (não revisão) aumentam 0,5% em relação ao ano passado, enquanto as preventivas cresceram 5,9%. E tem sido assim desde 2002, reflexo da recuperação do poder aquistivo.

Outros dados da pesquisa entre 4.000 proprietários: apenas um terço com carros de 20 anos de idade ou mais opta por revisões regulares; 42% dos donos de automóveis até 2 anos frequentam oficinas de concessionárias (caem para 1%, de 10 a 15 anos); além do preço do serviço, como critérios de escolha do local, nos últimos anos, vêm caindo confiança e atendimento e subindo proximidade e rapidez.

Isso explica porque vários fabricantes, em conjunto com suas redes de concessionárias, iniciaram programas expressos de manutenção (com hora marcada e tempo fixo), acompanhados por tabelas atrativas de preços. Em razão do aumento de concorrência quem ganha é o consumidor.

O que mais preocupa o GMA (Grupo de Manutenção Automotiva, reúne do fornecedor de autopeças ao reparador) é que apenas 40% dos veículos entre 10 e 15 anos de idade passam por revisões. São cerca de 5 milhões de carros com média acima de 100.000 quilômetros rodados, circulando sem cuidados devidos e mais sujeitos a panes e problemas de poluição.

Em 1º de janeiro de 2010, o Brasil inicia – com atraso de uma década em relação aos países centrais – a adoção do OBD (do inglês, diagnóstico a bordo): 40% da produção, no primeiro ano e o restante, em 2011. Por meio de duas sondas de oxigênio, antes e depois do catalisador, e a central eletrônica uma lâmpada no painel indicará se o motor está dentro dos padrões de emissões previstos pela legislação. Em teoria o sistema poderia ordenar até o corte gradual de potência do motor, estimulando o motorista a procurar manutenção. Por outro lado, as inspeções ambientais ficariam bastante simplificadas, menos sujeitas a fraudes e eventualmente mais baratas.

Sendo levado a ir a uma oficina de forma quase compulsória, supostamente o motorista cuidaria de outros itens de segurança e prevenção regular. Motivo de comemoração para todos.

RODA VIVA

NOVA S10 roda em ritmo mais lento, para 2011/12. Brasil será o principal responsável pela nova picape média do Grupo GM. Nos EUA, a empresa vai decidir se produzirá lá, importará do Brasil ou desiste do segmento. Boa parte das picapes médias vem sendo trocadas por automóveis, stations ou minivans. Ajuda a baixar o consumo médio de combustível, exigência do governo.
DEPRESSÃO do mercado americano está levando a uma situação inédita nas últimas décadas. Se confirmadas vendas de apenas 10 milhões de unidades em 2009, não dariam conta nem de substituir os 12 milhões de veículos sucateados todos os anos (cerca de 5% de uma frota mastodôntica de 250 milhões). Um recuo inédito de veículos em circulação.
PEUGEOT 207 Escapade traz preço atraente, embora tenha perdido os freios ABS de série. Evolução marcante no acerto das suspensões, pois mesmo ligeiramente elevadas transmitem segurança a quem dirige. Boa também a posição ao volante, mas o porta-malas de 313 litros é inadequado. Surpresa ao trocar gasolina por etanol: o motor se anima bem mais do que outros.
CADASTRO positivo, em fase final de aprovação pelo Congresso, trará queda de juros em médio e longo prazo. No financiamento de automóveis o reflexo será menor. Isso porque o grau de informações sobre clientes do setor está mais consolidado, os riscos da operação são naturalmente menores e garantidos pelo bem. Mesmo assim, será muito bem-vindo.
TRABALHOS de conclusão de curso de alunos de Design e Mobilidade, da faculdade FAAP, de São Paulo, foram avaliados por profissionais dos centros de estilos brasileiros da Fiat, Ford, Renault e VW. Maioria dos projetos visava a modelos compactos, médios e esportivos com diferentes meios de propulsão. Criatividade em alta entre estudantes.
Corrida pela Inovação
08/09/2009 - Fernando Calmon
A ênfase em inovação, que sempre foi importante no desenvolvimento da indústria automobilística, torna-se de agora em diante algo crucial.

Afinal, o tombo na produção mundial é assustador: em 2008, 70 milhões de veículos; em 2009 a previsão é de queda superior a 20% para 55 milhões de veículos. Talvez uma leve recuperação neste segundo semestre em mercados de alto volume, como o dos EUA, melhore um pouco a situação. A sobrevivência no futuro de cada uma das grandes marcas vai depender da capacidade de se reinventar e manter os custos sob controle frente aos enormes desafios do futuro e às novas tecnologias.

No seminário Tendências e Inovação, da SAE Brasil, realizado em São Paulo, vários palestrantes insistiram nesse ponto. Steve Jobs, presidente da Apple e criador do iPod e do iPhone, foi citado por sua célebre frase: “Inovação é o que separa o líder de um servidor.” Cledorvino Belini, presidente da Fiat do Brasil, admitiu que o consumidor brasileiro está mais informado, exige maior nível tecnológico e, de certa forma, vingativo, quando uma marca deixa de atender suas expectativas.

Respondendo a um pergunta da plateia, Belini não demonstrou nenhum entusiasmo sobre a liberação de diesel para automóveis no Brasil: “Em nada ajuda nossa matriz energética. Bem mais importante seria um esforço para antecipar o etanol de segunda geração por seu grau de sustentabilidade ainda maior.” Aliás, a FPT (Fiat Powertrain Technologies), divisão de motores e transmissões do grupo italiano, alcançou histórico de inovações invejável. Depois de criar a tecnologia common rail que se impôs em motores a diesel, acaba de lançar, na Europa, o sistema MultiAir para motores de ciclo Otto (etanol, gasolina e GNV) a um custo competitivo.

Ainda pode demorar uns dois ou três anos até que o MultiAir chegue ao Brasil. As vantagens: 10% de aumento de potência e 15% de torque; redução de 10% no consumo de combustível e de emissão de CO2 (gás responsável pelo aquecimento da atmosfera). Combinado com downsizing (diminuição da cilindrada e uso de turbocompressor) e injeção direta, a redução do CO2 pode chegar a 25%, anulando a vantagem do diesel em relação à gasolina. Utilizando etanol, em motor flex, o sistema seria ainda mais eficiente pelo controle fino das válvulas de admissão.

Marcos Oliveira, presidente da Ford do Brasil, referiu-se ao economista Joseph Schumpeter para quem a inovação é o motor do desenvolvimento econômico. E traçou as diferenças entre invenção e inovação. Esta se destaca por dar uso comercial às boas ideias, introduzindo novidades no mercado para gerar valor ao consumidor.

Quanto às novas tecnologias, Oliveira afirmou que certos avanços teriam pouca aplicação aqui: “Híbridos combinam motores elétrico e de combustão, consomem menos combustível, mas são muito caros. Quando muito se tornariam produtos de nicho no Brasil.”

De qualquer forma, a escala de produção brasileira deve atingir pelo menos 5 milhões de unidades/ano para reunir condições de absorver mais inovações do exterior ou desenvolvê-las no País. Este ano vamos passar um pouco de 3 milhões. Para os otimistas chegaremos lá em cinco anos, para os pessimistas, em dez.

RODA VIVA

AGOSTO mostrou queda de vendas de 10% em relação a julho, segundo dados da Anfavea. Mas na média de dias úteis, o que importa, foi apenas 1% menor. Indústria reforçou os estoques de 22 para 26 dias, pois setembro marca o início do fim do IPI reduzido com escalonamento até 31/12. Ponto positivo: inadimplência recuou pela primeira vez em 10 meses, de 5,4% para 5,3%.
AMPLIAÇÃO do Centro Tecnológico da GM, ao custo de US$ 100 milhões nos últimos três anos, permite desenhar e projetar novos modelos nas instalações de São Caetano do Sul (SP). Ano passado, exportou US$ 180 milhões em serviços de engenharia. Hoje, fornece modelagem e ferramentas para partes do Volt, projeto Chevrolet mais importante em curso nos EUA.
APESAR do limitado espaço atrás e para apenas dois passageiros, Strada cabine dupla pode ser alternativa para uso específico. Interessantes os bancos corrediços (com memória de posição, mas sem regulagem de altura): facilitam acesso ao banco traseiro. Bom o trabalho nas suspensões para melhorar o conforto de marcha, em geral ruim nas picapes vazias.
JAGUAR XKR é o mais potente da marca inglesa já produzido até hoje: V-8 com compressor, de 510 cv, tem 110 cv a mais que o antecessor. Carroceria em alumínio e freios Brembo garantem melhor relação peso/potência e segurança. Versão cupê por R$ 489 mil coloca o XKR em posição de competir com Audi S, BMW M e Mercedes AMG.
ESTÁ difícil a Caoa-Hyundai arrefecer os exageros na linguagem publicitária. O conselho de autorregulamentação do setor (Conar) acaba de lhe impor sanções pela décima segunda vez por anúncios ou informações que fogem dos conceitos de transparência e verdade dos fatos. Após tantos revezes, não basta reconhecer erros. É preciso deixar de errar.
Sacudindo o Pódio
01/09/2009 - Fernando Calmon
O mercado de picapes derivadas de automóveis começou aqui em 1978 com o Fiat 147. Apesar de ter sido a primeira baseada num compacto, sua inspiração foi a pioneira Nissan Sunny Truck (hoje, Sentra) lançada em outubro de 1968, segundo a Wikipedia. Os concorrentes no Brasil demoraram a reagir, tanto que a VW Saveiro só chegou em 1982 para logo tomar a liderança. Mais recentemente vieram Chevrolet Montana e Ford Courier.

Fiat começou a desbancar a Saveiro quando lançou a Strada de cabine estendida, em 1999. A reação só aconteceu agora, aproveitando a mesma arquitetura do novo Gol/Polo, ao estrear também a cabine estendida. Os italianos se anteciparam com a versão de cabine dupla, há mais de um mês, porém é cedo para saber se tal versão vingará.

Esse segmento quase dobrou sua participação entre os automóveis em 30 anos. Além de transportar carga, vêm sendo usadas em atividades de lazer e até no dia a dia como único veículo. A nova Saveiro traz evolução às pequenas picapes e toques de requinte: regulagens de altura do banco (de série) e do volante (altura e distância, na topo de linha Trooper), iluminação da caçamba, tampa traseira com chave, sensor de distância traseiro, vigia colado (sem guarnições) com janela deslizante (Trooper).

Se tomou emprestado da Strada a cabine estendida e da Montana os degraus laterais de acesso à caçamba, a Saveiro inovou com o manuseio em dois estágios, por mola a gás, da tampa traseira. Em tentativa de evitar o mau uso eventual do compartimento de 300 litros atrás dos bancos por crianças ou pessoas, há adesivo de advertência e dois botões de fixação de rede protetora. Preocupações aerodinâmicas e de diminuição de ruído também são positivas, da fixação da capota marítima à barra de teto. O coeficiente de forma (Cx) evolui bastante: de 0,42 para 0,36.
A nova Saveiro tem 15 cm a mais de distância entre eixos que a anterior. Os balanços dianteiro e traseiro diminuíram, proporcionando bom impacto visual, um dos destaques do modelo.

As bitolas cresceram e igualmente o volume da caçamba (734 a 924 litros). Portas mais largas — as mesmas do novo Gol de duas portas que não deve tardar — melhoram o acesso em relação à velha Saveiro. A versão Trooper (a partir de R$ 39.000,00), sem mudança de altura das suspensões, oferece rodas de aço pintadas de preto. Estranhamente não há opção de rodas de liga leve, embora sejam oferecidas nos catálogos inferiores.

Impressiona muito bem a dirigibilidade com 70% da carga total, oferecendo ótima relação conforto/estabilidade. Primeira e segunda marchas encurtadas, eficientes com a picape carregada, deixaram um “vazio” ao engatar a terceira. Ideal teria sido encurtar o diferencial e alongar um pouco a quinta marcha.

Isso manteria as razoáveis 2.600 rpm, a 100 km/h, que permitem o atual e adequado nível de ruído do motor para o tipo de veículo.

O pacote opcional de freios ABS e air bags por R$ 2.700,00 é ponto importante. Mas, como o brasileiro não abre mão de estilo mesmo numa picape, a nova Saveiro, nesse ponto, avança frente aos concorrentes. O potencial é de abalar a líder, sacudindo-a do degrau mais alto do pódio em vendas.

RODA VIVA

GLOBAL Insight, consultoria sediada nos EUA, fez um estudo sobre lançamentos dos fabricantes aqui instalados. Segundo o diretor Guido Vildozo, estão nos planos da Renault para o próximo ano a versão perua do Logan, além da picape. Da Argentina, virá o Fluence, nome do novo Mégane III sedã também em 2010. O utilitário compacto baseado no Logan ficaria para 2011.
DE ACORDO com Vildozo, Citroen terá um ano cheio de novidades em 2011. Além do novo C3 hatch, existirá também a versão sedã que teria sido finalmente aprovada, depois de mudanças no desenho. Para ele, em 2012 os novos C4 hatch e sedã chegam da Argentina. Em 2013, a Peugeot produziria no Brasil o futuro compacto 208, eliminando a defasagem em relação à Europa.
LIVINA X-Gear procura surfar na onda aventureira que assola o país. Criou um pacote visual com os apêndices de praxe, pintura negra em pontos estratégicos da carroceria, além do nome difícil de pronunciar em português. As suspensões foram mantidas pela Nissan. Nada de aumento do vão livre ao solo, o que implicaria mudanças mecânicas custosas e preço fora do esquadro.
MAIS autêntico é o Smart com seu conjunto esportivo preparado pela casa especialista alemã em alto desempenho. O próprio nome deixa a entender: o Brabus Xclusive é minúsculo como todo Smart, mas não leva desaforo para casa. Emoção é o que não falta, tanto ao pisar no acelerador como ao assinar o cheque em torno do R$ 90.000,00.
PROGRAMA Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) começa de verdade no próximo mês (em abril, houve prévia). O Inmetro, coordenador do PBEV, espera mais adesões voluntárias informando sobre o consumo de combustível. Parece que, se até 2011, não houver aumento substancial de novas marcas se engajando no programa, este passará a ser compulsório.
 
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