Veículos à venda
total de
22.002
> Clique aqui
  Sexta-feira, 05 de Dezembro de 2008 Contato Publicidade Newsletter Adicione aos Favoritos  
  Veículos à venda
  Canais
  Alta Roda
Cultura do Desperdício
Fernando Calmon
  Mulher ao Volante
Expedição Mediterrânea - Marraquexe / Saara
Valéria Zoppello
Colunas do mês de Agosto / 2007  
Atrito Civilizado
27/08/2007 - Fernando Calmon
Em tempos de prosperidade e boas vendas tudo parece em paz no mundo dos negócios. Essa foi a tônica do XVII Congresso da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) que reuniu, em Curitiba (PR), mais de 2.000 executivos representantes de quase 5.000 concessionárias, de 35 associações de marcas de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, máquinas agrícolas e implementos rodoviários. Quando a demanda por veículos novos explode para além de 25% em relação ao ano anterior, a euforia deveria a ser a palavra de ordem.

Mas, não é bem assim. As turbulências no exterior, duas semanas atrás, resvalaram para o mercado financeiro nacional em forma de aumento da cotação do dólar e do risco-país. Mesmo que a taxa de juro primário (Selic) administrada pelo governo federal continue em queda, o custo de captação do dinheiro poderia se elevar, encarecendo os financiamentos de automóveis. Ocorreu até um ensaio deste cenário com os juros do crédito direto ao consumidor subindo um pouco em algumas instituições financeiras, logo no início da crise. A tendência, porém, é de acomodação e de quase nenhum reflexo nas vendas neste e no próximo ano. “Os compradores continuam confiantes”, saldou Sérgio Reze, presidente da federação.

Um congresso pautado pelo otimismo não significa que o relacionamento entre concessionárias e fabricantes de veículos esteja isento de faíscas. Harmonia total também se distanciaria do chamado mercado competitivo. Houve gestos de simpatia, como a exposição de veículos em homenagem aos 50 anos da indústria automobilística nacional.

A Fenabrave voltou a enfatizar que as vendas para empresas estão além da proporção saudável. Isso diminui a margem de lucro das concessionárias. Suas estatísticas apontam que só 50% dos veículos são comprados por pessoas físicas e nesse ranking específico a VW estaria na liderança e a Fiat em terceiro. Pode estar ocorrendo, na realidade, algum erro de análise dos números, porque nada leva a crer que empresas, frotistas, governos e locadoras representem mais de 25% ou 30% do mercado total, a exemplo de outros países.

Financiamentos em prazos longos são defendidos pela entidade. Afinal, mesmo quem opta por 60 prestações ou mais acaba trocando de carro antes para evitar aumento de despesas de manutenção e seguro. A maioria assume novo empréstimo e continua a pagar prestações baixas, como ocorre no resto do mundo.

Com os estoques girando muito rápido, as concessionárias conseguem aumentar sua rentabilidade. Não existe carro encalhado e, pelo contrário, as entregas de vários modelos estão atrasadas. O consórcio, nesse clima, perde espaço. Entre 2004 e 2006, as vendas de novas cotas caíram 22%, enquanto o mercado disparou quase 25%. Hoje, representa menos de 10% das entregas de veículos novos e deve encolher mais.

Um contido grau de atrito civilizado é desejável. E ocorreu em Curitiba. Enquanto fabricantes de veículos, consumidores e parte das seguradoras rechaçam o projeto de dispositivo antifurto obrigatório, instalado na linha de montagem, a Fenabrave está abertamente de acordo. Assunto para gerar ainda muitas e muitas faíscas.

RODA VIVA

TOYOTA acaba de confirmar que, dentro de dois anos, começará a produzir na Índia o primeiro compacto de preço baixo de sua gama. O presidente da empresa, Fujio Cho, afirmou que o modelo também será fabricado em outros países emergentes, sem dizer quais. Claro que um deles é o Brasil. Suspense faz parte da estratégia de marketing tipicamente oriental.

ATÉ o momento, cinco modelos de compactos não oferecem opção de motor de 1.000 cm³: VW Polo, Citroën C3, Peugeot 206, Fiat Punto e Chevrolet Prisma. Destes, apenas o último pode sofrer de recaída. As stations wagons compactas Palio Weekend, 206 SW e Parati estão fora dessa há mais tempo. Ainda assim, 55% das vendas ainda se concentram nessa anêmica motorização, segundos dados da Anfavea.

PRIMEIROS retoques no Citroën Picasso, desde seu lançamento, foram sutis e na medida certa para se sentir rejuvenescimento. Revestimento preto nos bancos e laterais atende os pedidos, mas o cinza anterior absorvia menos calor. Câmbio automático, igual aos dos Peugeot, hesita em acelerações repentinas. Para evitar, a seleção manual na alavanca resolve. Motor de 2 litros/138 cv, só do Picasso, não terá versão flex.

CARROS mais antigos já enfrentam dificuldades em encontrar gases refrigerantes CFC para sistemas de ar-condicionado. Em função disso o preço subiu. Como os mais novos usam o HFC, algumas oficinas fazem misturas do CFC com outros gases. Deve-se evitar essa prática, que pode ser danosa ao ar-condicionado.

RODOVIAS pedagiadas são, sem dúvidas, seguras. Balanço de 12 anos de concessão na via Dutra apontou queda de 56% no número de mortes entre motoristas, passageiros e pedestres. Pode ser a solução para conservação e segurança dos grandes eixos rodoviários federais. Empresas administradoras têm dado prova de trabalho eficiente.
Polêmica que se arrasta
20/08/2007 - Fernando Calmon
A frota brasileira de veículos, incluída a de duas rodas, rompeu a barreira de 30 milhões de unidades no final do ano passado e tende a crescer em ritmo bem mais forte do que nos últimos dez anos. Nesse nível é inconcebível que nenhum controle técnico — segurança e ambiental — se exerça. Existe apenas uma inspeção limitada e de baixa qualidade no Estado do Rio de Janeiro, mais voltada à arrecadação de taxas. Nos outros Estados nem isso. A polêmica sobre Inspeção Técnica Veicular (ITV) se arrasta há quase 15 anos e com perspectiva indefinida de solução.

O governo federal e os Estados não se entendem sobre como dividir as receitas das tarifas, sem contar as benesses de comandar as licitações e controlar as auditorias, sendo estas de fundamental importância para a credibilidade do programa. Afinal, é um bolo fantástico de R$ 3 bilhões/ano e certamente vai crescer a cada ano. A maioria dos motoristas (sempre obrigada a pagar a conta) está convencida da importância da ITV para a segurança do trânsito e a qualidade do ar.

A politização de assuntos técnicos tem o seu pior cenário atualmente na Câmara dos Deputados. Há um projeto de lei em tramitação há seis anos que federaliza a ITV, enquanto os Estados preferem assumir todo o processo. Aparentemente se caminha para uma licitação nacional em que lotes rentáveis se equilibrariam com os menos atraentes. O problema está na concentração de interesses, no risco de manipulação e no viés eleitoreiro. Aprovar uma lei que pode tirar de circulação milhões de veículos malconservados também é desafio aos políticos.

As discussões não têm fim. Recentemente a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva realizou, em São Paulo (SP), mais um seminário em que se debateu o assunto. Nenhum consenso obtido. O Inmetro, responsável pela homologação dos equipamentos de inspeção, admitiu estar atrasado por excesso de tarefas. Mesmo as estações já credenciadas pelo órgão para vistoriar carros recuperados de acidentes não sofrem fiscalização devida. Há suspeitas de que veículos voltam a circular sem a garantia de consertos bem feitos.

Em meio a esses descasos, a Prefeitura de São Paulo quer iniciar em 2008 a inspeção ambiental na cidade que concentra cerca de 20% da frota nacional. Entre as intenções destaca-se o possível reembolso da taxa a ser paga pelos motoristas. Bom demais, se realmente confirmado. Ocorrem, porém, outros óbices. Um deles está em obrigar carros a partir de um ano de uso a passar, sem necessidade, pela avaliação. O padrão em outros países começa no quarto ano, depois no sexto e no oitavo, e daí por diante, anualmente.

Absurdo é impor a inspeção ambiental, sem a de segurança. Trata-se de um plano irracional porque aumentará os custos de implantação da ITV. Nas futuras estações completas apenas um quinto da área seria necessário para checar emissões de gases e ruídos. Terrenos são muito caros na capital paulista e o motorista não pode ser obrigado a ir a dois locais e pagar até duas tarifas. Quando muito, essa vistoria parcial deveria se limitar a veículos diesel e táxis.
O tempo serviria para aperfeiçoar idéias. No caso, ao contrário, surgem as piores.

RODA VIVA

MONOVOLUME baseado no Citroën C3 para dar combate direto a Idea e Meriva chega mesmo em 2009, conforme a coluna antecipou há mais de um ano. Imprensa especializada francesa já chama o modelo, provisoriamente, de C3 Picasso e confirma 2009. De Porto Real (RJ) sairá também uma versão de visual aventureiro, no estilo do atual XTR.

INTERCÂMBIO de verdade montou a General Motors entre suas filiais brasileira e polonesa. Daqui, segue a traseira do Vectra sedã, que lá se chama Astra sedã. De lá, vem a traseira do Astra hatch que aqui atenderá por Vectra hatch. Este modelo chega às concessionárias na primeira semana de setembro.

ALGUNS bancos ligados aos fabricantes de veículos estão fazendo convergir os juros do crédito direto ao consumidor. Ou seja, automóveis novos e seminovos comercializados nas concessionárias com taxas iguais. Há pouco tempo os seminovos tinham financiamentos mais caros. Como muitos usados foram entregues na troca por novos, essa foi a saída para diminuir o estoque nos pátios.

PRAZOS de garantia expandidos para dois ou três anos serão mais comuns de agora em diante no mercado brasileiro. Mas se deve ficar atento ao número de revisões pagas e trocas de óleo. Quando em excesso, o motorista acaba indiretamente bancando o período maior, pois as concessionárias costumam puxar nos preços de peças e mão-de-obra. Boa é a estratégia da Volvo, por exemplo: durante a garantia de dois anos oferece manutenção de rotina sem custo.

TANQUES de combustível tendem a aumentar de volume. Como os motores flex representam 90% das vendas, há quem reclame da autonomia quando se usa álcool. Mesmo que a maioria dos modelos consiga rodar quatro horas a 100/110 km/h. Na dúvida, Mitsubishi já lançou o TR4 flex com tanque ampliado em nada menos que 40%: passou de 52 litros para 73 litros.
Mustang Cor de Sangue
13/08/2007 - Renato Bellote Gomes
Quem tem menos de quarenta anos deve ter estranhado – ou achado curioso – o título desta matéria. Mas vou explicar o motivo. Esse foi o nome de uma canção de sucesso no país, composta por Marcos Valle. O hit é marcado por uma melodia leve e um jingado gostoso de se ouvir.

“A questão social-industrial não permite que eu ande a pé. Na vitrine um Mustang cor de sangue”, diz a primeira estrofe. A segunda já demonstra que o bólido arrebatou seu coração de vez. “Tenho um novo ideal sexual. Abandono a mulher virgem no altar. Amo em ferro e sangue um Mustang cor de sangue”. Preciso dizer mais alguma coisa?

O pony car foi lançado na metade de 1964 nos Estados Unidos, causando um verdadeiro frisson no público e na imprensa especializada, e revolucionou o mercado automotivo por lá. No primeiro dia de vendas, o esportivo com nome de cavalo selvagem vendeu milhares de unidades. Algo nunca antes visto.

A grande vantagem do modelo é que ele era vendido ao gosto do freguês. Em outras palavras, podia vir sem opcionais ou totalmente equipado. Por esse motivo é que se diz que não existe um Mustang igual ao outro em nenhum lugar do mundo.

Mas o carro também foi homenageado pelos compositores norte-americanos. A inesquecível Mustang Sally, imortalizada por Wilson Pickett, em 1966, foi classificada como umas das 500 melhores músicas do planeta. E pensar que tudo começou como uma brincadeira entre amigos. O nome foi criado a partir de uma sugestão de Aretha Franklin.

E como paixão é algo intangível, que quase não pode ser definida em palavras, o esportivo se tornou um sonho da juventude. Um carro relativamente pequeno – para os padrões ianques – com motor V8 era garantia de muita diversão. Um dos sonhadores dessa época é o economista José Antonio Marques, de São Paulo, dono do carro que ilustra o texto.

O fastback GT 1968 chama atenção à distância. A cor creme – apesar de não ser tão agressiva – confere ao carro um charme todo especial e o coloca em destaque. “Sou o 3º dono”, conta Marques. “O modelo foi adquirido por indicação de um amigo”, complementa.

Aliás, descobri esse carro através da Batistinha Garage. O bólido estava exposto no encontro de Águas de Lindóia. O proprietário me contou que a primeira restauração do modelo foi feita pelo próprio Sr. Batista, há mais de 20 anos.

Uma das inspirações do economista foi o clássico Bullittt, estrelado por Steve McQueen. “É idêntico ao do filme”, comenta orgulhoso. Realmente ele lembra o Ford que decolou – literalmente – pelas ruas de São Francisco. O colecionador, por outro lado, nem pensa em realizar tal façanha com o seu.

O interior do veículo merece um parágrafo. Novo, com o volante tendo ao centro o cavalinho – correndo no sentido contrário ao das pistas de corrida. Os assentos também demonstram originalidade e nos fazem voltar no tempo por um momento.

Agora vou falar do ronco. O motor 390 big block dá o toque de muscle car ao carro. Os dois canos duplos de escapamento, além de proporcionar um belo visual, mostram que ele não está pra brincadeira e pronto para despejar a potência no asfalto.

A conservação é outro fator importante para o excelente estado geral. O Ford só bebe gasolina Podium. “Depois de restaurado ele nunca tomou chuva”, salienta Marques. Só para ilustrar, a última restauração durou cerca de um ano e foi realizada pelos profissionais da Batistinha Garage.

Não dá pra ficar indiferente perto de um carro desses. Os vincos no capô, estofamento cor de vinho e faróis auxiliares na grade dianteira fazem do exemplar – de segunda geração – um dos automóveis mais bonitos da década de 60. E se depender dos cuidados do dono, o clássico continuará assim por muitos e muitos anos.
Pontos Preciosos
13/08/2007 - Fernando Calmon
Lançado na Europa em 2005, o Punto chega para se tornar o mais atualizado compacto em produção no Brasil. Para a Fiat significa um passo adiante em termos de sofisticação. Não constitui, porém, uma nova categoria. Vai apenas disputar com VW Polo e Citroën C3 o segmento convencionado como premium, embora na Europa os três sejam apenas modelos comuns. Coisa de marqueteiros e sua criatividade ilimitada, aqui se cunhou a expressão de que o Punto seria um sporthatch, apesar de só estar disponível na versão de quatro portas.

O estilo é um dos pontos fortes do carro. Tanto que há um pequeno emblema com a assinatura de Giugiaro nas portas traseiras. Entre os toques de mestre do designer italiano destacam-se desenho dos faróis, marcante linha de cintura ascendente, espelhos fixados nas portas e minijanelas junto às colunas dianteiras. A generosa distância entre eixos de 2,51 m (igual à do Idea) ajuda na harmonia do conjunto, mas não se reflete em espaço extra para as pernas no banco traseiro. É que a forte inclinação do pára-brisa obriga a reposicionar para trás os bancos dianteiros. O porta-malas é um pouco menor do que o do Palio, mesmo este tendo 20 cm a menos de comprimento total.

Impressionante é a variedade de equipamentos. Destaque para os comandos de voz do sistema de som e do telefone celular (só Bluetooth), desenvolvido em parceria com a Microsoft. A segurança está em plano destacado: primeiro automóvel nacional a dispor de cortinas infláveis e encostos de cabeça dianteiros com efeito antichicote. Vidros laterais são laminados. Elogiável a decisão da Fiat de oferecer airbags duplos frontais, mais ABS por R$ 2.900,00, contra o preço normal de R$ 5.100,00.

A empresa italiana, finalmente, entrou no clube que dispensou o motor de 1.000 cm³, a exemplo dos seus concorrentes diretos. Afinal é o mais pesado — de 1.090 kg a 1.170 kg — e o motor de 1.400 cm³ teve que melhorar, subindo a potência em 5 cv para 85/86 cv. Bom mesmo para o carro é o de 1.800 cm³ de 113/115 cv, das versões HLX e Sporting, por sua capacidade de aceleração e relativa suavidade, depois de avaliação pelas ruas e no autódromo de Buenos Aires. A cidade foi escolhida para marcar a reabertura da linha de montagem da Fiat no país vizinho em 2008, após sete anos de paralisação.

O mix previsto pela fábrica é de 70% das vendas com o motor de menor cilindrada, que vai bem em localidades de topografia plana. Ainda assim apresenta qualidades dinâmicas, comandos macios e precisos e boa posição ao volante. Os preços ficam dentro do esperado pela proposta de nível elevado de acessórios e materiais de acabamento adequados. Partem de R$ 37.900 e vão a R$ 41.600 (motor 1,4 L); depois sobem para R$ 44.400 e R$ 51.900 (motor 1,8 L).

Frente aos adversários diretos, as duas versões mais em conta do Punto certamente perderão em desempenho, embora se imponha quando receber o motor de maior potência. De qualquer modo se manterá à frente, se os critérios forem presença, conforto e requinte. Vender 3.000 unidades/mês, como prevê a Fiat, é ponto pacífico.

RODA VIVA

FORD confirmou na semana passada que investirá na Argentina para ampliar a fábrica de Pacheco e lançar dois novos modelos, sem anunciar quais. A coluna antecipa: no final de 2008 o Focus ficará igual ao europeu em desenho, mas mantendo a arquitetura atual. O segundo produto será a nova Ranger, em 2009. Há dúvidas quanto ao motor diesel em função dos desentendimentos com a International nos EUA, que podem refletir aqui.

VÁRIAS mensagens de leitores levantam dúvidas sobre a necessidade de rastreadores colocados em todos os carros novos ao deixarem as linhas de montagem em 2009. Já se previa resistência, porque o assunto é controverso. Mas algo precisa ser feito para diminuir roubos e furtos de veículos.

ACELERAR até 8.000 rpm em um sedã médio convencional está entre as melhores sensações que se pode desfrutar. Algo inusitado em um automóvel produzido no Brasil e garantido pelo poderoso motor de 192 cv do Civic SI. Combinação de bancos e suspensões bem firmes significa certo desconforto em pavimentação irregular, mas vale muito a pena. Única gasolina recomendada pela Honda é a premium, mas o motor não reclama mesmo com a comum.

ÁLCOOL a R$ 1,00 o litro já chegou em alguns postos em São Paulo. Nesse nível de preço se confirma a quase inutilidade de adaptar kits de gás, em localidades com álcool barato. Além do investimento inicial, baixa autonomia, desempenho pífio e sobrecarga mecânica pelo peso dos cilindros de gás se somam à demora para amortizar. É só para táxis ou carros de frota que rodam muitos quilômetros por dia.

DIFICILMENTE a indústria automobilística conseguirá evitar a fabricação paralela de peças de lataria sob alegação de direitos sobre desenho industrial. No exterior essa pretensão foi barrada, segundo Rodrigo Carneiro, diretor do Grupo Comolatti, maior distribuidor nacional de autopeças. A empresa comemora 50 anos e não atua nesse mercado específico.
Big Brother chegando
06/08/2007 - Fernando Calmon
Mais uma tentativa de diminuir a impressionante estatística de roubos e furtos de veículos no País — mais de 300.000 por ano, dos quais só cerca de metade é recuperada — foi anunciada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), semana passada. Na realidade o Contran se viu compelido a tomar essa decisão em função da Lei Complementar 121, que em fevereiro do ano passado criou o Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas. Assim, até agosto de 2009 todos os carros, motocicletas e caminhões novos, nacionais ou importados, só poderão ser licenciados se já incluírem de fábrica um dispositivo de rastreamento eletrônico e de bloqueio remoto.

Há um prazo de 90 dias para que o Contran defina em acordo com os fabricantes dos veículos e dos equipamentos eletrônicos como os dispositivos funcionarão. Tudo deverá ser homologado pelo conselho e também pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que definirá os parâmetros técnicos dos rastreadores. Um pormenor importante: os carros terão os dispositivos incluídos no preço final, mas caberá a cada motorista contratar — ou não — o serviço de rastreamento e bloqueio.

A expectativa do Contran é de que o dispositivo, produzido em alta escala para cerca de 2,5 milhões de veículos e 1,5 milhão de motos por ano, não passaria de R$ 100,00. O serviço de monitoramento em tempo real, que hoje está na faixa de R$ 80,00 a R$ 100,00 mensais, poderia cair à metade. Deve-se supor, também, que o risco de sinistralidade da frota diminuiria e as companhias de seguro reduziriam o preço do seguro em curto ou médio prazo.

Alfredo Peres, presidente do Contran, declarou à coluna que a implantação total do sistema nacional de prevenção e repressão ao roubo tornaria possível o bloqueio remoto e a localização do carro nas delegacias de polícia, quando o motorista fosse registrar o boletim de ocorrência. Independente de ter contratado de forma individual o rastreamento por meio de empresas especializadas. Estuda-se ainda a possível integração com os futuros chips de identificação de veículos cuja função primordial é monitorar por meio de antenas dedicadas se os impostos incidentes foram pagos pelo proprietário.

Em princípio, a Anfavea sinaliza muito pouca simpatia porque as fábricas deverão repassar o custo ao consumidor. Nos automóveis mais baratos perturbaria as vendas, juntando-se a outros novos equipamentos obrigatórios que estariam por vir. De outro lado, se o seguro realmente baixar, haveria um benefício ao comprador, pois é praticamente de 100% a proporção de carros novos segurados nas grandes cidades. O custo alto das apólices até prejudica a competitividade de certos modelos. A Volkswagen chegou a oferecer o rastreador grátis, instalado na linha de montagem, para toda a sua gama, mas desistiu há pouco. Alegou baixa adesão aos serviços de rastreamento.

Apesar de a resolução do Contran prever o sigilo das informações monitoradas, alguns se sentirão vigiados por um intrometido big brother. E nas cidades com baixos índices de roubo um alarme moderno já seria suficiente. A intenção, de fato, parece boa, mas podem ocorrer resistências.

RODA VIVA

JULHO bateu o recorde absoluto de vendas: mais de 217.000 unidades, incluídos veículos comerciais. O ano de 2007 será mesmo o melhor da história de 51 anos da indústria. A recuperação dos empregos é da ordem 30% em pouco mais de três anos, porém pela primeira vez os estoques ficaram em 19 dias, cerca de 40% abaixo do ideal. Provável aumento nos prazos de entrega é o único indicador desconfortável.

EXPORTAÇÃO inédita: PSA Peugeot Citroën anuncia a venda de motores flex brasileiros (1,6 litro) para a matriz na Europa. Vão equipar versões do 307 SW e do C4 hatch, com o sugestivo nome de Bioflex, para os mercados da Suécia, França e Holanda. Comunicado foi discreto, mas tem tanta relevância como o início do terceiro turno em Porto Real (RJ).

NOVO Omega australiano evoluiu de verdade: maior distância entre eixos, esportividade no estilo, suspensão traseira multibraço, porta-malas maior e oferta excelente de equipamentos. Agora, todos os comandos se adequaram à direção do lado esquerdo. Preço bastante competitivo: R$ 145 mil. Desempenho caiu um pouco por estar mais pesado e motor com 4 cv a menos, compensando pelo espaço interno ainda maior.

CITROËN confirmou ter um produto muito competitivo com o C4 Pallas a partir de R$ 65.000,00, chegando em setembro. Manteve estilo ousado da marca (sem exageros), alto nível de acabamento e equipamentos, um porta-malas amplo de 513 litros (maior do que o do Omega) e espaço interno superior no seu segmento (nível do Vectra e Civic). Versão de câmbio manual dá outra vida ao motor de 2 litros/143 cv.

PARA facilitar desembaçamento do pára-brisa é bom sempre manter a superfície interna desengordurada e limpa. Nada de dar brilho nas partes plásticas com produto à base de silicone: ao evaporar, adere aos vidros e prejudica desembaçamento e visibilidade.
 
    Nome
    E-mail

 
 Copyright © - 2006 Politica de Privacidade