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A Macchina dos Sonhos
08/08/2006 - Renato Bellote Gomes
Não há como negar que os italianos têm um charme especial. Ternos, vinhos e a famosa culinária fascinam o mundo todo, com uma riqueza de formas e sabores, além de ditar as últimas tendências na moda. Os carros com a marca do cavalinho se tornaram sinônimo de sucesso, mas sua principal rival – leia-se Lamborghini – também criou seus próprios objetos de desejo. E foi, justamente, um deles, que se tornou uma referência no universo automotivo e sonho de consumo entre os anos 70 e 80.

As linhas modernas do modelo Countach começaram a ser delineadas pelas mãos de um talentoso projetista do estúdio Bertone – que já havia criado o Miura - chamado Marcelo Gandini. Os traços cheios de ousadia – e também sensualidade – mostraram ao mundo um novo estilo de supercarro, com portas que se abriam para cima – surpreendentes até nos dias de hoje – e faróis escamoteáveis.

O motor traseiro – tradição da marca – era um dos principais predicados do bólido. Nada menos do que 12 cilindros em “V” alimentados por seis carburadores Weber, que produziam 375 cavalos de potência. O ronco apaixonado – furioso, como todo Lambo – não deixava que o carro passasse despercebido nas ruas. Se você não gosta de chamar atenção, definitivamente, não compre um desses.

Após dois anos da sua apresentação no Salão de Genebra, o Countach chegou às ruas em 1973. Seu cartão de visitas podia ser visto nos números de desempenho: 310 km/h de velocidade máxima e pouco mais de 5 segundos para atingir os 100 km/h! O câmbio de engates precisos – marcados pelo estalo da grelha – convidava a uma pilotagem mais agressiva, com o conforto dos bancos de couro e a segurança dos pneus Pirelli.

O aerofólio – característica marcante do bólido – passou a ser um adereço a partir de 1978, por sugestão de um cliente da marca, além da adoção de rodas de magnésio, que fizeram com que as vendas aumentassem. O estilo clássico de “matador” estava completo.

Mas a concorrência não dava trégua ao modelo no início da década de 80, apresentando novidades cada vez mais potentes e velozes. Nessa época, novas mudanças marcaram o carro, dentre elas alguns retoques de estilo e um propulsor com maior cilindrada. O “motorzão” de 5,1 litros despejava 455 cavalos de potência, além do torque brutal de 50 kgfm.

Seria possível “apimentar” um superesportivo? A resposta é sim e o carro teve algumas versões com desempenho – e visual – mais otimizados. A obra-prima coube às preparadoras européias Sbarro e Koenig, que personalizaram algumas unidades.

No ano de 1988, para comemorar os 25 anos da marca italiana, foi lançada uma versão especial, com luxo e potência de sobra para todos os gostos. Sem dúvida, uma despedida gloriosa para o mais genial dos Lamborghinis.
 
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