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Dos Menores Frascos, Os Melhores Perfumes
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Colunas do mês de Julho / 2006  
31/07/2006 - Celso Travassos
Pó, talco, poeira.
Quem conhece qualquer estrada de terra, sabe o que isso significa. Tempo de seca, também de céu azul e sem nuvens, vento.
Tempo bom para pipa e papagaio.
Para uma "pelada" com sol ameno e belas paisagens.
Para quem tem um jeep antigo, de capota de lona, significa alegria para a meninada e resistência da patroa.
Entra pó por todo o lado. Mudamos de raça. Chegamos ao destino como “ET’s” monocromáticos.
Programa de índio: Não enfrentar trânsito. Ver belas paisagens. Estacionar sem disputar a vaga.
Ouvir os sons do silêncio. Ver a vida simples e transparente.
O pulo no poço, a água gelada, o fundo visível.
Observar os girinos virando sapo e explicar para a meninada – Que adora o jeep.
As nuvens brancas em contraste com o céu azul e o barulho da água. As pedras jogadas e o concurso para ver quem consegue fazer pular mais vezes na superfície antes de afundar.
A flor estranha no tronco da árvore.
O ronco agradável do velho e confiável motor 6 cilindros voltando devagar para casa – algumas das crianças dormindo saciadas de aventura, outras olhando em volta com a alma lavada.
A luz amarelada e confiável do painel iluminando o interior e o conhecido “cheiro de jeep” dentro da cabine, junto com o pó da estrada.
O vento frio do final da tarde misturado com o calor que o motor passa para a cabine. O pôr-do-sol no alto da serra.
Subimos a serra poeirenta voltando ao asfalto e de volta para casa. Devagar retornamos a um mundo agitado, que de repente nos parece estranho e sem sentido.
Hoje, meu menino não jogou no computador.
Hoje, meu menino não assistiu desenho animado na televisão.
Hoje, meu menino não foi ao shopping e nem viu “Faustão”.
Hoje, meu menino não vai esquecer nunca mais.
À noite, em casa, um comentário sobre um programa de tv. Não me lembro o que era – não teve a menor importância.
Lá fora um velho jeep com a poeira como cúmplice.
Um velho jeep, cheio de histórias...
O Bote da Serpente
07/07/2006 - Renato Bellote Gomes
Muitas coisas já foram ditas sobre Carroll Shelby. Seu nome está intimamente ligado à história dos motores V8 norte-americanos. Mas, desta vez, vamos falar sobre sua primeira e mais feroz criatura: o Cobra.

O velho Shelby tem uma trajetória interessante no mundo dos automóveis. Ele já havia conquistado as 24 horas de Le Mans, e sempre procurou encontrar a relação ideal entre peso e potência. E, como todo americano que se preze, isso incluía um “motorzão” de oito cilindros.

O “carro ideal” de Carroll, na verdade, já existia. Pelo menos em parte. A britânica AC Cars havia lançado em 1956 um novo roadster – chamado de Ace – que utilizava um motor de seis cilindros em linha. Pequeno e ágil, o carro chamou a atenção de Shelby, que viu nele a possibilidade de concretizar seu sonho. Para isso, enviou uma carta à fábrica inglesa, sendo prontamente atendido.

Com o carro em sua oficina, o texano deu vida à criatura. O motor foi substituído por um Ford V8 de 4,2 litros, que pesava um pouco mais que o propulsor original. Freios redimensionados e uma caixa de câmbio de quatro marchas deram o toque final ao esportivo, além dos chamativos escapamentos laterais. Mas o criador não estava satisfeito e logo instalou um novo motor de 270 cavalos de potência.

“Em time que está ganhando não se mexe” é o que diz o velho jargão futebolístico. Mas, no mundo dos carros, esse ditado nem sempre é levado ao pé da letra. Para aumentar ainda mais o veneno de sua cria, Shelby instalou um big block no Cobra, colocando-o, de forma definitiva, na galeria dos cobiçados muscle cars. Estamos falando do magnífico 427 V8, com 7,0 litros e 425 cavalos de fúria! Nada mal para um carro de rua.

Mas a vida do texano estava ligada às pistas. O motor da versão de corrida passava dos 480 cavalos de potência, com um torque igualmente monstruoso. Desse modo, as vitórias não tardaram a chegar. Em 1963, faturou dois campeonatos nos EUA e, no ano seguinte, vitória sobre a Ferrari em Le Mans, além de outras conquistas.

No Brasil, o Cobra também destilou seu veneno. Nos anos 80, a Glaspac criou sua réplica, utilizando o confiável propulsor de 302 polegadas cúbicas do Maverick e Galaxie. Atualmente, pelo menos três empresas produzem a versão em fibra de vidro do clássico.

O Cobra saiu de linha em 1969 e ressurgiu em uma versão moderna, apresentada recentemente ao público. Mas seu legado continua vivo até os dias de hoje, como uma víbora, prestes a dar o bote....
Cê vende?
03/07/2006 - Celso Travassos
É assim. Herdamos ou vem parar em nossas mãos, como se soubessem que os trataremos bem.
Mesma coisa com cachorros, pensamos em uma raça e daqui a pouco ganhamos um já adulto de alguém que vai se mudar ou um filhote que insiste em não ser vendido, para cuidarmos dele ou encaminharmos para quem de direito. Assim é com os carros antigos.
Às vezes por contenção financeira, optamos por um modelo “fora de linha” e já que assim vai ser, tentamos pelo menos um arranjo que nos traga memórias de adolescência – pai, me empresta o carro?- assim foi.
Por contenção optei em ter um opala. Passei a procurar um em bom estado e que me conduzisse a memória lá pelas bandas da década de 80. Achei.
Quatro portas.
Banco inteiro.
Três marchas.
Quatro cilindros.
Comprei pelo batido das portas, “quiném” geladeira...Tá comigo. Virou xodó. Calotas originais, som “toca-fitas Roadstar”...Não dá mecânico, roda macio, econômico, se não aceleramos demais.
Aí chega a hora de sair, família dentro, rádio ligado, paramos no posto para abastecer, logo chega alguém:
- Inteiro, né?
- Conservadinho. Todo original...
- Cê vende?
Pronto. É onde começa o problema... Mundo cheio de espertos, esse de nossa atualidade...
Penso, com o bolso vazio, que até que seria uma opção.
Vem a esperteza anunciada... o preço é sempre convidativo, para quem propõe.
Muito e muito abaixo do que vale, ou que pensamos que seria boa oferta.
Ainda oferece pagar “à vista, no dinheiro”!
Vira ofensa, chega a incomodar o bom humor do passeio em dia de folga e sol.
O melhor é responder:
- Não vendo. Tá comigo desde zero. (mentira!).
Ou, se estamos parados no sinal de trânsito (semáforo, para quem queira), o melhor é que, ao percebermos olhares muito especulativos em cima do carro, deixamos escorregar para frente ou para trás um pouquinho, até o olhar não alcançar o nosso.
Mantemos a dignidade e o bom humor e cortamos de vez a conversa do “esperto”.
 
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