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O Guerreiro do Sol Nascente
07/06/2006 - Renato Bellote Gomes
Os automóveis japoneses, de uns tempos pra cá, se tornaram sonhos de consumo no mundo todo. Motores pequenos de grande potência e desenho arrojado foram dois fatores que cativaram o público. Mas o primeiro guerreiro nipônico despontou no ocidente há mais de 30 anos, com o estilo e a agressividade de um verdadeiro samurai.

O projeto do Datsun 240 Z resultou do esforço conjunto de alemães e japoneses da Nissan. Enquanto os primeiros desenhavam a carroceria, os japoneses investiam no desenvolvimento do motor. Como o objetivo da fábrica era conquistar a América do Norte, os engenheiros capricharam na criação: seis cilindros em linha, 2,4 litros e 151 cavalos de potência, além da utilização de dois carburadores SU e torque de 20 kgfm, que o levavam a uma velocidade máxima próxima dos 200 km/h. Acrescente-se a esse pacote um moderno câmbio de quatro marchas e acabamento de primeira.

O carro desembarcou nos EUA em 1969 – como modelo 70 – e “atacou” o mercado com a fúria de uma katana – espada utilizada pelos samurais – obtendo uma excelente aceitação entre os consumidores. Tração traseira, ótimo comportamento dinâmico e suspensão Mcpherson também ajudam a explicar esse sucesso. O nome Datsun vem dos primeiros anos da empresa e, até 1981, representava o segmento de exportação da Nissan.

Com um preço extremamente competitivo, o esportivo japonês virou moda na terra do tio Sam, de modo que, um modelo usado chegava a ter quase o mesmo valor do que um zero quilômetro!
Essa valorização foi ocasionada, também, pelo bom desempenho nas pistas, com a conquista de dez campeonatos norte-americanos de turismo durante a década de 70 - a famosa SCCA – em sua categoria. O carro também se destacou na terra, faturando o Rali do Leste Africano duas vezes – 1971 e 1973 – e a segunda colocação no badalado rali de Monte Carlo, em 1971.

E foi, justamente, nessa nova década, que outros dois samurais chegaram ao mercado, com as versões 260, e, mais tarde, 280. Com maior cilindrada e o mesmo estilo obtiveram elogios das revistas especializadas. Em 1975, um novo motor com injeção eletrônica Bosch mantém as vendas no topo, e o propulsor atinge 170 cavalos de potência dois anos mais tarde, além do lançamento da segunda geração em 1979.

A tecnologia chega pra valer nos anos 80, com a venda do veículo de número 500 mil e a terceira geração do mito ganhando as ruas. A turbina – marca registrada dos japoneses durante os anos seguintes – também marca presença. A década de 90 traz boas novidades – como o 300 ZX biturbo – e, no novo século, uma volta ao conceito original com o lançamento do superesportivo 350 Z. Mas sobre eles só vamos falar daqui a uns vinte anos.

Um fato curioso a respeito do clássico é que nos EUA é comum a troca do motor original por um V8 – small ou big block – o que acaba gerando uma excelente relação peso/potência para o carro. Sem dúvida, com seu estilo inovador, podemos dizer que o 240 Z foi um bom bushi – nome dado à classe dos samurais – e, principalmente, o pioneiro dos grandes esportivos nipônicos que viriam pela frente.
Areia
01/06/2006 - Celso Travassos
O avião faz a aproximação e já dá para perceber que se trata de um lugar paradisíaco. Muito sol, praias de água verde transparente e areia, muita areia. A aeromoça solicita a todos que fiquem sentados “até o completo estacionamento da aeronave” anunciando que estamos no aeroporto de Natal e nos lembrando de nossos “pertences de mão e aparelhos celulares”. Agradece a preferência e diz que espera nos encontrar novamente – será?
Descemos do avião e recebemos uma onda de vento no rosto, quente, contrastando com os 13 graus que fazia na conexão do aeroporto de São Paulo. No hotel pedimos uma cerveja e um tira-gosto que levam um século para chegar – tudo bem, estamos em outro ritmo – e isso é até bom. Nos irrita a princípio, mas aos poucos nos acostumamos, relaxamos e nos integramos à velocidade local...sem stress.
Iniciamos nosso tour e percebemos a diversidade biológica dessas dunas, ricas em vegetação e animais. Tudo é incrivelmente bonito – Que Caribe que nada! Penso – O lugar é aqui! – Povo simpático e hospitaleiro e uma cidade linda.
Pela manhã, na porta do hotel, vejo uma pequena multidão de “buggies” de todas as cores, provocando um movimento colorido ao dia. Logo descubro que existe uma profissão muito peculiar na cidade: “Buggeiro”. Existe até uma cooperativa. São organizado, e melhor: passam o dia “dando cacête” nos buggies, nas dunas de Natal, com os carros cheios de turistas.
Já parou para pensar?! Trabalhar dando pau nos Buggies em dunas de areia gigantescas, em praias lindas, o dia inteiro? No final do dia, uma paradinha no bar da praia para apreciar o pôr-do-sol com uma cervejinha gelada e uma casquinha de siri?...e ainda receber para isso?!...Melhor só ser for para ser fotógrafo da Playboy!
Decidi. Vou pegar a mulher, os meninos, cachorro, porco e papagaio e vou mudar para Natal!
Quero ser Buggeiro!
 
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