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Colunas do mês de Maio / 2007  
Boa aposta no mercado
28/05/2007 - Fernando Calmon
O crescimento de vendas no mercado brasileiro está ou não fora de realidade? A pergunta é intrigante para responder e tem deixado os executivos responsáveis por decisões estratégicas com mais dúvidas do que certezas. Afinal, depois da retração iniciada há uma década, veio a recuperação muito forte nos últimos três anos, até chegar aos números estonteantes de hoje. Sempre relembrando, porém, que apesar do crescimento a taxas chinesas deste ano, 2007 vai apenas superar o recorde de 1997.

Esse questionamento dominou as conferências e debates durante o recente Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2007, realizado em São Paulo, com a participação dos presidentes dos quatro maiores fabricantes do País que representam 80% dos veículos vendidos. Ray Young, presidente da GM, referiu-se à esquizofrenia para relatar o comportamento do mercado, por suas subidas e descidas ao longo do tempo. Houve até convergência nas previsões. Os presidentes da Fiat, C. Belini, e da Volkswagen, Thomas Schmall, cravaram o mesmo centro do alvo para a aceleração das vendas: 20%. O presidente da Ford, Marcos Oliveira, preferiu ficar com os números da Anfavea que, por enquanto, reviu os números de crescimento para “apenas” 14%.

Aos clientes da indústria interessa mais saber se vão encontrar o carro desejado, sem enfrentar filas de espera ou pagar sobrepreço. Essa certeza ninguém deu, mas há indicativos de que uma situação de estresse é pouco provável de acontecer. O salto na demanda ocorre em um momento atribulado na exportação e parte deste volume pode ser redirecionado para comercialização interna. Em outros casos a importação vai suprir uma parcela da procura: deve alcançar algo em torno de 200.000 unidades este ano ou cerca de 10% das vendas de automóveis e comerciais leves.

De qualquer forma notou-se um amadurecimento no discurso da indústria. O real valorizado acaba por permitir certo grau de flexibilidade nas decisões, além de melhorar bem os balanços financeiros quando convertidos ao dólar. Tanto que apenas a GM terá uma queda ponderável no número de unidades exportadas. A soma do faturamento de todas as empresas com as vendas externas, no entanto, ficará estável em 2007. Além da correção de preços, está sendo possível montar um mix mais rentável entre os modelos exportados. Sem esquecer de que o dólar se desvalorizou em vários países que compram nossos carros. E, também, permite importar mais barato componentes, máquinas e até aço, como anunciou a Fiat no seminário.

Uma análise objetiva foi feita por Letícia Costa, presidente da filial brasileira da consultoria Booz Allen Hamilton. Para ela, resta saber se a reação atual se deve a um movimento de renovação da frota ou se há a agregação de novos consumidores. A coluna acredita que ambos os fatores estejam ocorrendo. A migração para um motor flex pode ser apenas pretexto para quem tinha um carro bem rodado. Mas o peso maior vem de prazos longos de financiamento — possíveis pela queda dos juros —, aumento da confiança e algum ganho de poder aquisitivo. Em 2010, chegaremos aos 3 milhões de unidades frente aos 2,3 milhões deste ano. É uma boa aposta.

RODA VIVA

RENAULT decidiu fabricar mais um sedã na Argentina, segundo comunicado distribuído no país vizinho. É provável que utilize a arquitetura da primeira geração do Mégane, produzido em Córdoba. Será possível manter em produção quatro sedãs: este e mais Clio, Logan e Mégane II? Haverá ainda um modelo da Nissan. Tudo indica um utilitário esporte compacto para combater o EcoSport.

POR razões de segurança, na linha 2008, já à venda, a Volkswagen melhorou o desenho do quebra-mato estilizado do CrossFox e o manuseio do estepe pendurado na tampa traseira. Faróis de dois refletores nesta versão e no Route realçam diferenças para o Fox de entrada. O Gol teve poucos retoques, mas agora é possível ter suspensões elevadas, a exemplo do oferecido no Mille.

COROLLA flex criou um fato novo para a Toyota e alavancou campanha publicitária de peso para defender sua posição de mercado. Curva de torque ao usar álcool é melhor, porém a diferença, muito sutil. O motor em si quase nada acrescenta tecnicamente, salvo a possível economia de combustível não indicada em números — erro igualmente cometido por Honda, Peugeot, Citroën e Mitsubishi.

“DEVIDO à utilização em veículos Ford de bicos de injeção de combustível autolimpantes, a limpeza periódica dos bicos não é necessária.” Essa advertência se encontra nos manuais de instrução dos carros da marca. Basta ler para nunca mais ser enganado. Em tempo: informação correta e válida para veículos de qualquer marca e deveria vir em todos os manuais.

CUSTA US$ 300,00 e está disponível em parte da rede Michelin o monitor remoto Schrader de pressão dos pneus. O equipamento é exigido nos EUA para pickups e utilitários esporte. Exibe no painel pressão e temperatura em cada roda e aviso no caso de furo que faça a pressão cair rapidamente. Funciona com bateria de longa duração.
Sentimento de Injustiça
21/05/2007 - Fernando Calmon
É inegável que o Brasil tem um dos sistemas de trânsito mais perigosos do mundo. As estatísticas oficiais apontam 35.000 mortos em 2006. Entretanto, no mesmo ano as seguradoras indenizaram os parentes de quase 62.000 pessoas falecidas em acidentes. Essa diferença aparece porque o governo só registra os óbitos no local. O seguro cobre todas as ocorrências, inclusive de exercícios anteriores, e pode haver uma taxa pequena de fraudes apesar das investigações.

Um número estimado em torno de 45.000 mortos seria o correto, pelo critério internacional de computar os falecimentos até 30 dias depois do acidente. Se considerada a frota real de veículos, e não a que aparece inflada nos números do Contran, a situação fica ainda pior: quase 150 mortes/ano para cada 100.000 veículos, incluindo-se motocicletas. A comparação aos EUA ou à Europa ocidental — 12 mortes por 100.000 veículos — é chocante.

Tal diferença se combate com educação, investimentos técnicos e fiscalização. No caso brasileiro, educação convencional e no sentido mais amplo por meio de campanhas permanentes de segurança e aperfeiçoamentos na formação de novos motoristas. A engenharia de trânsito permite planejamento, melhores soluções e pesquisas sobre acidentes. A fiscalização deve ter credibilidade, deixando de lado a função meramente arrecadatória.

Muito correta foi a entrada em vigor, esta semana, do retorno de sinalização dos radares que controlam a velocidade em ruas e estradas, como já acontecia até 2003. A maioria dos países coloca placas de advertência. Alguns, de fato, usam dispositivos eletrônicos portáteis, como reportagens na televisão mostraram. Porém, esqueceram de informar que nesses países é livre o uso de detectores de radar por parte dos motoristas.

De qualquer forma, o mais importante dessa resolução do Contran nem é o fato de proibir os aparelhos escondidos ou a regulamentação da distância máxima das placas. Merece aplausos a obrigatoriedade de estudos até novembro, inclusive disponíveis ao público, que comprovem a necessidade e a eficácia de todos os medidores de velocidade. Em vários casos isso não ocorre ou são impostos limites baixos demais apenas para gerar receita extra. Implica descrença na autoridade de trânsito e nenhuma conscientização de que, realmente, se tenha feito algo de errado. Gera sentimento de injustiça.

A nova lei foi além. Recomenda o uso de barreiras eletrônicas explícitas em trechos de altos índices de acidentes não-inibidos pelos radares de localização duvidosa. Como os totens são mais caros por indicar em um painel a velocidade de cada carro — em prol da segurança — e ao mesmo tempo diminuem bastante o número de infrações, tornam-se nada atrativos em termos de receita. Agora há esperança de fim dos abusos.

RODA VIVA

ESTRATÉGIA inteligente da Renault ao oferecer, pela primeira vez entre modelos de preço acessível, a garantia total por três anos ou 100.000 quilômetros para o novo Logan. Projetado visando custos baixos de produção, permite flexibilidade de melhor acabamento e maior prazo de garantia sem subir o preço. O sedã começa a ser vendido em julho já com índice de nacionalização de 80%.

ESTÁ difícil a Volkswagen conseguir antecipar o sedã derivado da quinta geração do Gol, previsto para o primeiro trimestre de 2008. Voyage deve ser mesmo o nome, mas sairia mesmo depois do Gol. Alguns detalhes de estilo foram mudados a pedido do presidente mundial da VW, Martin Winterkorn, que esteve em São Bernardo do Campo (SP).

CARRO de tração dianteira com inédita distribuição de peso de 50% para cada eixo graças à estrutura de 69% em alumínio e 31% em aço. Um feito técnico da Audi conquistado no novo TT, cupê médio-compacto. Motor turbo de 200 cv é o mesmo do A3. Dirigibilidade excelente, interior de muito bom gosto e porta-malas maior do que concorrentes diretos (Mercedes SLK e BMW Z4) são outros destaques. Mais leve, apresenta mesmo desempenho do TT anterior de 225 cv.

MOTOR flex tardou, mas fez bem ao Ford Focus. Agora dispõe de 113 cv, quando utilizando álcool (2 cv extras em relação ao mesmo propulsor no Fiesta e no EcoSport). Isso o coloca em vantagem em relação a concorrentes com motor de 1,6 litro. Potência específica alta cobra seu preço em termos de consumo frente aos rivais. Continua um carro que transmite sensação de solidez e comportamento em curvas exemplar.

IDÉIAS simples também podem causar bons efeitos. Bantec Recaro aproveitou o acabamento perfurado — para melhor ventilação — dos seus bancos de couro e usou cores contrastantes nas faces interna e externa do revestimento. Dependendo do ângulo de visão e incidência de luz permite discreta nuance de cor. O Dual Color tem três opções: preto/vermelho; preto/bege e cinza/vermelho.

ESSA coluna recebeu mensagem, com foto de uma faixa de publicidade, denunciando uma borracharia: aluga pneus para que o carro seja aprovado na vistoria realizada no Rio de Janeiro. Tudo feito às claras, sem a menor sensação de culpa.
Ídolo de uma Geração
14/05/2007 - Renato Bellote Gomes
Toda geração de garotos tem seus ídolos. Não estou falando de bandas de rock ou atrizes de cinema. Os sonhos de consumo aos quais me refiro têm quatro rodas, potência e algo intangível que deixa milhares de corações acelerados ao cruzar a esquina.

Em meados da década de 80, Gol GT e Escort XR3 ocupavam um lugar de destaque na mente da molecada. Depois, vieram o GTI – primeiro nacional equipado com injeção eletrônica – e Kadett GS. Na minha época, um outro GTI – desta vez com 16 válvulas – chamava a atenção no trânsito, pelas rodas de quinze polegadas e bolha no capô.

O administrador de empresas Márcio Valente foi um desses garotos. No final da década de 70, era apaixonado por um modelo da Volkswagen de aspecto agressivo e desempenho excepcional: o Passat TS. “Tinha uns 14 ou 15 anos e ainda não podia ter um desses”, conta.

O tempo passou e os carros mudaram, mas o sonho permaneceu. Há quase cinco anos, uma oportunidade única apareceu para torná-lo realidade. Um casal de japoneses estava vendendo um exemplar. Eles haviam comprado o veículo zero-quilômetro na capital paulista, em 1978.

Márcio desceu a serra – já que eles moravam no litoral – para conferir o modelo. “Estava com as marcas do tempo. A pintura toda desbotada e as rodas pretas”, diz o administrador. Mesmo assim, ele comprou e voltou dirigindo para São Paulo.

A partir daí, começou o árduo trabalho de restauração durante os finais de semana. “Desmontei o carro todo, parafuso por parafuso, com exceção do motor”, diz. Ele ainda me contou que todas as peças foram lavadas, polidas e preparadas para a montagem. “Só saía da oficina para comer na padaria”, relembra.

Todo o esforço – incluindo a pintura – levou cerca de um ano. Até mesmo os vidros dos instrumentos do console central foram polidos e voltaram a ter a aparência original. Um detalhe interessante é o selo com a correta pressão dos pneus, intacto na tampa do reservatório de combustível.

Neste ponto da matéria, vou fazer uma pausa. O leitor deve estar se perguntando como foi que descobri esse carro. Pois bem, a resposta. Estava andando tranqüilamente pela rua quando passei em frente a uma loja de acessórios automotivos. O TS estava estacionado ao lado. Entrei e perguntei sobre o dono, que estava almoçando. Deixei o cartão e aguardei seu retorno, que ocorreu no começo da tarde.

Marcamos no meio da semana para uma conversa mais demorada e a sessão de fotos, essencial para eternizar um carro clássico. Desse modo, em uma manhã de quinta-feira ensolarada, nos encontramos na loja.

O Passat nos aguardava. A primeira coisa que me chamou atenção foi a pintura brilhante. As rodas de 13 polegadas não têm nenhum raspão e os quatro faróis na dianteira – marca registrada da versão – ainda impõem respeito.

Depois de me acomodar no banco, percebi que a posição de dirigir é muito boa. Pode-se ver até a frente do capô. Os cintos de segurança também mostram a originalidade do veículo. Basta soltar a lingüeta da coluna e prendê-la em um suporte localizado no meio dos bancos. O volante de três raios também tem um belo desenho.

Ao girar a chave, um pouco de nostalgia. O motor de 1.600 cm³ e 96 cavalos de potência bruta desperta. O ronco é um pouco grave, graças ao carburador duplo e ao coletor de escapamento – igualmente – duplo. Sem estardalhaço. Aliás, como todo esportivo que se preze deve ser.

Saímos e subimos a Avenida Moema. Enquanto seguíamos em direção ao Planalto Paulista, o Márcio foi me contando que o TS só é abastecido com gasolina Podium da Petrobrás. “Foi uma recomendação do Vinícius Losacco”, diz. “Ele também foi o responsável pela revisão do motor”, finaliza. Para fechar o pacote, a suspensão foi obra da Suspentécnica.

No curto trecho percorrido pude prestar especial atenção no painel, onde o pequeno conta-giros se destaca no centro. O odômetro marcava exatamente 67.755 quilômetros originais. Do lado direito, o rádio de época, com cinco botões, leva a marca Volkswagen.

O maior charme do interior, porém, é o console central, equipado com voltímetro, relógio e manômetro da pressão do óleo. O esportivo deixa muitos carros atuais comendo poeira nesse quesito.

Externamente, destaque para as placas amarelas, confeccionadas especialmente para exposições. As faixas laterais da carroceria despertaram curiosidade e muita gente que passava pela rua torceu o pescoço para dar uma segunda olhadinha no clássico.

O porta-malas ainda guarda o estepe sem uso. Além disso, Márcio tem a nota fiscal, o manual do proprietário e o jogo de chaves reserva do modelo, colocadas no chaveiro da concessionária, que já não existe mais.

Para encerrar a reportagem, percebi que esse TS guarda muito mais do que uma simples história de vida. Ele carrega um sonho realizado, que mantém o “garoto” eternamente jovem cada vez que sai pra dar uma voltinha pelo quarteirão.
Manutenção em Dia
14/05/2007 - Fernando Calmon
Costuma-se dizer que muitos brasileiros só vão ao médico quando sentem dor ou algum incômodo. E a tendência parece igual em relação à manutenção dos veículos. A prevenção, no entanto, mostra um grande valor, não apenas por se tratar de algo racional e seguro, mas também significar economia para o bolso. Seja na máquina humana ou na de locomoção. Nos últimos anos tem ocorrido uma nítida melhora na qualidade dos carros. As garantias contratuais e os intervalos de manutenção foram ampliados. Os prazos entre revisões só não são maiores porque há problemas com os combustíveis e as fábricas e importadores passaram — na contramão do mundo — a antecipar ao invés de esticar os períodos de troca de óleo.

Justamente em função desses aperfeiçoamentos do produto final e dos componentes é que se passou a exigir mais das oficinas e dos técnicos que nelas atuam. A união da mecânica e da eletrônica criou um novo profissional, com maior embasamento teórico e capaz de fazer diagnósticos precisos graças à ajuda de equipamentos computadorizados. O motorista, por sua vez, sabe que um aparelho moderno de análise tem possibilidade zero de erro. Isso pode fazer com que confie mais no resultado de máquinas do que no mecânico desaparelhado. De fato, hoje diminuiu drasticamente a possibilidade de acerto por meios apenas sensoriais do reparador de veículos. Na maioria dos casos, a chamada regulagem com ferramentas à moda antiga decaiu de importância, embora a experiência apresente seu viés incontestável.

De outro lado, peças duráveis rebaixaram o gasto médio anual com manutenção de R$ 600,00, em 1997 para R$ 500,00, em 2006. Troca de óleo é o item principal e os postos de combustíveis são competitivos. O resultado foi o fechamento acelerado de empresas reparadoras, movimento já observado em países consolidados e que se aprofunda aqui. Na verdade mal começou porque no Brasil há uma oficina para cada 200 veículos; nos EUA, uma para cada 1.000 veículos.
Automecânicas independentes ainda respondem por 61% do atendimento da frota; borracharias, postos, autocentros e autoelétricas, 26%; concessionárias, 13%.

Há dois meses a capital paulista, que abriga uma frota gigantesca de quase cinco milhões de veículos, aprovou uma lei estabelecendo junho como mês da manutenção preventiva. O intuito maior é de conscientização e servir de exemplo.
Existem outras iniciativas positivas como a Agenda do Carro e as Inspeções Veiculares Gratuitas de iniciativa do portal WebMotors, do jornal Oficina Brasil e de fabricantes de autopeças. Enquanto não chega a inspeção obrigatória, tais campanhas se esforçam em convencer o motorista a cuidar melhor do automóvel a fim de evitar acidentes, panes, poluição e até economizar frente a gastos inesperados.

Lamentável que na recente Automec, maior feira do setor, se vissem ofertas de várias máquinas de limpeza de bicos injetores ou descontaminação preventiva de motores. “É prática de mercado”, segundo um entrevistado. Entre os expositores apenas a Bosch condenou essas operações abusivas. São ações deletérias que nem mesmo as fábricas de veículos conseguem combater, e só encarecem as despesas de manutenção legítimas.

RODA VIVA

HYUNDAI confirmou, de sua sede na Coréia do Sul, que construirá uma segunda fábrica no Brasil para 100.000 unidades/ano. Não estipulou prazo e nem produtos, mas tudo indica que produzirá modelos da divisão Kia em parceria com o Grupo Gandini, no litoral sudeste. A unidade recém-inaugurada de Anápolis (GO) com o Grupo Caoa fabricará apenas modelos Hyundai.

PREVISÃO de C. Belini, presidente da Fiat do Brasil, aponta para vendas internas totais da indústria automobilística de 2,4 milhões a 2,5 milhões de veículos (autos e comerciais) em 2008. Ou seja, mais uma expansão recorde em torno de 15% que justifica a nova leva de contratações anunciadas. Indicador mais presente é do aumento na comercialização de carros usados pelas lojas independentes do Estado de S. Paulo: nada menos de 43% sobre janeiro-abril de 2006.

NISSAN virou o jogo quanto ao estilo do novo Sentra. O sedã não passa despercebido em meio ao trânsito, mesmo na nada atraente cor preta. Ao contrário do Civic, o quadro de instrumentos é convencional. Volante apresenta inclinação para frente maior do que o desejável. Câmbio automático (CVT) funciona bem, mas marchas virtuais seriam bem-vindas para variar a característica de rotação constante, especialmente em acelerações fortes.

PODE haver desdobramentos futuros em relação à venda anunciada de 80% da divisão Chrysler, da ex-DaimlerChrysler. A empresa alemã fabricante dos Mercedes-Benz e Smarts, agora apenas Daimler, manteve 20% das ações. A Cerberus, companhia de investimentos compradora, na verdade é sócia da GM no seu braço financeiro GMAC. Se a GM readquirir o que vendeu à Cerberus — a opção existe —, dá para concluir logo quem será a verdadeira dona da Chrysler. Esse é o mundo cada vez mais intrincado da indústria automobilística.
Ameaças ao Abastecer
07/05/2007 - Fernando Calmon
Fraudes nos postos de serviços não chegam a ser novidade, mas o nível de reincidências aumentou e preocupa muito. Bastou uma série de reportagens da maior rede de TV do País para que algo fosse feito e o problema começasse a vislumbrar alguma solução pelo menos paliativa. Falhas de legislação e precariedade de fiscalização, além da tradicional morosidade da Justiça brasileira, complicam ainda mais o quadro. Todos perdem: o motorista, os fabricantes com discussões e aumento de custos de garantia e, claro, a grande maioria de donos de postos e distribuidoras honestas que sofrem com a concorrência desleal e o abalo de suas marcas.

Imagens na televisão e fotos de jornais com blocos de concreto junto às bombas de combustível em São Paulo (SP) chocaram. A certeza da impunidade ultrapassou a repetida quebra de lacres e a volta ao funcionamento de estabelecimentos já interditados. Entrevistado por telefone, um fraudador simplesmente zombou do repórter. Alguns vendiam gasolina adulterada só um pouco abaixo do preço de mercado porque vários motoristas desconfiam de preços muitos baixos e de postos sem bandeira. O pior são aqueles que mantêm a bandeira de uma distribuidora tradicional, mesmo descredenciados, aproveitando-se de apelações judiciais. Só no Estado de São Paulo são mais de 200. O logo da rede 13R é praticamente igual ao da BR. As distribuidoras ajudariam se publicassem na Internet os endereços de todos os postos regulares para quando houvesse dúvidas.

Um dos problemas de fiscalização diz respeito à inoperância da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Há apenas oito fiscais para 2.000 postos na capital paulista. Porém, logo depois das denúncias na TV, saiu do papel um convênio com o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) da prefeitura assinado há um ano e meio. Continua pouco — 10 fiscais extras —, mas ajuda. Também não se compreende o descontrole no uso de solventes na adulteração da gasolina com sérios prejuízos aos motores.

A fraude mais grosseira é o teor de álcool acima dos 25% previstos em lei. Graças à disseminação dos motores flex, essa coluna já comentou que o motorista, quando usando gasolina, nada percebe de diferente, embora seja lesado duplamente no preço e no aumento de consumo, além da menor autonomia. Mesmo em motores a gasolina, 40% ou 50% de álcool, por exemplo, traz grandes lucros para os fraudadores e torna-se difícil a percepção por parte do motorista comum. Sensor de álcool acoplado às bombas de gasolina deveria ser motivo de estudo imediato pela ANP. Afinal, bombas de álcool incluem obrigatoriamente densímetros termocompensados para controle do teor de água.

Outra preocupação é a repetição de casos de carbonização severa, com sérios prejuízos, em motores a gasolina de baixa quilometragem. Limpezas químicas vendidas em concessionárias não funcionam. Afeta praticamente todos os fabricantes e a maioria no eixo São Paulo—Rio. Ainda se investigam as causas, mas pode estar ocorrendo simples contaminação no transporte. A desconfiança recai sobre caminhões que levam óleo vegetal ou biodiesel sem os cuidados necessários ao trocar para gasolina.

RODA VIVA

MÉDIA diária de vendas no primeiro quadrimestre do ano superou em 21% igual período de 2006. Este será, com certeza, um ano recordista, acima de 2,2 milhões de unidades. É bom, porém, relembrar: dez anos atrás se chegou ao patamar de quase 2 milhões. Por baixo, volume do mercado interno deveria estar em 3 milhões/ano. Portanto, ainda estamos no prejuízo.

FIAT oferecerá também rastreador de graça no Stilo, em breve. Ao contrário da precursora Volkswagen, a fábrica vai bancar o serviço no primeiro ano. Câmbio manual automatizado estará na lista de opcionais. Nesse item o Stilo tem ficado atrás de outros hatchs: Astra, Golf, Focus e 307. Até um compacto — o 206 — oferece agora câmbio automático.

LINHAS ousadas, espaço interno bastante amplo, suspensão hidropneumática ativa, gama de acessórios de série de impressionar. Do banco traseiro há comando elétrico para avançar o banco do passageiro dianteiro. Assim é o Citroën C6, ao preço bem competitivo de R$ 230.000,00. O V6/3 litros/215 cv tem desempenho bom, mas inferior ao do C5, do segmento abaixo (mais leve), que utiliza o mesmo motor com apenas 5 cv a menos.

REMODELAÇÃO total do Freelander 2 mostra a Land Rover no caminho certo. O carro ficou mais agradável de dirigir, a começar pela sonoridade inigualável de um dos raros motores 6-cilindros em linha do mercado mundial. Contrariando a tradição da marca e o que sugere seu visual, vai melhor no asfalto civilizado. Fora de estrada a suspensão é ruidosa e dura, enquanto controles eletrônicos ajudam em terrenos difíceis.

MAIORIDADE penal aos 16 anos (caso aprovada) pode, finalmente, consentir que jovens a partir dessa idade tirem carteira de habilitação. O advogado Vanderlei da Silva Jr. lembra ser necessária aprovar lei específica. Resolução do Contran seria inaplicável.
 
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