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Colunas do mês de Abril / 2008  
Os pequenos da vez
28/04/2008 - Fernando Calmon
O Sindipeças concluiu recentemente o levantamento da frota circulante brasileira. É um trabalho anual bem-feito que utiliza estatísticas de produção de veículos e estudos de sucateamento, além de referências de roubo, furto e perda total por acidente. Traça-se o perfil da frota segundo a idade, o combustível e o tipo de carroceria para orientação aos associados sobre o que produzir (e quanto) para o mercado de peças de reposição. Apenas um resumo é divulgado. Em dezembro de 2007 havia 25.806.813 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no País, mais 7.329.257 motocicletas. A taxa de motorização (sem as motos, conforme critério internacional) alcançou 7,1 habitantes por veículo, bem próximo à média mundial estimada em torno de 6,7.

Por esses números ainda temos muito chão pela frente para crescer. Entre os problemas estão a rapidez de crescimento líquido da frota (descontado o sucateamento) e a falta de infra-estrutura viária, tanto urbana como rodoviária. É comum indicar o ritmo de emplacamento de veículos novos – fácil de obter –, sem ao menos estimar o que sai de circulação. Na realidade, existe descontrole oficial da frota. Isso falseia dados sobre mortos e feridos em proporção aos veículos em circulação, pintando um quadro menos grave que o real.

Segundo o Sindipeças, 62% da frota total são de veículos pequenos e com tendência a crescer. Interessante verificar que, no mundo, os carros pequenos estão avançando, estimulados pelo preço alto do combustível e a ânsia em adquirir o primeiro automóvel. Ocorre agora um debate mundial em torno do tema. Grandes fabricantes estão de olho no emblemático Tata Nano, minicarro indiano. Anunciado por apenas US$ 2.500 (pouco mais de R$ 4.000,00), deve alcançar com impostos e margens de venda cerca de R$ 5.000,00, quando estrear no segundo semestre.

Há dúvidas se um carro bastante despojado e de aparência frágil, como o Nano, teria mercado no Brasil. Muitos acham que, ao contrário da Índia, o comprador consideraria um retrocesso em relação ao que já existe aqui. Outros imaginam um nicho razoável de explorar. Os impostos, porém, atrapalham muito. O primeiro automóvel chinês começa agora a ser vendido. O Changhe M100, subcompacto de quatro portas importado pela Effa Motors, por R$ 23.000,00, tornou-se o mais barato disponível (Mille duas-portas, R$ 23.500,00).

A estratégia da Effa parece cautelosa, evitando assustar a concorrência. Primeiro lote de apenas 400 carros vem com vários mimos: ar-condicionado, CD player, vidros dianteiros elétricos, alarme, farol de neblina. O motor Suzuki de 1.000 cm³ tem apenas 47 cv, antevendo desempenho fraco apesar do baixo peso. Há planos de produção no Uruguai, mas não se sabe se o imposto de importação de 35% já está sendo absorvido pelo fabricante por conta (carros produzidos no Mercosul não pagam).

Hoje existe uma corrida mundial aos carros pequenos alternativos. VW, Toyota, GM, Renault, Fiat, Chrysler e outros estão alinhados, alguns com protótipos exibidos em salões. Nem todos serão baratos: sem imposto de importação, ficariam na faixa de R$ 30.000,00. Resta ver como o Brasil entrará nessa disputa, ainda por definir.

RODA VIVA

PRESIDENTE da VW, Thomas Schmall, concorda com a tese da coluna: mais do que as novidades, importa ter capacidade de atender a demanda por novos carros. Cenário atual está tão pressionado que, para segurar participação de mercado, vale tudo: importar mais, exportar menos, deslocar produção para a Argentina. Mesmo quem possui capacidade livre, como a Renault, ainda deve brigar pelas peças.

BOM trabalho de engenharia de motores é o maior destaque da linha VW 2009, lançada quatro meses antes da época tradicional. Filosofia está correta. Tanto o motor de 1 litro, como de 1,6 litro (agora com 12,1 de taxa de compressão) exibem até 8% de aumento de torque. Permitiu alongar a transmissão e, em conseqüência, mais silêncio no habitáculo, além de previsível diminuição de consumo.

FINALMENTE, o Congresso aprovou a dosagem zero de álcool no sangue. Na prática, o motorista terá que esperar no mínimo uma hora para cada lata de cerveja ou dose de destilado ingerida, antes de dirigir, mas não convém arriscar. Ao mesmo tempo, a proibição de venda de bebidas alcoólicas ficou definitivamente restrita apenas às estradas federais rurais. Exceções acabariam desmoralizando a lei.

QUEM diria que um produtor de álcool poderia adquirir uma rede de postos de uma multinacional petrolífera... Pois a Cosan, maior empresa brasileira do setor de biocombustíveis, arrematou toda a cadeia Esso no Brasil. Começa com 7,2% de participação no mercado total e se estranha que não houvesse ocorrido mais cedo. Teremos álcool mais barato nesses postos?

VALEO prepara-se para oferecer brevemente, no mercado brasileiro de acessórios, uma minicâmera com quatro funções: duas vigiam manutenção de trajetória e as outras filmam cenas de acidentes e a presença de movimento à frente. Preço estimado na faixa de R$ 500,00.
Motovelocidade em Santa Cruz do Sul
22/04/2008 - Gisele Flores e Jaime Nazário
Duelos emocionantes nas provas das categorias Superbike, Hornet e 250 cc empolgaram as mais de sete mil pessoas que foram ao Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul para acompanhar a 2ª etapa do Campeonato Brasileiro e 1a etapa do Campeonato Gaúcho neste domingo, 20 de abril.

Na etapa de Santa Cruz do Sul sempre há acidentes, e desta vez não foi diferente. Na primeira bateria da categoria Superbike, 9 pilotos se embolaram e caíram logo na primeira curva, provocando a interrupção da prova. Ninguém se machucou gravemente, e foi realizada uma nova largada. Ao final, Gilson Scudeler venceu as duas baterias e se isolou na liderança do campeonato.

A prova da categoria Hornet mais uma vez foi bem acirrada. A poucos metros do fim o gaúcho Maico Teixeira, que fazia sua estréia nesta categoria, mesmo com a mão machucada, ultrapassou Fábio Peasson, que caiu na última curva. Maico chegou em primeiro, e comemorou muito. “Não tem explicação vencer em casa. É bom demais, ainda mais que foi a primeira vitória de um gaúcho aqui em Santa Cruz”, afirmou. Alecsandre Brieda, o "Doca", chegou em segundo, mas foi desclassificado porque o chicote da moto estava alterado. Herbert Zangrossi também foi desclassificado, por usar combustível adulterado. O segundo lugar ficou então com Carlos Cruz e o terceiro com William Pontes, o "Pamonha".

Na 250cc, Igor Calura liderou de ponta a ponta. O terceiro colocado foi Renan Ricardo. Sandro lidera o campeonato nacional com 40 pontos. Igor tem 32.

A categoria 250cc teve um destaque especial por contar com as únicas duas mulheres da motovelocidade nacional, e que são gaúchas: Michele Carpin e Gisele Flores, que estreou na competição. Ao final, Gisele estava muito feliz por completar a prova. "Tive que enfrentar muitas dificuldades para estar aqui. Minha moto ficou pronta somente na quinta-feira e pude treinar só na sexta e no sábado para correr no domingo. A preparação não estava adequada, mas o pior foi o preconceito dos demais pilotos que tive que vencer. Tanto eu quanto a Michele temos muita coragem para estar aqui, porque somos muito discriminadas, mas provamos que temos valor e que muitas outras mulheres ainda virão para fazer bonito na motovelocidade.", desabafou Gisele, que marcou seus primeiros 5 pontos, por ter finalizado em 11o lugar pelo Campeonato Gaúcho.

Confira abaixo os 3 primeiros colocados de cada bateria da 2ª etapa do Campeonato Nacional, em Santa Cruz do Sul:

Superbike – 1º bateria

1- Gilson Scudeler
2- Murilo Colatreli
3- Robson Portaluppi

Superbike – 2º bateria

1- Gilson Scudeler
2- Danilo Andric
3- Murilo Colatreli

Hornet

1- Maico Teixeira
2- Carlos Alberto Cruz
3- William Pontes

250cc

1- Igor Calura
2- Sandro Paganelli
3- Renan Ricardo

250 JR

1- Douglas Figueiredo
2- Murilo Lara
3- Ricieri Alberto

Confira abaixo os 3 primeiros colocados de cada bateria da 1ª etapa do Campeonato Gaúcho, em Santa Cruz do Sul:

Superbike - 1º bateria

1- Robson Portaluppi
2- Sarin Carlesso
3- Alexandre "Penélope"

Superbike - 2º bateria

1- Robson Portaluppi
2- Alexandre "Penélope"
3- Sarin Carlesso

Hornet

1- Maico Teixeira
2- Basílio Vivan
3- Adelmo Kohl

250cc

1- Renan Ricardo
2- Marciano Santin
3- Bruno Schunk
9- Michele Carpin
11- Gisele Flores.
Orquestra desafinada
22/04/2008 - Fernando Calmon
Os consumidores continuam indo às compras sem, aparentemente, se preocupar com o aumento da taxa básica de juros (Selic). Abril deve fechar com outro recorde de vendas, mas a agitação nos bastidores da indústria fervilha. Em curto prazo a preocupação se concentra na greve dos auditores fiscais. Encerrada agora depois de mais de um mês, deixa um rastro de desorganização na cadeia de importação e exportação de componentes. Além de recorrentes, essas greves trazem prejuízos graves à credibilidade do comércio exterior do País.

Os reflexos na produção de veículos serão sentidos nas próximas semanas. Se já estava difícil encontrar o carro na versão e opcionais desejados, a dificuldade vai aumentar. Não existem sinais à vista de que a demanda deixará de superar as previsões da própria indústria automobilística. É intricado para a nova leva de compradores nos salões das concessionárias entender por que a produção deixa de acompanhar o ritmo forte da procura.

Executivos do setor costumam dizer que se trata de um bom problema: mais fácil administrar o excesso do que a falta de demanda. De fato, a reação até tem sido rápida. Em quatro anos a produção cresceu 65%. Não é pouca coisa. O principal entrave concentra-se no tamanho da cadeia produtiva, uma das mais longas da economia. O segmento de fornecedores apresenta vários níveis e especialidades (da matéria-prima às autopeças). As arestas estão no terceiro e quarto níveis, ou seja, na base de fornecedores de capital nacional, descapitalizados e devendo ao fisco.

O Sindipeças reconhece que os chamados gargalos produtivos atrapalham bastante. Em breve concluirá um estudo que levantará a efetiva capacidade instalada e a competitividade da indústria de autopeças no Brasil. Os investimentos prosseguem: em 2008 crescerão 18,5%, atingindo US$ 1,6 bilhão. As rusgas com os fabricantes de veículos em torno de preços e recuperação de margens perdidas no tempo sempre surgem, mas acabam se entendendo. Afinal, uma frota real de quase 26 milhões de unidades (crescimento de 6% de 2007 sobre 2006) é atrativa em qualquer lugar do mundo, além da taxa de motorização ainda por expandir.

Imbróglio maior é resolver a baixa capacidade de investir dos pequenos industriais. Dinheiro disponível até existe no BNDES, o banco federal de fomento. O enrosco se dá porque longos anos de dificuldades econômicas levaram a maioria deles para o triste CDN (Cadastro Nacional de Devedores) ou outra sigla mais elegante para quem deixou de pagar impostos escorchantes. De vez em quando, o governo oferece planos de reabilitação, porém não parecem suficientes.

Fornecedores de primeiro e segundo níveis, ou mesmo as grandes marcas automobilísticas, talvez pudessem se juntar para alguma espécie de aval. Tomar essa providência – salvo iniciativas bem pontuais –, segundo se sabe, passa ao largo, quiçá a uma grande distância. Outro fato: de 1995 a 2007 a participação das matérias-primas nos custos de produção das autopeças subiu de 36% para 63%, exigindo ainda mais capital de giro.

A festa nas concessionárias não acabou, mas uma orquestra desafinada pode atrapalhar e causar muita confusão. Os músicos precisam se entender.

RODA VIVA

FIAT reabilitará o motor de 16 válvulas em busca de maior potência, premida pela fase de escalada de desempenho que assola o mercado. Motor Fire de 1,4 litro deve passar a 105 cv (álcool), inicialmente para o Punto, pesado demais para o propulsor atual. Volkswagen acaba de aumentar também para 105 cv a potência do seu 1,6-litro. Coincidentemente, ambos no mesmo patamar do 1,4-litro (8 válvulas) mais forte da GM...

ASSOCIAÇÃO de importadores independentes, conhecida como Abeiva, está recuperando musculatura. Até o segundo semestre deve subir de 8 para 15 associadas. Além de mais duas marcas chinesas, esperam-se Chrysler, Dodge, Jeep (desligadas da Daimler), mais Jaguar e Land Rover (ambas ex-Ford). No primeiro trimestre, puxadas pela Kia, as vendas cresceram 200% em relação a 2007.

EMBORA não apresente a suavidade nas trocas de um verdadeiro câmbio automático, o automatizado do Stilo tem ótimo desempenho. Modo automático permanece ativo mesmo depois de selecionar manualmente uma marcha, sem necessidade de reposicionar a alavanca. No pára-e-anda do trânsito, desde que o carro esteja no plano, é possível arrancar suavemente em segunda marcha, sem danos à embreagem.

JEEP Cherokee Sport avançou em termos mecânicos, além de retoques de estilo. Tração 4x4 é permanente. Bitola e entreeixos um pouco maiores e caixa de direção por pinhão e cremalheira (finalmente) melhoraram a dirigibilidade. Suspensão dianteira independente e traseira por eixo rígido (passou a multibraços) também respondem por nítida evolução em estabilidade direcional e curvas.

MOTOR V6 no Chrysler 300 C permitiu baixar o preço para R$ 140.000,00 (18% abaixo do V8) e ainda assim se mostra mais do que suficiente para o seu porte avantajado. Fábrica demorou demais para oferecer essa melhor opção.
Improvisação é um fato
15/04/2008 - Fernando Calmon
Pesquisa divulgada pela Toyota, no lançamento do Corolla no mês passado, destacou uma tendência que cresce nos últimos anos. Mais pessoas estão tendo acesso ao carro zero-quilômetro pela primeira vez. Não se trata de uma medição científica, mas um indicador baseado em entrevistas. Na média, cerca de 10% do total das vendas em 2007 foi para compradores do primeiro carro novo. Nesse volume se enquadram tanto quem nunca adquiriu um veículo anteriormente, como pessoas que antes só reuniam condições financeiras de comprar automóveis usados. Em 2004 a proporção era de apenas 3,5%.

Essa demonstração explícita de vigor do mercado brasileiro que – tudo indica – vai continuar deve fazer o País alcançar pela primeira vez (em 2008 ou 2009) uma taxa de motorização superior à média mundial – em torno de seis habitantes por veículo. Nada de excepcional porque a Argentina está perto dos cinco habitantes por veículo, mas serve de alerta para que governantes comecem a implantar ações de administração e planejamento de trânsito. Tais providências sempre foram negligenciadas e respondem pela maior parte dos congestionamentos que chegaram até a cidades de porte médio, sem falar nas estradas.

Administrar conflitos de tamanho deveria estar entre as principais preocupações por razões de segurança e fluidez. No caso dos caminhões salta aos olhos a insuficiência ou mesmo ausência de anéis rodoviários em torno das cidades, de modo oposto ao que ocorre em países bem governados. Com um pouco mais de interesse pelo problema se evitaria o atraso de uma medida conveniente: limitar a circulação de caminhões de grande porte por ruas e avenidas já congestionadas e transferir operações de carga e descarga para o período noturno. É inacreditável que só agora isso vá acontecer em São Paulo e serve de exemplo para outras cidades.

Acidentes envolvendo caminhões por falta de manutenção – em especial dos freios – costumam ser catastróficos. O ocorrido em Santa Catarina, recentemente, é algo inadmissível. Um caminhão não conseguiu parar num bloqueio para atendimento de uma grave ocorrência (7 mortos) e matou quase três vezes mais pessoas (20 mortos). A causa foi fácil de apurar: 70% dos circuitos de ar dos freios estavam isolados. Segundo Paulo Gottlieb, da empresa de inspeção Transtech, de Pinhais (PR), trata-se de uma mistura de irresponsabilidade e ignorância:

“Vazamento de ar provoca acionamento automático dos freios por questão de segurança. O motorista, para prosseguir viagem, isola o eixo ou eixos afetados. Ele acredita que com cinco ou seis eixos uma carreta poderá continuar circulando apesar do problema. Isso é um grave erro”. Nas cidades, ônibus e caminhões malconservados chegam a perder o eixo traseiro por falha ou falta de manutenção. Uma multa pesada poderia amenizar o problema, inclusive no caso de panes comuns pelo potencial de congestionamentos provocado.

Não há mais lugar para verbas escassas em questões de trânsito. Falta comunicação em tempo real, orientadores em carne-e-osso, energia emergencial para sinais de trânsito e até guinchos para remoção. Até quando a improvisação vai imperar? Chega de culpar só o excesso de veículos.

RODA VIVA

HARALD Wester, diretor de tecnologia da Fiat, na Itália, confirmou para 2010 o lançamento do sucessor do Uno. Até se confundiu nas declarações à revista alemã Auto Motor und Sport: referiu-se ao Palio como o “modelo de baixo custo para mercados emergentes”. Disse ainda que o Fiat 500 deverá ter versão de exportação para os EUA, produzida no Brasil ou Argentina. Aqui se nega tudo...

ENTRE as sofisticações no novo Accord, agora importado do Japão, está o controle que desliga 2, 3 ou 4 cilindros do motor V6, quando condições de tráfego permitirem, para economizar gasolina. Antes só 2 ou 3 cilindros eram suprimidos. Há também cancelamento de ruído por contrafreqüência mesmo com sistema de áudio desligado. Preço: R$ 144.000,00 (R$ 100.000,00 quatro-cilindros).

CENTRO de design da Renault para a América Latina agora se instalou numa casa, no sofisticado bairro Jardins, da capital paulista. Deseja captar eflúvios da região latina e, com o tempo, influenciar mais em futuros projetos mundiais. Trabalha em versão descompromissada – pickup Sandero – como carro conceito para o salão do automóvel de São Paulo, em outubro.

ACORDOS pontuais continuam. Nissan e Chrysler anunciaram mais dois, além da versão sedã do Tiida com emblema da marca americana, a ser exportado ao Brasil. Chrysler produzirá picape de grande porte para a Nissan. A japonesa fabricará um carro compacto inovador para a Chrysler. Trata-se de acerto industrial, pois cada marca responderá por projeto e estilo próprios.

MASERATI GranTurismo chega ao Brasil um ano depois de lançado. Versão única de R$ 760.000,00 e – quem diria – só com câmbio automático tradicional (da alemã ZF). Câmbio manual automatizado foi deixado de lado. Além de bonito, tem interior sofisticado e dois lugares traseiros razoáveis.
Novos Macacões Race BannyPel Moto
14/04/2008 - Gisele Flores e Jaime Nazário
A BannyPel Moto é uma empresa nacional especializada na produção de roupas e acessórios para motociclistas e, durante as provas de motovelocidade da 2a etapa do Campeonato Brasileiro e 1a etapa do Campeonato Gaúcho, apresentará sua nova linha 2008 de macacões "Race".

Para atuar como "modelos", os colunistas e pilotos, Gisele Flores e Jaime Nazário, estarão disputando provas com estes novos macacões.

Continuamente, a BannyPel Moto aprimora seus produtos. Todo ano são incorporados melhoramentos e novas tecnologias que proporcionam maior proteção e melhor desempenho para os pilotos. Não é a toa que vários poderão ser flagrados utilizando macacões da BannyPel Moto. Muitos ainda com modelos mais antigos, de tão duráveis e resistentes que este produtos são.

Além de garantir um belo visual para quem os veste, os macacões "Race 2008" possuem recursos de proteção que ajudam decisivamente na proteção da integridade física e até mesmo da vida dos pilotos.

Os macacões "Race 2008" são confeccionados em couro vacun, relax, 12/14 linhas (décimos de mm) de primeira qualidade e com anti-mofo. Utilizam zíperes da marca YKK, que é a maior fabricante destes artigos no mundo. As costuras são feitas com linha de nylon 60 reforçada. As proteções especiais internas são em ABS e PE, sendo removíveis e ajustáveis. O forro é de 100% poliamida, com aberturas para que o couro possa absorver suor sem causar desconforto e o macacão pode ser microperfurado ou não, conforme a preferência do piloto.

Aliás, adequar os macacões às preferências e aos tipos físicos dos pilotos é um dos maiores destaques da BannyPel Moto. Cada confecção de macacão é feita absolutamente sob medida e, para total adequação da roupa, são avaliados 22 pontos do corpo que garantirão um ajuste perfeito. Para proporcionar mais mobilidade, é aplicado stretch de cordura na virilha, barriga e parte interna das mangas.

Tal é a flexibilidade de produção que a BannyPel Moto pode confecionar um de seus modelos "Race 2008" em várias combinações de cores ou criar um modelo totalmente customizado, conforme projeto idealizado pelo cliente.

Para contatos, a BannyPel Moto atende pelo telefone (51) 3545.5552. Os interessados também podem acessar o site www.bannypelmoto.com.br e ver vários diferentes modelos disponíveis para escolha.
A Hora e a Vez das Mulheres
14/04/2008 - André Belchior Torres
A sociedade tem passado por sérias mudanças nas últimas décadas, quebrando paradigmas até então invioláveis. Uma das mudanças mais acentuadas ocorre no perfil do consumidor atual. Embora ainda vivamos numa sociedade predominantemente machista, as mulheres têm tomado lugares que há pouco tempo atrás eram exclusivos dos homens.

Desde o movimento feminista dos anos 60 a mulher tem sido vista com outros olhos na sociedade ocidental. Porém, foi a partir dos anos 80 que essa mudança tornou-se mais evidente. Isso vem acontecendo por fatores que influenciam a sociedade de forma geral. A conquista no mercado de trabalho, com níveis hierárquicos e salários bons tornou-se a principal causa da emancipação da mulher. Se antes elas se contentavam em serem sustentadas pelos maridos e cuidar do lar era uma opção de vida, hoje elas estão em busca da emancipação, da independência, da liberdade de expressão e do auto-sustento. Aliando a facilidade de informação, o que traz conhecimento de produtos que antes era exclusividade dos homens, como o carro, e as opções que o mercado oferece, as mulheres vieram para ficar.

Algumas características podem ser encontradas nesse novo perfil de consumidor. Geralmente as mulheres ouvem pouca opinião na hora de decidir uma compra, especialmente tratando-se de movimentações financeiras, férias, eletrodomésticos, entre outros. A personalidade da consumidora não pára por aí. Elas gostam de comprar em locais agradáveis como shoppings centers, preocupam-se com os preços, porém, segundo pesquisas, mais de 90% delas estão dispostas a pagar mais para ter um produto ou serviço de melhor qualidade e um atendimento diferenciado.

A reputação da empresa e a confiança na marca também são fatores importantes na decisão da compra. A influência dos meios de comunicação tem ajudado nessa conquista feminina. Embora não sejam leitoras assíduas de jornais, a televisão exerce a principal influência. A internet é uma ferramenta poderosa para que a mulher seja cada vez mais independente em relação ao consumo.

As opções no mercado automotivo é a prova disso. É muito comum encontrar mulheres com interesse pela compra de um veículo depois de ter pesquisado com afinco na web o modelo desejado. Isso tem se tornado cada vez mais freqüente, ao ponto delas já serem responsáveis diretamente por mais de 40% do mercado de carro no país.

Indiretamente elas ainda exercem poder de decisão na compra dos carros de seus parceiros. A cor do veículo, por exemplo, é decidida pela mulher em 90% das aquisições. As mulheres estão cada vez mais exigentes e as empresas estão mudando suas estratégias para poder satisfazê-las. Os veículos, a cada dia que passa, procuram atender cada vez mais os interesses femininos. As mulheres olham os veículos de dentro para fora. Conforto e visibilidade são essenciais na escolha de um modelo. Isso segue com detalhes como porta-treco, espelhos do lado do motorista, bancos que não desfiam as meias e suporte para óculos. Também já estão acostumadas a equiparem seus carros com acessórios de segurança, som e outros.

Outra curiosidade no mercado automobilístico é com relação ao atendimento. As empresas estão descobrindo que contratar mulheres para área de vendas é uma boa alternativa. Os resultados estão aparecendo pelo fato de falarem a mesma linguagem das consumidoras. Estamos vivendo um momento ímpar para as mulheres do setor. Geralmente elas estão entre as campeãs de vendas nas concessionárias, pois tem maior sensibilidade em captar os desejos das consumidoras.

Não resta dúvida que a economia está se adaptando a esse novo perfil do consumidor. O respeito e a credibilidade que estão sendo depositadas às mulheres por empresas dos mais diversos segmentos provam que elas vieram pra ficar. A sociedade ocidental não enxerga mais a mulher apenas como uma companheira e atendente do lar. Elas passaram a ser provedoras de seus lares e comporta-se em igualdade com os homens. Submissão na hora da compra, nem pensar! Realmente esse paradigma foi quebrado. É a hora e a vez da mulheres.
'Argus'
11/04/2008 - Celso Travassos
Argus, o cão de Ulisses, da Odisséia?

Não. Meu cachorro. Um boxer de meia idade, como eu. Tigrado com os pelos do nariz já ficando brancos e os dentes de baixo aparecendo quando fecha a boca. Posso dizer que é um senhor educado e carinhoso. Herdado de um irmão, surgiu em minha vida quando ainda era um adolescente.

Expulso da antiga casa por ter escolhido a roda traseira de uma Harley-Davidson de 1.500 cilindradas para "marcar" seu território.

Tornou-se um grande companheiro de todos da família. Acostumado a andar no banco da frente de uma caminhonete, tornou-se um passageiro exemplar.

Hoje é meu termômetro.

Toda vez que abaixo a capota do jipe, ele fica atento, com a orelha em pé – como se eu pegasse sua coleira...sabe que vai para o mato.

Durante vários dias da semana, utilizo meu velho Willys 58 para ir para o trabalho, deixando o 4 portas com direção hidráulica e ar condicionado para a patroa trabalhar e buscar os meninos no colégio. Às vezes, não raras, trabalho no sábado e domingo, relegando o passeio com o jeep para outro dia – acontece com a maioria de nós...

No princípio nada de mais acontece, abro a porta do jeep e ele levanta a orelha e se põe de pé. A medida que o tempo passa e se acumulam os finais de semana trabalhados, ele fica mais impaciente.

Até que acontece: abro a porta do jeep para meu filho entrar e ele sobe e senta no banco dianteiro. Tenho que arrancá-lo de lá pela coleira e ele dá a volta e tenta subir de novo, até que o convenço pela força.

Pronto! Tocou o alarme! Ele está me dizendo que esgotei o limite e se não afundar o jipe na lama ou no pó, rápido – cancelando alguns compromissos inadiáveis como aniversários de sobrinhos e almoços na sogra – enlouquecerei.

Sábio Argus.

É quinta-feira, ainda.

Pego o telefone do escritório e ligo pro Zedú:
- Zé, o Argus tá sentado no banco do jipe, esperando...
A resposta vem imediata:
- "Tô fichado!"
Ôba! Mais um final-de-semana na Serra do Cipó, Rio do Peixe ou outra região que valha a pena.

Bom para a saúde, bom para o espírito, imprescindível para a alma.

Indispensável para a formação dos meninos.

Apesar da resistência inicial convencemos a patroa e a filha, percebemos no brilho do olhar, quando alcançamos a primeira subida de serra com o "mar de montanhas" descortinado no horizonte, que a proposta tinha fundamento e vai fazer bem para elas também.

A cidade ficou para trás, com toda sua correria e compromissos.

Nos sentimos meio transgressores das regras.

A alma sorri.

Grande Argus.
MV Agusta e Citröen Apresentam o C2 1587 Brutale
07/04/2008 - Gisele Flores e Jaime Nazário
A italiana MV Agusta fez uma parceria com a francesa Citröen para fabricar uma série especial do carro C2 que seguisse o mesmo esquema de cores da moto Brutale.

O C2 1587 Brutale foi especialmente construído para exibição no "My Special Car Show" em Rimini, na Italia.

O carro teve como base o modelo C2 VTS, mas recebeu uma pintura com o mesmo esquema de cores da moto Brutale 1078RR da MV Agusta, combinando preto com branco perolizado, e, também, um acabamento interior personalizado com detalhes em couro, entre outros itens exclusivos.
Economia custa caro
07/04/2008 - Fernando Calmon
Por exigência de puro marketing ou para atender as previsões alarmistas sobre a participação do homem e dos veículos nas mudanças climáticas, o fato é que todos os fabricantes do mundo estão empenhados ao máximo em reduzir o consumo de combustíveis. Se acrescentar a insegurança quanto ao preço do petróleo – sujeito as pressões políticas e de demanda –, está formado o cenário de preocupação. Crises também geram oportunidades. Pesquisas centradas em powertrain (trem de força – motor e caixa de câmbio) avançam e apontam resultados além do que se imaginava.

Reflexos aparecem até mesmo na F-1. Dispositivo de recuperação de energia em freadas será obrigatório em breve. Estima-se que em cada volta acumulam-se 60 cv, antes dissipados em forma de calor nos freios. Esse aproveitamento gera economia de gasolina, no caso não muito grande, mas alinhado à racionalidade pretendida. O compacto BMW Série 1 é o primeiro automóvel convencional assim equipado e a tendência é de expansão à medida que o preço caia com o aumento de produção.

Outra conquista originada das pistas é a caixa de câmbio de dupla embreagem. Esse sistema manual automatizado assegura uma economia de combustível de 4% em relação aos manuais tradicionais e de 10% sobre os automáticos convencionais com conversor de torque. A rapidez de troca é sensacional, mas ainda custa caro. Volkswagen e Audi, pioneiras, utilizam discos em banho de óleo, mas a evolução a seco (mais barata) deve se impor – já disponível no Golf europeu. Nissan, Ford e BMW também oferecem esse tipo de câmbio. A Fiat espera ter sistema a seco pronto em 2009, opcional para o Bravo.

A FPT (Fiat Powertrain Technologies), criada em 2005, é a aposta do grupo italiano nesse setor. “O alto custo das pesquisas deve levar outros fabricantes a comprar motores de quem tenha foco em pesquisa e capacidade instalada para vender”, afirmou Alfredo Altavilla, principal executivo, a jornalistas na Itália. Nessa estratégia insere-se a compra da Tritec, de Campo Largo (PR), fábrica moderna para 400.000 motores/ano que havia parado há nove meses.

No centro de pesquisas de Elasis, sul da Itália, a FPT trabalha num grande avanço em motores a gasolina, batizado de Multiair. Ao eliminar a árvore de comando de válvulas de admissão (acionamento destas por solenóides) e a borboleta de aceleração, há um ganho entre 10% e 15% de consumo. Isso associado ao uso de turbocompressor vai diminuir bastante a vantagem do diesel para automóveis em termos de economia e torque. A tendência de médio prazo estima-se, é o mercado europeu de carros a diesel encolherem para até 30% (hoje, 50%): nos postos já caiu à diferença ao abastecer. As “muletas” técnicas para controlar a poluição do diesel também encarecerão ainda mais o veículo. Só em 2013 alcançará índices de emissões atuais da gasolina.

Todo esse avanço, porém, não será indolor ao bolso. Segundo Rinaldo Rinolfi, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da FPT, “cada 10% de economia significará, em média, 350 euros (quase R$ 1.000,00) no preço final do carro”. Se os europeus criaram suas neuras, devem estar dispostos a pagar. Ainda bem que no Brasil temos o álcool.

RODA VIVA

MELHOR março da história: 232.000 unidades vendidas no mês passado. A indústria continua crescendo muito: 31% no primeiro trimestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. Ao ritmo atual de vendas diárias o Brasil atingirá 3 milhões de unidades no final de 2008. Anfavea acha que a partir deste mês a base referencial (2007) aumenta e efeito estatístico será menor.

PUNTO esportivo com motor turbo, previsto para o segundo semestre, não deve se chamar Abarth. Fiat quer alçar esse nome a grife, e só o aplica, atualmente, em modelos de duas portas. Aqui o Punto é fabricado com quatro portas. Stilo ganhou versão Abarth antes dessa nova estratégia. Turbo 1.4R parece ser a escolha natural.

NOVO Ka continua pairando acima das previsões de venda da Ford. Em avaliação pela coluna, com motor de 1.000 cm³/73 cv, esse compacto de muito bom preço revela-se apenas razoável de dirigir em cidade. Visibilidade (inclusive espelhos retrovisores generosos) é um dos pontos altos. Acelerações, no entanto, estão longe de empolgar. Em estrada, carregado, certamente não está na sua “praia”.

APESAR das fortes resistências à instalação de rastreadores em todos os carros novos (já na linha de montagem), em 2009, fornecedores continuam a se movimentar. Motorola e Claro acabam de anunciar parceria para ofertar módulos de transmissão de dados sem fio mais acessíveis. Motorola, produzindo em Jaguariúna (SP), afirma ter baixado o preço.

MULHERES que sofreram amputação dos seios (mastectomia) também podem comprar, sem impostos, veículos com câmbio automático e direção assistida, a exemplo de portadores de necessidades especiais. Dirigir exige esforço maior nos braços, mas muitas desconhecem esse benefício. Há uma loja multimarca – Grand Special –, em S. Paulo, especializada nesse público.
Laranja Mecânica
02/04/2008 - Renato Bellote Gomes
Texto e fotos: Renato Bellote

A ciência já comprovou que o cérebro é divido em duas partes: uma cuida da razão e a outra da emoção. Isto posto, peço que o leitor saboreie os próximos parágrafos com o lado da emoção, sem esquecer do aspecto racional do texto.

Posso dizer, após um breve passeio, que o Porsche 550 S Edição Especial é de perder a cabeça. No bom sentido da expressão, é claro. A começar pela cor da carroceria, um laranja vivo, esportivo, cheio de subjetividade e desejos latentes. Aliás, ele desperta tais desejos em qualquer um que repare com atenção em suas linhas esguias.

A Chamonix, empresa sediada em Jarinu, fabrica réplicas do Spyder, Speedster e Super 90. Mas o 550 S não é uma recriação. Ele é um verdadeiro esportivo e apresenta três ingredientes que todo carro deste tipo deve ter: ronco instigante, boa dirigibilidade e chama a atenção. Lado emocional em alta.

A história começou no meio de uma semana comum. Recebi um telefonema do Antônio De Gennaro, diretor comercial da marca e da revendedora em São Paulo. Ele me fez uma pergunta simples: “Acabou de chegar uma série especial do 550. Você gostaria de conhecê-lo?”. A resposta não demorou nem dois segundos e marcamos em um sábado.

Fui até o showroom e o pequeno esportivo já se destacava na vitrine. A cor é chamativa, feita especialmente para a revenda. “Cada loja terá uma tonalidade específica”, disse o Gennaro. Em outras palavras: o carro é ainda mais exclusivo do que a versão “normal”. Por ali também estava o Fernando, seu filho, que sempre me acompanha para as fotos. E tem paciência de sobra.

A combinação ficou simplesmente perfeita. Já havia avaliado outro exemplar, mas sem essa riqueza de detalhes. O pigmento laranja é exatamente o mesmo usado pelo Lamborghini Murciélago. A pintura inclui os aros das lanternas, retrovisores, pinças de freio e até o tanque de combustível. O grafite, por sua vez, está presente nos bancos, pára-brisa e nas rodas. Como já disse, é uma série especialíssima.

“Aqui está a chave”, falou o Gennaro. Não sei porque, mas o coração sempre pula no peito nessa hora. Deve ser coisa do lado esquerdo do cérebro. Ou será do direito? Nem sei, mas a sensação é boa. O sol brilhava lá fora.

Abri a pequena porta e me acomodei. Tem que ir com jeito. Pude notar então que o acabamento está melhor. “Os bancos têm uma nova forração”, salientou o Fernando. A manopla de câmbio também é grafite e laranja. O volante – de maior diâmetro – ficou perfeito e a ignição tem agora um local próprio, do lado direito do painel.

Enquanto o pessoal tirava os outros carros da frente da loja fui me acostumando com o habitáculo. Quem não é muito alto – como é o meu caso – tem que dirigir um pouco mais próximo do volante, com as pernas esticadas para total domínio dos pedais. É um modo de ter o controle e sentar-se de forma – um pouco – mais confortável.

Saída livre. Girei a chave. O motor de 1,8 litro, 110 cv de potência bruta e escapamento dimensionado emite um ronco conhecido. Já disse em outras matérias que esse é um aspecto importante de um carro esporte. Mais do que isso, é um fator que pesa – e muito – na hora da compra.

Saímos pela Rua Gaivota. Tranqüilamente. Sentindo o propulsor – quase – nas costas. O laranja vivo pode ser visto de longe. E como. Se você for um sujeito tímido, melhor esquecer. O 550 S é o centro das atenções.

Luz verde. Uma aceleradinha de leve. Só pra ver a cara do pai de família que vinha atrás em uma minivan. Pelo retrovisor do Porschinho só é possível observar a placa dos outros veículos.

Afinal, seu centro de gravidade é baixo.

A volta pelo agitado bairro de Moema continua. O horário de verão esticou as tardes e a intensidade do sol é propícia para passeios ao ar livre. O volante exige firmeza nas curvas e os pedais ficam lá no fundo. Mas essa é a química do carro esportivo. O prazer de guiar está justamente no conjunto.

Rua livre, uma sapecada no acelerador só pra sentir a força da máquina. Ele não decepciona. Costas coladas no banco. Sorriso no rosto. Vento forte nos cabelos. Espectadores curiosos na calçada. Reparei até que havia alguém tirando uma foto do celular.

O modelo é pura diversão. Seus números de desempenho estampados no folheto indicam uma velocidade máxima superior a 200 km/h. Mas o ideal não é levá-lo a extremos. É gostoso dar algumas esticadas e levantar o pé, apenas curtindo o verão que se aproxima. Ele também atrai – muitos – olhares femininos pela rua.

Outra coisa importante para quem pretende adquirir um exemplar como este: é preciso ter paciência. Vira e mexe aparece algum engraçadinho emparelhando no trânsito ou acelerando na saída do semáforo. Deixe pra lá.

Siga meu conselho do parágrafo acima.
No quesito segurança o roadster ganha pontos. E por falar em pontos, existe a opção do cinto com quatro, no melhor estilo de competição. Para segurar seus 680 kg, os freios a disco nas quatro rodas dão conta do recado, além da estabilidade proporcionada pelo eixo traseiro De Dion.

Depois das fotos voltamos à revenda. Você fica um pouco duro ao sair do carro. Deve ser o excesso de adrenalina. Mas o esportivo vale quanto pesa e exala jovialidade e sex appeal.

A cor laranja esbanja exclusividade. Agora só resta juntar os dois lados do cérebro e fazer sua escolha.
 
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