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| Colunas do mês de Março / 2008 |
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Honda Lançará Sistema de Segurança
31/03/2008 - Gisele Flores e Jaime Nazário
A Honda está testando um Sistema de Apoio à Condução Segura (DSSS) com um carro Honda Odyssey e uma scooter Honda Forza, os quais foram equipados com capacidade de comunicação entre seus computadores de bordo e com os dispositivos eletrônicos da estrada.
Utilizando informações posicionais obtidas da comunicação entre motos, automóveis e sinalização eletrônica de estradas, o sistema pretende ajudar a prevenir certos acidentes de tráfego comuns, tais como colisões na traseira de um veículo ou batidas em motos que passam ao lado de um carro sem serem percebidas.
A Honda já está efetuando testes em rodovias públicas do Japão. Os veículos usados nos testes são um carro Honda Odyssey (ASV-4) e uma scooter Honda Forza que possuem computadores de bordo capazes de se comunicar e trocar informações entre si e com a estrada na qual trafegam.
O Ministério Japonês de Terras, Infra-estrutura, Transporte e Turismo e a Sociedade de Gerenciamento de Tráfico do Japão participam deste projeto a fim de desenvolver um "Veículo de Segurança Avançado" (ASV) que possibilite reduzir o número de certos tipos de acidentes que são mais comuns.
Nestes testes se verificarão as funções de comunicação entre veículos e dos veículos com os dispositivos eletrônicos das estradas e se coletarão dados para avaliar a efetividade do novo sistema.
Desde 2007 a Honda tem coletado os dados necessários para identificar as propriedades básicas que afetam a propagação e a transmissão dos sinais de rádio usados na comunicação inter-veícular e do veículo para com a estrada.
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Mais que rivais, inimigos
31/03/2008 - Fernando Calmon
Um dos lançamentos mais aguardados do ano, o novo Corolla mudou bastante e ficou mais equipado. A Toyota não está acostumada a perder. Entre 2003 e 2006 liderou o lucrativo subsegmento dos sedãs médio-compactos, em que existe oferta diversificada de modelos (inclusive importados). Pode-se afirmar que a especialização da indústria automobilística brasileira pára nessa categoria, pois acima o cenário foi dominado por modelos do exterior. Tornou-se a categoria de prestígio no País. Porém, no ano passado, o Civic ultrapassou o Corolla, mesmo sem a produção do novo líder atender toda a demanda. E não foi por pouco: vendeu quase 40% a mais que o ex-dominador.
Japoneses costumam ser discretos, mas na hora de concorrer transformam-se em adversários duríssimos. Os fabricantes de veículos tratam seus rivais como inimigos, em especial se são tão nipônicos como eles. A Toyota (a exemplo da Volkswagen) montou no Brasil sua primeira fábrica fora do país de origem. Em 2008 completa 50 anos aqui, mas só acordou de verdade para o mercado ao começar a produzir justamente o Corolla em 1998.
A quarta geração vendida no País (décima desde quando surgiu no Japão em 1966) tem a missão específica de reconquistar a liderança. O carro só manteve o motor e a mesma distância entre eixos. Surge aí a polêmica se a arquitetura é verdadeiramente nova. Claro que sim. Hoje, a cada geração, costuma-se aumentar o entreeixos para ampliar o espaço interno. Essa não é a única referência. No caso do Corolla, além da carroceria ter todas as peças diferentes, ficou 5,5 cm mais larga (internamente ganhou 2 cm na distância entre ombros), o porta-malas aumentou de 437 para 470 litros (embora só com 1 cm a mais no comprimento total do carro) e o assoalho traseiro agora é quase plano (igual ao Civic).
A Toyota preferiu manter o estilo discreto, sem grandes arrojos. Ainda assim o carro tem presença, um interior bem mais refinado e equipamentos (dependendo da versão) antes indisponíveis: regulagem elétrica de altura do banco do motorista, volante ajustável em distância, bolsas de ar laterais, faróis de xênon, ar-condicionado digital, sensor de estacionamento. Mecanicamente, recebeu direção eletroassistida, câmbio automático aperfeiçoado (com lógica humana), acelerador eletrônico, mas o motor flex perdeu 4 cv de potência quando abastecido com gasolina (a fábrica atribuiu à nova fase de emissões obrigatória a partir de janeiro de 2009).
Ao avaliar o novo Corolla, nota-se nítida melhora no silêncio a bordo. Suspensões recalibradas, juntamente com novas rodas e pneus, câmbio manual de engates mais precisos e curtos, quase fazem esquecer que o acréscimo de peso de até 100 kg diminuiu o desempenho. Imperdoável é a versão básica não oferecer freios ABS, nem mesmo opcional, enquanto se valoriza aspectos secundários como computador de bordo ou levantamento dos vidros por um toque.
É difícil prever se o Corolla vai, de fato, desbancar o Civic, mas a diferença em vendas, se existir, será bem pequena. O carro chega em boa hora porque aumentará a oferta nessa faixa de preço – Toyota estima em 50% o crescimento do modelo –, ajudando a controlar sobrepreços no Civic e no C4 Pallas.
RODA VIVA
EMBORA Volkswagen não confirme, fontes no exterior dão certeza que a Seat, subsidiária espanhola do grupo alemão, voltará ao Brasil. Os modelos virão do México, sem imposto de importação. Decisão, ainda por anunciar, sobre produzir na zona de influência direta do dólar já foi tomada. Outra vez os mexicanos são beneficiados por razões cambiais.
NUNCA o mundo automobilístico esteve tão agitado por movimentos de pequenos acossando gigantes. Tata marca indiana quase inexpressiva até alguns anos, acaba de comprar, da Ford, os ícones ingleses Jaguar e Land Rover. E a Porsche já tem dinheiro em caixa para assumir o controle acionário da VW, logo que se afastem óbices jurídicos. Quem poderia antever um cenário desses?
CURIOSO como manter certas versões em produção tem significado apenas de mero voluntarismo. Esportivos nacionais estão em baixa, mas a Fiat continua oferecendo o Palio 1.8R. Apenas 2.558 unidades foram emplacadas em 2007, pouco mais de 1% das vendas do modelo. Mas o futuro Punto Abarth com motor turba importado, aí sim, mesmo que venda pouco, trará prestígio de verdade.
APARELHO de medição de transmitância luminosa, para fiscalizar películas de vidros escuras em excesso, está na reta final de homologação junto ao Inmetro, garante a Ricci Eletrônica, empresa paranaense. Só faltam testes de compatibilidade eletromagnética e climática. Em dois meses o processo pode estar concluído. Até vir a licitação, além do período de treinamento dos policiais, outros quatro meses.
MAIS um navegador portátil por GPS de tela de larga (4,3 pol. contra o padrão de 3,5 pol.) chegou ao mercado. Marca européia V7 oferece o modelo NAV740 pelo preço competitivo de R$ 1.200,00. Na Europa, maioria dos modelos atualmente tem tela larga, melhor para consultar.
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Questão de Credibilidade
24/03/2008 - Fernando Calmon
Com freqüência os cidadãos – motorizados ou não –são bombardeados por notícias sobre a poluição nas grandes cidades. As informações, invariavelmente alarmantes e baseadas em “estudos” de pessoas plenas de boas intenções, mostram uma dose exagerada de conclusões apressadas. E, claro, se não chegam a pregar o apocalipse, conseguem afirmar que em São Paulo, cidade mais poluída do País, mesmo a qualidade do ar boa faz mal à saúde. E jamais esquecem de atribuir aos veículos 80% da culpa.
Seria ingenuidade desconhecer que automóveis, ônibus e caminhões respondem pela maior parte das emissões poluentes nas grandes cidades. E que o transporte coletivo eficiente – metrô, em especial – significa a resposta racional a essa inquestionável mazela. Espera-se, no entanto, alguma racionalidade nas discussões. Fato marcante e pouco citado é que a cidade de São Paulo, a mais vigiada em termos de medições de qualidade do ar, passou por uma década inteira de índices cadentes. Estados de atenção, mesmo em microrregiões, diminuíram drasticamente e qualidade “ruim” do ar é rara. Os dados são da própria Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), de 2007.
Fruto de debates atuais, alguns acham que as referências precisam cair, ou seja, tornar mais rigorosos os índices aceitáveis de poluição. Os céticos extrapolam para cidades do interior paulista e outras capitais populosas do País as preocupações com o aumento da frota circulante de veículos, mesmo sem uma rede de estações de medição bem montada. Mas há uma constatação simples: o gás mais perigoso e letal, monóxido de carbono (CO), aparece em concentrações bastante inferiores ao preconizado pela Organização Mundial de Saúde, mesmo em São Paulo.
O ozônio (reação de hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio) é, hoje, a principal preocupação. No entanto, além de toxidade incomparavelmente menor que o CO, depende de dias muito ensolarados para se formar na atmosfera.
Médicos e pesquisadores podem ter razão sobre o sofrimento de adultos e crianças com doenças respiratórias por causa do ozônio e demais poluentes. Os cardíacos também aparecem entre os grupos de riscos. O âmago da questão é saber se existe relação de causa e efeito explícita, além do percentual da população que sofre desses males específicos de saúde.
Não se trata de minimizar as conseqüências da poluição, porém ter em conta os exageros e até onde pode se considerar apenas alarmismo afirmações de que existem “200 doenças relacionadas ou agravadas pela poluição”. Devem-se respeitar as opiniões, mas estudos científicos estão longe de confirmar essas teses.
Renovação de frota e inspeções veiculares estão entre os caminhos evidentes para atacar os problemas de qualidade de ar. Melhora da especificação do óleo diesel, também. O xis da questão é o caráter arrecadatório que os governantes tendem a sobrepor às questões ambientais. Um programa sério de inspeção deveria começar dos automóveis mais velhos para os mais novos. Obrigar todos os carros com um ou dois anos de uso a passar por análises de gases de escapamento, coloca em cheque a credibilidade de quem se diz preocupado com a poluição.
RODA VIVA
MINIVAN compacto da Citroën, baseado no C3, chegará em 2009 na versão aventureira. Só no ano seguinte, a versão comportada vem para enfrentar Idea e Meriva, diretamente. Essa informação, antecipada pela coluna há um ano, já recebeu sinalizações de confirmação por fontes do fabricante. Para este ano, além do C4 hatch argentino, o C3 receberá leve reestilização.
DESASTROSA a ameaça – e depois recuo – do governo de encurtar para 36 meses os prazos de financiamento. Se era apenas para marcar preocupação com a disparada das vendas, bastava acenar na direção de 60 meses, que se situam acima dos 42 meses em média praticados hoje. Ocorreu apenas 15 dias depois de a indústria anunciar US$ 5 bilhões de investimento este ano, recorde de todos os tempos.
ALÉM de trazer de volta o interesse pelas stations, nova Jetta Variant demonstra a tradição da Volkswagen nesse tipo de veículo, iniciada em 1969. Só há pouco a SpaceFox recuperou a liderança da marca, perdida para a Palio Weekend por quatro anos. Importada do México, mesmo sem imposto, tem preço salgado de R$ 92.000,00. Ponto alto: sonoridade sinfônica do forte motor 5-cilindros, 170 cv.
INACREDITÁVEL, mas ainda se conseguem abrir postos de combustíveis clandestinos “neste País”. E não é o caso de uma localidade remota, de difícil fiscalização. Dois postos funcionavam sem autorização da ANP, dentro da maior cidade brasileira, conforme flagrantes por parte da agência governamental encarregada de zelar pela qualidade do combustível à venda.
OUTRA lei não vai pegar ? Películas escuras no pára-brisa e nos vidros dianteiros estão proibidas. Controle depende de homologação do aparelho de medição de transmitância luminosa. Especificações são tão exigentes que só há um interessado em fabricá-lo e enfrenta dificuldades técnicas. Parece algo proposital.
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Nova Hornet Chega em Abril
23/03/2008 - Gisele Flores e Jaime Nazário
A Honda confirmou a chegada da nova CB600 F Hornet para o início do mês de abril em sua rede de concessionárias.
O modelo que se encontra em vendas atualmente foi lançado em 1998 e conquistou vários admiradores na Europa e, também, aqui no Brasil, onde começou a ser comercializada somente a partir de 2004.
Apesar de ter agradado muito os consumidores até 2006, com o lançamento de motos mais atualizadas de marcas concorrentes, em 2007 a Hornet contabilizou vendas de somente 4.192 unidades (dados da ABRACICLO), o quê não é um número muito expressivo, considerando ser o mercado brasileiro um dos principais mercados da Honda.
O modelo 2008 brasileiro já foi lançado na Europa, originalmente sendo fabricado na Honda italiana, e sua estréia mundial se deu na Intermot Cologne Motorcycle Show que aconteceu em Cologne, na Alemanha, em janeiro de 2007.
Esta nova Hornet recebeu uma versão modificada do motor da CBR600 RR ajustado para melhor desempenho em baixos e médios regimes. Aliado ao ganho de potência e torque proporcionado pelo novo motor (102 HPs a 12.000 RPM e 6,35 kgmf a 10.500 RPM), a CB600 F também teve seu peso diminuído (de 178 Kg para 173 Kg), assumindo um estilo mais afilado que concentra seus componentes mais pesados mais próximos do centro de massas, melhorando seu equilíbrio e manobrabilidade.
Entre várias atualizações incorporadas, como quadro de alumínio e garfos totalmente novos, uma boa novidade para esta moto foi a adoção de controle de frenagem baseado num sistema ABS (Anti-lock Braking System) combinado nas duas rodas que na dianteira possui dois discos de 296mm com pinças de três pistões e na traseira possui um disco com pinça compacta de um único pistão. Para garantir conformidade com a norma “Euro-3” foi instalado um escapamento com conversor catalítico com uma sonda lambda que reduz a emissão de poluentes.
A nova Hornet deverá vir com um equipamento eletrônico anti-furto de série chamado H.I.S.S. (Honda Ignition Security System).
Disponível nas cores preta e vermelha metálica, a CB 600F Hornet tem expectativa inicial de vendas de 6.000 unidades até o final do ano. Seu preço público sugerido é de R$ 30.837,00 (versão Standard) e R$ 33.137,00 (versão ABS/CBS Opcional), com base no Estado de São Paulo, e não inclui despesas com óleo, frete e seguro. A garantia é de um ano, sem limite de quilometragem.
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O cliente não é fiel, ele está fiel...
17/03/2008 - André Belchior Torres
Na corrida pela sobrevivência num mercado cada vez mais competitivo, muitas empresas tentam encontrar o caminho certo para alavancar suas vendas. Muitas são as estratégias usadas: Promoções, preços baixos, campanhas, investimentos na qualidade de seus produtos e serviços. No entanto, o diferencial competitivo no mercado globalizado passou a ser o tipo de relacionamento que as empresas têm com os seus clientes.
A empresa orientada para um atendimento eficiente e eficaz, capaz de satisfazer as necessidades dos seus clientes e encantá-los através de valores percebidos por eles e que descobriu ser essa a principal estratégia de conquista e retenção de clientes está quilômetros à frente daquelas que ainda não se atentaram para tal mudança.
Conquistar, reter e fidelizar clientes é uma tarefa árdua e um grande desafio para os gestores atuais. Mas se conquistar requer investimentos e reter exige completa dedicação por parte da organização, fidelizar clientes vai além disso...
A pergunta aflora na boca dos profissionais responsáveis pela gestão de clientes. Existe cliente fiel? A resposta é NÃO, com letras garrafais. Não existe sequer um cliente fiel. O cliente está fiel. Até que alguém, o concorrente, de alguma forma ofereça uma vantagem comercial melhor, e ele irá "trair" os laços comerciais que tem com a sua empresa.
Talvez a melhor oferta seja o preço, talvez a qualidade do serviço ou produto, quem sabe o prazo de pagamento seja mais atrativo. Porém, nada é mais importante para um cliente que a excelência no atendimento.
Certamente o descaso, a falha ou até mesmo a falta de preparo no relacionamento com o cliente são os principais motivos que fazem os clientes trocarem de empresas na aquisição de seus bens e serviços.
A difícil tarefa de conduzir seus colaboradores a entender quão importante é cultivar diariamente o relacionamento com seus clientes e manter constantemente ações de melhoria, criatividade e inovação são pontos crucias no dia-dia das organizações orientadas para o cliente.
Treinar, treinar e constantemente treinar pessoas para suportar esse grande desafio é a melhor alternativa para manter-se forte na guerra desenfreada pelo cliente. A conquista de cada cliente é como um batalha ganha em meio ao ambiente de negócios agressivo, onde o amadorismo não é mais aceito.
O cliente está cada vez mais exigente, cada vez mais esclarecido. Isso significa que o mercado exigirá das organizações profissionais cada vez mais preparados, treinados, dedicados e com maior responsabilidade sobre suas ações junto aos clientes. O cliente é como uma planta que necessita ser regada todos os dias. Regada de atenção, de facilidades, de comodidades, de respeito e de confiança.
Não há como fugir dessa realidade. Ou as empresas atentam-se para esses requisitos, ou certamente perderão as batalhas futuras e estarão fadadas ao fracasso na guerra pelo cliente.
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Começando a Pensar
17/03/2008 - Fernando Calmon
O aumento contínuo e quase explosivo das vendas de automóveis tem levado a imprensa a questionar, com insistência, se as ruas e avenidas brasileiras vão entrar em colapso. Essa, na realidade, é uma questão que preocupa, mas estamos longe do apocalipse: um grande nó capaz de deixar os veículos imobilizados por um dia inteiro. Já se produziu até um filme no exterior sobre o tema – no campo da ficção, claro. Improvisação e falta de planejamento andam unidas e acrescentando uma dose dupla de incompetência, formam o coquetel que faz os cidadãos perderem horas preciosas no trânsito e até criar condições para doenças oportunistas.
Conforme já citado nessa coluna, o primeiro problema é o tamanho real da frota. O noticiário costuma destacar o número de licenciamentos diários, mas ninguém sabe informar quantos veículos deixam de circular definitivamente ou se deslocam, na medida em que envelhecem, para periferias ou cidades menores. Outro se concentra na malha viária. Ainda há pessoas que cunham frases infelizes: “Viadutos só ligam dois pontos de congestionamento”. Talvez nunca tenham notado os viadutos superpostos ou em espiral em Tóquio. Sim, faltam passagens subterrâneas e viadutos em número suficiente nas grandes e médias cidades brasileiras.
Os congestionamentos não estão mais segregados em São Paulo. Rio, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e até a planejada Brasília, entre outras, sofrem desse mal. Em todas falta o óbvio: construção ou ampliação do metrô. São Paulo e Paris têm densidade próxima de habitantes/veículo, mas a malha férrea subterrânea é três vezes superior na capital francesa. Sinais de trânsito computadorizados exigem ampliação – no caso paulistano, precisam voltar a funcionar na plenitude. Verbas existem para radares e quase nada para fluidez do trânsito.
Rodízio por final de placas faz parte do jeitinho que nunca dá certo. A experiência ruim de São Paulo ameaça se expandir para outros centros. Quando o Conselho Estadual de Trânsito começa a apontar a ilegalidade da ausência de sinalização do rodízio, os seus membros são substituídos. Quebra-se o termômetro, em vez de curar a febre. Afinal, nenhum administrador quer perder a arrecadação fácil, multando quem deixa de respeitar regras de circulação inviáveis.
Pedágio urbano seria menos traumático e mais eficiente, além de gerar receita transparente para investir em planejamento, equipamentos e obras.
Por trás dos recentes congestionamentos está a falta de coragem política para implantar inspeções veiculares. Panes inaceitáveis em ônibus responderam por boa parte dos engarrafamentos recentes em São Paulo. Na Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) faltam fiscais, viaturas, sistema de comunicação, guinchos, câmeras de monitoramento. Nenhum helicóptero está disponível para a CET – para quê, se existem os das rádios e tevês?
Depois do clamor público, as cabeças começaram a pensar. Há planos de eliminar cerca de 200 lombadas e valetas que, só agora, descobriram ser um empecilho ao fluxo normal. E também, quem sabe, restringir o estacionamento em horários de pico. Que outras cidades aprendam, com São Paulo, como não administrar o trânsito.
RODA VIVA
PLANOS ambiciosos da FPT (subsidiária da Fiat) depois de comprar da Chrysler a Tritec, fábrica de motores no Paraná. Voltarão a ser exportados no final do ano, assim que a fábrica retomar a produção, parada há nove meses. Antigos – chineses – e novos clientes estão em vista. Além de versões flex, haverá opções de cilindrada. Motores são adaptáveis em modelos de diferentes marcas.
CONFIRMANDO informação da coluna, governo encaminhou projeto à Câmara dos Deputados estendendo isenção de IPI a táxis e carros para deficientes físicos de origem argentina. Fica sem sentido manter legislação em conflito com a do Mercosul, apesar dos argentinos ainda temerem livre comércio. SpaceFox, pelo bom porta-malas, irá bem como táxi.
ESTÁ atrasada, por razões técnicas, implantação do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos. Chip a ser colado no pára-brisa terá função de controle da frota e de impostos. Versão moderna das antigas plaquetas anuais. Existe, porém, problemas com tecnologia, antenas e outros mais complicados do que pareciam. Sem previsão de solução.
COM tanta chuva em março, é bom conhecer os melhores, por segmento, no ranking criado pelo Centro de Experimentação e Segurança Viária. Trata do índice de danos em enchentes. Peugeot 206 (hatch e station), 307 (hatch, sedã e station), Picasso, Idea, Doblò, Montana, Logan e Tracker. Trocadilho à parte, marcas francesas deram um banho nos concorrentes.
RECENTE explosão de um carro a gás em túnel, no Rio de Janeiro, mostra riscos de programa mal planejado. Cilindro armazena GNV a nada triviais 220 bares de pressão (1 bar, pressão atmosférica). Controles de instalação e inspeção são frouxos e muitos pensam mais no bolso do que na segurança. Resultado: vazamento, incêndio e o pior. Por sorte ninguém se feriu.
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Hora da Verdade
10/03/2008 - Fernando Calmon
O tradicional Salão do Automóvel de Genebra, que se encerra no dia 16, não se distancia do enfoque ambiental que tem caracterizado as exposições internacionais nos últimos dois anos. Ao contrário, a tendência se aprofunda. Basta ver que em meio às 40 premieres mundiais – numa contabilidade camarada – os carros pequenos se destacaram e atraíram as atenções de jornalistas e público. Discursos dos executivos continuaram a destacar as tecnologias visando menor consumo de combustível e a conseqüente redução de emissões de CO2, seja por meio de híbridos ou de biocombustíveis. As soluções de cada marca deixam dúvidas entre realidade e puro marketing.
O novo Fiesta foi saudado por suas linhas ousadas. Nada de tão impactante em estilo surgiu entre os compactos desde o lançamento, em 1998, do Peugeot 206. Vai demorar um pouco para chegar ao Brasil – comenta-se 2010 –, mas pode marcar o início do fim da defasagem hoje existente em vários modelos nacionais. O Toyota iQ demonstrou o enfoque em carros subcompactos que atraem os europeus. O preço será relativamente salgado para um modelo 3+1 (três adultos e uma criança), de apenas 2,99 m de comprimento – 56 cm menos que um Fiat 500. Além do painel assimétrico, apresenta soluções inéditas para ganhar espaço: tanque de combustível sob o banco do motorista.
A primeira apresentação do pequeno Nano, fora da Índia, chamou mais atenção do que a própria Tata imaginava. Com apenas 12 cm extras em relação ao iQ, oferece espaço para cinco passageiros. O carro permaneceu fechado – depois de muita insistência abriram as portas dianteiras –, mas havia uma segunda versão de acabamento bem melhor. Pode estrear na Europa em 2009. Mas o preço estará na casa dos US$ 6.000 (cerca de R$ 10.000,00), ou seja, o dobro do que custará no país de origem. Se exportado para o Brasil, ficaria na faixa entre R$ 16 mil e R$ 18 mil.
Para completar o domínio dos pequenos, o Urban Cruiser, da Toyota, é um utilitário esporte (SUV) compacto com apenas 3,93 m de comprimento – 30 cm menos do que um EcoSport. À venda dentro de um ano. Na mesma direção seguiu o Volvo XC60 que, ao lado dos também estreantes Ford Kuga e Renault Koleos, integram a nova geração de SUVs menos imponentes, menores e mais econômicos. Os três serão oferecidos aqui entre 2008 e2009.
Interessante constatar: as peruas médio-grandes têm lugar garantido no coração dos europeus. Em alguns países vendem mais que os sedãs. Os novos Citroën C5 e Accord apresentaram ambas as versões e as respectivas stations impressionaram muito bem, assim como a A4 Avant.
Também estavam em Genebra alguns modelos de mau gosto. Mais de 20 pequenos fabricantes de carros especiais ou modificados, além de estúdios de estilo montaram estandes. Ao lado de propostas inteligentes (Italdesign Quaranta, Pininfarina Sintesi) a empresa de tuning alemã Mansory cometeu excessos em carros como Rolls-Royce e Mercedes-Benz.
Finalmente, a hora da verdade chegará para os híbridos (motores a combustão e elétrico). Vários estarão disponíveis em 2009/2010. Resta saber se os compradores aceitarão pagar até US$ 9.000 extras em troca de consumo menor apenas em cidades.
RODA VIVA
PRODUÇÃO acumulada nos últimos 12 meses (março 2007/fevereiro 2008) rompeu a barreira de 3 milhões de unidades pela primeira vez. Ainda assim, a procura por veículos novos parece insaciável. As vendas do primeiro bimestre subiram nada menos de 39%, em relação a 2007. Estoques continuam baixos e as filas, além dos 60 dias para modelos de maior procura.
FÁBRICAS estão sendo ampliadas e mais gente, contratada. Segundo a Anfavea, no final de 2008 a capacidade subirá para 3,85 milhões de unidades/ano e 4 milhões, em 2009. Investimentos anunciados, agora, são de quase US$ 5 bilhões, sem contar a indústria de autopeças. Importações também tendem a aumentar. Este ano deve bater recorde, atingindo cerca de 400.000 unidades.
HYUNDAI vai mesmo pagar pesada multa para construir nova fábrica no Brasil. Origem remonta a impostos de importação não-recolhidos pela marca Asia há 10 anos, antes de falir na Coréia do Sul. Contrato previa unidade industrial na Bahia, nunca erguida. Hyundai adquiriu a Asia e herdou dívida fiscal. Planos agora incluem modelos Kia e Hyundai, estes diferentes dos fabricados em Anápolis (GO) pelo Grupo Caoa.
ABERTURA das portas laterais em sentidos opostos surgiu em vários modelos conceituais nos salões de automóveis dos últimos anos. Nenhum se confirmou, à exceção do Rolls-Royce Drophead Coupé. Novo monovolume Opel Meriva, previsto para 2009, adota a solução bastante usada na primeira metade do século passado. Principal vantagem: facilidade de acesso. Será que chega ao Meriva nacional algum dia?
LEITOR pergunta se, conforme publicado na coluna da semana passada, acidente provocado por motorista alcoolizado libera a seguradora de indenizar até o prejuízo de terceiros. Sim, ainda que o culpado tenha adquirido essa cobertura extra. Considera-se agravamento de risco.
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O Interior Promete
03/03/2008 - Fernando Calmon
Ninguém tem dúvida: vamos permanecer mais tempo dentro dos carros. A frota aumenta e, especificamente no Brasil, pouco se investe em melhoria e controle do trânsito. Sem contar o atraso histórico do País na ampliação do meio de transporte urbano mais eficiente, o metrô. Em razão disso, os engenheiros se preocupam em aperfeiçoar as condições de habitabilidade do interior dos automóveis.
Hoje existe um abismo em termos de conforto e qualidade dos materiais entre um carro barato e um topo de linha. A diferença de custo chega a ser de dez vezes. Ainda assim, é possível – mas nada fácil – utilizar revestimentos amigáveis ao tato, criar inúmeros porta-objetos, bancos anatômicos, superfícies sem cantos vivos e o preço se manter dentro do alcance do comprador médio.
Há outras premissas também importantes ao se projetar o interior de um carro. Talvez a principal seja atender as condições de reciclagem ao final da vida útil do veículo, exigência que se aprofundará nos próximos anos. Substituir botões por comandos sensíveis ao toque é outra tendência para o futuro. E nem pensar em surgirem fontes de ruído que exigiriam material fonoabsorvente à custa de peso e preço.
A realidade de hoje é que os automóveis estão ficando maiores a toda nova geração. Um Golf, por exemplo, tem quase o mesmo espaço interno de um Santana e os dois estão separados por pouco além de uma década. Existe um limite para tanto: espaço maior não pode significar aumento indefinido de peso, porque dificulta a diminuição de consumo de combustível. A solução é partir para assentos e encostos de bancos cada vez mais estreitos (finos), incluindo painéis e consoles (horizontal e vertical).
O desafio é grande. O habitáculo de um automóvel médio atual utiliza 30 kg de plástico, 10 m² de revestimento têxtil, 5 m² de superfícies plásticas tocáveis. Um banco chega a pesar 50 kg, incluindo 10 a 20 kg do sistema elétrico de regulagem. Painel completo vai de 80 a 100 kg, sem computar estruturas pesadas como coluna de direção. O peso total de um interior alcança entre 150 e 300 kg e terá de diminuir até 30%.
A Faurecia, fabricante francês de autopeças e especialista em painéis e quadros de instrumentos, tem avançado no aperfeiçoamento de interiores. Em estudos, encostos de cabeça que sobem apenas quando alguém senta no banco, aumentando a sensação de espaço. Idem para encosto de braço central auto-rebatível do banco traseiro. Ao utilizar reforço de plástico e madeira de reflorestamento é possível produzir bancos bem mais finos. Para evitar o desgaste das bordas dos assentos, o banco pode se elevar por meio de um mecanismo ligado à abertura das portas.
Entre outras idéias estão o painel em peça única (sem console), eliminação de grelhas de saída de ar, airbags para passageiro de dimensões menores (sem comprometer a segurança) para economizar espaço sobre o painel e saídas de ar laterais do tipo aeronáutico, mais eficientes e silenciosas.
Horas perdidas no trânsito certamente trazem muitos prejuízos. A melhor maneira de atenuar é um interior bem projetado, aconchegante e seguro, além de recursos incrementais de conforto, espaço, entretenimento e informação.
RODA VIVA
EMBORA as vendas de minivans médios estejam estagnadas, há espaço para novidades. Tanto a Renault como a Citroën estão importando modelos de sete lugares. E a GM parece se inclinar agora pela evolução da Zafira, no lugar da cogitada versão station do Vectra. Aliás, as stations, apesar do crescimento, ainda estão longe dos minivans: 19.000 unidades e 26.000 unidades, respectivamente, em 2007.
MARK Fields, presidente da Ford para as Américas, foi diplomático em visita ao Brasil. “O novo Fiesta sedã será vendido nos EUA, mas não decidimos ainda onde produzi-lo.” O fato é que menor distância, ausência de impostos entre EUA e México, além da diferença cambial, deram vantagem aos mexicanos. Admitiu que a engenharia brasileira está envolvida no projeto americano. De tabela, também no novo Fiesta nacional...
APESAR da aceleração de vendas, que deixará para trás em 2008 França, Inglaterra e Itália, o Brasil tem outro país na cola, querendo pedir passagem. Até 2010, Rússia ultrapassaria Alemanha e seria o maior mercado europeu: previsão de crescer 60%, em três anos, para 3,7 milhões de veículos/ano. Razões: população grande, baixa taxa de motorização e petróleo de sobra.
SUPERINTENDÊNCIA de Seguros Privados autorizou que as companhias se recusem a indenizar acidentes provocados por motoristas bêbados ou drogados. A prova, no entanto, precisa ser cabal, inclusive exame de sangue. Providência importante ao se considerar que metade das mortes no trânsito envolve pessoas alcoolizadas.
NAVEGADORES GPS estão cada vez mais úteis. Projeto de lei na Câmara dos Deputados prevê obrigatoriedade do uso na frota dos órgãos federais de segurança pública. Além de maior eficiência, trata-se de fator fundamental em situações inesperadas e emergenciais, segundo o deputado Ratinho Júnior (PSC-PR).
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