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26/02/2007 - Celso Travassos
Não foi a primeira e nem será a última, se é que isso consola...
Quem tem um dos ditos “carros antigos” - sim antigo é diferente de velho, principalmente na conduta e carinho do dono - sabe que é assim.
É difícil achar peças, qualquer arranhão é uma tristeza profunda, e pior, achar um mecânico que conheça e seja de confiança. Não falo aqui de mecânicos que dão ré em helicóptero e estacionam carretas carregadas, dando cavalo-de-pau (segundo a imagem que passam de sua competência). Desses o mundo está cheio. Você chega com o carro e o personagem começa achar dificuldades intransponíveis, para depois vender a maravilhosa e mágica solução, que só ele, no universo sabe...Informação, quase sempre, herdada de outro mestre igualmente sábio e esperto.
Francamente e me desculpando pela má palavra, isso enche o saco!
Principalmente se você sempre teve carros usados. Não precisamos de curso de mecânica, depois de tantos defeitos passados, conseguimos saber “de ouvido” de que se trata, carburador, bobina, cabos de vela, distribuidor e por aí vai...
Mas mesmo assim, se nos pegam em nossos 5 minutos de bobeira, diários - dizia um tio que comercializava carros usados que todo ser humano tem 5 minutos de bobeira por dia... temos que rezar para os nossos caírem no momento do sono. - mas nesse caso não. Não caiu durante o sono. Jipe falhando na subida, marcha lenta engasgando... levei em um mecânico indicado para limpar o carburador.
Veio o veredito:
Não é carburador! São as válvulas!
Depois de aberto o motor, constatou que as válvulas estavam ruins... perguntei várias vezes sobre a certeza do defeito e fui categoricamente informado que essa certeza era absoluta! Eram as válvulas, que inclusive, nos jipes ainda tinha umas que ficavam embaixo do motor. - a essa altura já sentia dores nos bolsos - não me restando outra alternativa autorizei o serviço.
Sexta-feira, véspera de carnaval, vou buscar o jipe.
Pois é. Ficou constatado.
Fui pego nos meus 5 minutos de bobeira!
Mas o pior não foi a constatação de que o defeito persistia igualzinho antes. Isso não seria nada. Para me agradar o indivíduo em questão tinha pintado meu motor, com grossas camadas de tinta aplicadas em pincel. Não também não foi o pior. O pior foi a cor: ROSA! Isso, cor-de-rosa! Quando perguntei, a resposta foi rápida: Pintei de “vremeio!”. Isso aí é “vremeio!”.
Meu jipe, que se chamava possante, agora foi rebatizado de “Priscilla, a rainha do Deserto”.
É macho, mas tem alma feminina!
Fica o conselho, fujam dos mecânicos que “dão ré em helicóptero”!
Deus nos proteja e vamos em frente!
Esportividade sem Capota
21/02/2007 - Renato Bellote Gomes
Os carros conversíveis sempre despertaram a atenção e o fascínio das pessoas. Imortalizados nas telas de cinema e também pela publicidade, conseguiram aliar uma idéia de liberdade e conforto. Até os veículos esportivos entraram na onda e arrebataram um público próprio.

No Brasil nunca houve muita tradição neste segmento. O Karmann-Ghia fez sucesso no final dos anos 60 e teve uma produção limitada. Na década seguinte, surgiu um sucessor para ocupar essa posição: o Escort XR3, em abril de 1985. Um desses exemplares ilustra a matéria e o leitor fica conhecendo um pouco mais a partir de agora.

Os esportivos da década de 80 vêm ganhando espaço nos encontros e têm se tornado carros valorizados no mercado. Após um período de abandono, hoje em dia é um pouco difícil encontrar um deles em bom estado. A maior parte sofreu com o passar dos anos e a rotatividade de proprietários.

Bom, para começar a história, encontrei esse Ford há mais ou menos um ano. Na ocasião escrevi sobre a “Carreata do Agasalho” – evento realizado no bairro paulistano de Moema – e o carro despertou minha atenção. O tempo foi passando e, meses e meses depois, consegui fotografar e escrever sobre a máquina.

O consultor automotivo José Ricardo de Oliveira é o segundo dono desta relíquia. A paixão pelos clássicos vem de longe. “Comecei a me interessar por carros antigos desde pequeno. Sempre me atraiu a história que cada um deles tem para contar”, diz.

Antes de abordar os aspectos deste modelo, vale a pena se situar historicamente. O pessoal na faixa dos quarenta anos sabe bem do que estou falando. Em 1985, foi realizada a primeira edição do Rock in Rio. Além disso, bandas como o Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana – só para citar três – estouravam nas paradas musicais de todo o país.

Na política, o período pós-ditadura deu à juventude um leque de novas oportunidades e uma sensação de bem-estar que não se via há muito tempo por aqui. Nesse contexto, o Escort XR3 era uma excelente – e cara – opção para o público jovem, juntamente com Gol GT, Passat Pointer e Monza S/R.

O modelo desta reportagem dá um show de nostalgia. Saias laterais, rodas de 14 polegadas de desenho exclusivo e quatro faróis auxiliares demonstram a esportividade da época. Tudo isso com o estilo da capota de lona preta que, apesar de manual, deixa o carro com um belo perfil.

O charme de andar com o vento nos cabelos custava ainda mais caro, além de aumentar o peso da carroceria. Um detalhe que notei foi o pequeno vidro traseiro com desembaçador, ao invés do uso do plástico, que prejudicaria sobremaneira a visibilidade.

O exemplar de José Ricardo tem assentos confortáveis, o excelente volante de boa pegada – e pequeno diâmetro – que fez sucesso, e uma posição de dirigir privilegiada. O logotipo da traseira foi trocado para torná-lo idêntico ao XR3 europeu. Por esse motivo, traz a inscrição Cabriolet.

O motor de 1,6 litro e 82 cavalos de potência – bastante criticado na época – não demonstra sinais de cansaço e o torque de 12 kgfm dá conta do recado. O acabamento, por outro lado, é uma das preocupações futuras do proprietário. “Por enquanto não precisei de nenhuma peça, mas sei que, quando precisar, vou sofrer um pouco, pois o carro se tornou muito raro”, comenta.

E por falar em cuidado, o brilho da pintura não passa despercebido. A cor vermelha realça o espírito esportivo da versão. Ao volante, dá pra entender porque ele seduzia centenas de jovens na década de 80.

Um dos cuidados de José Ricardo é, justamente, com a lavagem e conservação. “Sempre acompanho as lavagens dos meus carros, para que a secagem seja feita com muito carinho”, conta. “Se ficar um acúmulo de água, corre o risco de corrosão”, complementa.

Questionado sobre a participação em concursos, ele respondeu com bom humor. “Tenho uma empresa chamada ZR Soluções Automotivas, que atua na área de logística em eventos. Então, ao invés de participar, fico sempre trabalhando”, conta. “Mas a expectativa é que o carro se destaque nos futuros encontros”, finaliza.

Esportividade, bom gosto e muito estilo. O XR3 conversível marcou época e já figura entre os raros carros nacionais. Mais do que isso, ele proporciona uma sensação de liberdade e nostalgia. Essas coisas, definitivamente, valem a pena.
 
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