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Colunas do mês de Janeiro / 2007  
Jipinho velho
22/01/2007 - Celso Travassos
Tarde de quarta-feira, calor abafado prenunciando chuva. Meu computador trava - novidade! - pego o ramal e ligo para o setor de informática, em poucos minutos tenho um colega disposto a fazer a máquina funcionar. Começamos a conversar e ele pergunta de meu velho jipe 58. Digo que está bem - mentira . Quebrou a caixa essa semana e está no estaleiro aguardando aporte financeiro familiar em seu centro-de-custo...

Meu colega me pede:
- Me arruma um jipinho véio e baratinho? Estou precisando de um hobby - e me conta da época adolescente em que passava o dia entre arames e parafusos, para uma apoteótica volta no quarteirão no final da tarde, sob os aplausos da galera, felicidade total.
Paro para pensar: Jipinho véio, baratinho? Sinto muito, isso não existe mais. O jipinho 51 comprado na mão do tio, dando uma barraca modelo canadense de três lugares, de entrada e dez suaves prestações mensais. A gasolina surrupiada do troco do pão, ajuntada o mês inteiro para umas poucas voltas no final-de-semana? Não. Isso não existe mais.

O mercado cresceu e se profissionalizou. Jipe virou moda. As tribos estão aí. Não somos mais somente "jipeiros", nos dividimos entre "Toyoteiros", "Niveiros", "Trolleiros", "Landistas" e tantos outros "istas" e "eiros" quanto forem as marcas dos 4x4 no país. São carros caros, complexos e cheios de tecnologia. Mesmo os antigos Willys e Fords, são comprados e transformados - em sua maioria - em protótipos cheios de força e velocidade.
Não são para classe-média - ou seria "classe pobre-alta?" - como nós. É necessário grana para ter e manter um 4x4, hoje. O conceito de um jipinho do tio ou avô, encostado na fazenda, vendido por qualquer dinheiro, definitivamente, não existe mais. Já foi o tempo em que jipe era um carro duro, de tecnologia rude e que não interessava a ninguém...só a uns poucos, malucos por mato ou alguém que tinha um sítio inacessível na época das chuvas.

Caro amigo, por mais que procure, não posso te arranjar um jipinho velho, baratinho, para seu hobby. Muitos deles continuam velhos, outros antigos, mas não são mais baratinhos. Olho para meu velho Willys na garagem e agradeço por ele estar pago. A conversa é outra e os tempos são outros. Caro amigo, ajunte seu 13º, deixe de ir à praia no próximo verão ... Te arranjo um jipe bom. Conserte numa oficina especializada, te apresento uma ou duas, vá à uma loja de acessórios 4x4 e dê uma equipada nele. Me ligue no final de semana, e vamos para a trilha! De preferência com a turma de um jipe clube...
Um campeão dos ralis
22/01/2007 - Renato Bellote Gomes
A cidade de Turim é um importante centro industrial italiano, além de abrigar as sedes da rede de televisão RAI e da Fiat e o Museo Nazionale del Cinema. Fiéis do mundo todo visitam a cidade para reverenciar um dos maiores símbolos da religião católica: o Santo Sudário.

Para os aficionados por automóveis, no entanto, o maior charme da capital piemontesa é garantido pelo prédio da Carrozzeria Bertone, fundada em 1912 e da qual saíram alguns dos maiores sonhos de consumo sobre rodas. Os traços do estúdio já seduziram milhões de admiradores no mundo todo.

Foi o que aconteceu no ano de 1970, no Salão de Turim, com a apresentação de um projeto ousado e futurista, chamado de Stratos. O desenho inusitado do jovem Marcello Gandini acabou por inspirar o desenvolvimento de um modelo de “rua”, com logotipo Lancia e muito estilo.

O formato definitivo do carro deixava transparecer toda a criatividade de Gandini, com alguns retoques que o deixaram mais funcional. Nesse ponto, a Lancia encontrou o bólido perfeito para substituir o vitorioso Fulvia nos ralis europeus. Curiosamente, a versão de competição tomou forma antes da homologação oficial, que só viria três anos mais tarde.

O motor original de quatro cilindros foi substituído por um vigoroso propulsor V6, de 2,4 litros – o mesmo utilizado pela Ferrari Dino – retrabalhado para despejar 270 cavalos de potência, com a ajuda de três carburadores Weber. Uma rápida olhada no cockpit apertado não deixa dúvidas: ele foi feito para resultados e não para o lazer.

As vitórias não tardaram a chegar e o esportivo fez bonito na neve, areia e lama durante toda a década de 70. O campeonato mundial de rali foi vencido por três anos consecutivos a partir de 1974. Targa Florio, Giro D`Italia e rali de Monte Carlo confirmaram seu desempenho admirável. Nenhum outro carro de corrida conseguia superá-lo nos terrenos mais difíceis.

A empresa ainda tentou partir para a conquista do asfalto. Nesse caso, o motor recebeu a adoção de um turbo que aumentava sua potência para estratosféricos 560 cavalos. O estúdio Bertone, por sua vez, criou uma carroceria mais aerodinâmica, com a inclusão de um chamativo aerofólio. Apesar de todo o investimento, não obteve o sucesso esperado.

No ano de 1977, o setor de competições da Lancia havia se juntado à equipe Fiat, que acabou por substituir o Stratos pelo modelo 131 Abarth. O carro revolucionário ainda seria utilizado por pilotos independentes até o início da década de 80, quando se aposentaria das pistas.

Foram produzidos ao todo 492 exemplares do mito. Hoje em dia, ele pode ser encontrado em alguns encontros, museus e coleções particulares. Existem também algumas réplicas em circulação. Mas, para os fãs do rali, ele sempre será lembrado pela agilidade, grandes faróis de milha na dianteira e pelo urro do motor seis cilindros ecoando pelas curvas rumo à vitória.
 
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